Bancos buscam fazer ponte entre depósitos e stablecoins com novo modelo de token

  • A Custodia e o Vantage Bank lançaram a Hazel Network em 18 de junho.
  • Um único token pode operar tanto como depósito bancário quanto como stablecoin.
  • Os depósitos permanecem dentro do sistema bancário enquanto preservam a funcionalidade do blockchain.
  • A plataforma está sendo testada na Ethereum desde março de 2026.
  • Espera-se uma implantação comercial mais ampla no quarto trimestre de 2026.

Detalhado em um white paper divulgado em 18 de junho, a Hazel Network apresenta um token digital unificado que pode funcionar como um depósito bancário segurado pelo FDIC ou como uma stablecoin totalmente lastreada, dependendo de onde é mantido e transferido. Um Único Token com Duas Identidades Legais No centro da Hazel Network está um token projetado para alterar automaticamente seu status legal e operacional. Quando mantido em instituições bancárias participantes, o token funciona como um depósito bancário tokenizado. Nesse estado, o banco continua sendo o devedor e o depósito mantém as proteções associadas à infraestrutura bancária tradicional. Quando transferido para fora da rede do consórcio, o mesmo token se transforma automaticamente em uma stablecoin lastreada um a um por reservas de caixa e títulos do Tesouro dos EUA de curto prazo, alinhando-se aos requisitos de reserva estabelecidos no âmbito da Lei GENIUS. O processo ocorre programaticamente, sem exigir que os usuários convertam manualmente ativos ou movam fundos entre produtos separados. Resolvendo o Problema de "Vazamento de Depósitos" de Stablecoins A arquitetura da Hazel aborda uma das maiores preocupações do setor bancário em relação à adoção de stablecoins: a migração de depósitos. Os bancos tradicionais têm se preocupado cada vez mais com o fato de que os clientes que transferem fundos para stablecoins efetivamente removem depósitos do sistema bancário, reduzindo a liquidez e limitando a capacidade de empréstimo. O design da Hazel busca eliminar esse atrito, permitindo que os depósitos permaneçam dentro do ecossistema bancário regulado, ao mesmo tempo que possibilitam a funcionalidade baseada em blockchain. Em vez de forçar os clientes a escolher entre serviços bancários tradicionais e infraestrutura de ativos digitais, o modelo combina ambos em um único instrumento programável. Os participantes do setor veem a estrutura como um possível modelo para como os bancos podem competir com emissores privados de stablecoins, preservando as estruturas de financiamento existentes. Conformidade Incorporada na Infraestrutura Ao contrário de muitos modelos de stablecoin existentes, os controles de conformidade são integrados diretamente na arquitetura da rede. De acordo com o white paper, a análise de blockchain monitora continuamente a atividade das carteiras e os destinos das transações antes que as transferências sejam finalizadas. Transações sinalizadas como de alto risco podem ser pausadas e revisadas pelas equipes de conformidade antes da liquidação. A abordagem reflete as crescentes expectativas regulatórias à medida que os formuladores de políticas dos EUA avançam para uma supervisão mais rigorosa dos emissores de stablecoins no âmbito da Lei GENIUS. Ao incorporar a conformidade diretamente na infraestrutura de transações, a Hazel visa fornecer aos bancos um sistema de pagamentos baseado em blockchain que atenda tanto aos requisitos de eficiência operacional quanto aos regulatórios. Testes ao Vivo Já em Andamento O projeto não é mais teórico. A Custodia e a Vantage revelaram que uma implementação de referência está operando na mainnet da Ethereum desde março de 2026 como parte de um processo de teste em fases. O consórcio concluiu a primeira das quatro fases de teste de produção planejadas, com rodadas adicionais de validação programadas antes da implantação mais ampla. Executivos envolvidos na iniciativa indicaram que a plataforma permanece no caminho certo para disponibilidade comercial durante o quarto trimestre de 2026. Para os bancos que avaliam estratégias de stablecoin, o ambiente de teste ao vivo oferece um dos primeiros exemplos reais de uma estrutura de depósito tokenizado operando junto com a infraestrutura pública de blockchain. Uma Nova Frente Competitiva na Infraestrutura de Stablecoins O momento coincide com a intensificação da concorrência em todo o ecossistema de stablecoins. Grandes gestores de ativos, incluindo Fidelity, BlackRock e State Street, lançaram recentemente produtos de gestão de reservas voltados para emissores de stablecoins, enquanto os legisladores continuam a implementar o primeiro arcabouço regulatório federal abrangente para ativos digitais lastreados em dólar. A Hazel aborda o mercado de um ângulo diferente. Em vez de competir para emitir stablecoins independentes, a rede busca fornecer aos bancos a infraestrutura necessária para oferecer serviços de pagamento nativos em blockchain sem ceder depósitos de clientes a emissores externos. A iniciativa já está integrada com a plataforma bancária Interlace da Infinant e está sendo posicionada para adoção em uma rede de centenas de instituições financeiras comunitárias e regionais. Bancos e Blockchain Continuam a Convergir O lançamento da Hazel ressalta uma mudança mais ampla que ocorre em todo o setor financeiro. À medida que a regulamentação de stablecoins se torna mais clara e a adoção institucional acelera, os bancos estão cada vez mais migrando de projetos experimentais de blockchain para infraestrutura de pagamentos pronta para produção. A importância da Hazel pode, em última análise, ir além de sua tecnologia. Se bem-sucedido, o modelo pode fornecer uma estrutura para como as instituições financeiras reguladas participam da economia de ativos digitais, mantendo a conformidade, preservando depósitos e aproveitando as vantagens de eficiência da liquidação baseada em blockchain. Para o setor bancário, a questão não é mais se os dólares tokenizados se tornarão parte das finanças tradicionais. O debate emergente é quem controlará a infraestrutura que os alimenta.

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