Brasil exige avisos do tipo tabaco em todos os anúncios de apostas: “Aposta faz você perder dinheiro”

O Ministério da Fazenda do Brasil está impondo o regime publicitário mais rigoroso até agora aos operadores de apostas licenciados do país, exigindo avisos de saúde no estilo de maços de cigarro em todo anúncio, proibindo comentaristas e influenciadores de incentivarem o público a fazer apostas, e ameaçando multas de até 20% da receita — com as regras entrando em vigor em 17 de julho, no meio da Copa do Mundo, à medida que transmissões de torneios saturadas de apostas têm atraído críticas crescentes.

Principais destaques

  • Todo anúncio de um operador brasileiro licenciado deve trazer um aviso do Ministério da Fazenda, como “apostas fazem você perder dinheiro”.
  • Os anúncios não podem apresentar apostas como investimento, mostrar ganhos como isca ou usar a autoridade de comentaristas para induzir apostas.
  • Quem descumprir enfrenta multas de até 20% da receita, suspensões de 180 dias e cassação da licença; as regras valem a partir de 17 de julho.

Um modelo de rótulo de cigarro para anúncios de jogos de azar

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou o pacote na quinta-feira, com dois atos normativos previstos para publicação no diário oficial na sexta-feira e um prazo de conformidade em 17 de julho. O ponto central exige que cada anúncio de um operador autorizado traga um dos três avisos em nome do Ministério da Fazenda, modelados nos rótulos que já são obrigatórios há muito tempo para cigarros, álcool e medicamentos: “apostas fazem você perder dinheiro”, “apostas podem causar dependência” ou “apostas não são um investimento.”

Os operadores ficam proibidos de criar senso de urgência para apostar, apresentar as apostas como investimento ou solução financeira para famílias, e exibir ganhos ou históricos de prêmios como isca. “Nada sobre exibir ganhos como chamariz, nada sobre vender apostas como dinheiro fácil, como investimento ou como solução financeira para famílias”, disse Durigan, conforme a Agência Brasil.

Uma disposição específica mira o ecossistema de mídia esportiva: comentaristas, comentaristas/pundits e narradores não podem usar sua autoridade para direcionar o público a apostas. Declarações que carreguem “uma aparência de respaldo técnico” e direcionem um consumidor para uma aposta específica são vedadas, disse Durigan — restrição que ganhou visibilidade durante as transmissões da Copa do Mundo, nas quais o volume de promoção de apostas embutido nas transmissões gerou críticas públicas. O ministro também prometeu tolerância zero para publicidade que alcance crianças ou adolescentes.

Um segundo ato normativo, emitido em conjunto com o Ministério da Justiça, aperta as medidas contra operadores não licenciados. Veículos de mídia, agências de publicidade e influenciadores são proibidos de veicular qualquer promoção por uma plataforma não autorizada a operar no Brasil — Durigan chamou a posição do governo sobre operadores ilegais de “tolerância zero”. Desde que a regulamentação entrou em vigor, as autoridades derrubaram 56.000 sites ilegais de apostas e cerca de 1.000 perfis de influenciadores, e aproximadamente 1 milhão de apostadores foram colocados em autoexclusão obrigatória por não atenderem a exigências legais. Operadores que violarem as regras de publicidade enfrentam multas de até 20% da receita, suspensão por até 180 dias e, para reincidências graves, cassação da licença de operar no mercado brasileiro.

Nos últimos meses, o Brasil passou de bloquear sites de apostas ilegais para congelar e apreender os recursos bancários por trás deles, em um decreto de junho, enquanto a polícia federal realizou raids em redes de apostas ligadas ao mercado ilegal e voltadas à lavagem de dinheiro cripto. O governo também baniu plataformas de mercado de previsão não licenciadas como Kalshi e Polymarket, classificando-as como apostas ilegais e não como instrumentos financeiros. As novas regras de anúncios estendem essa pressão dos próprios operadores para a mídia, agências e influenciadores que veiculam a promoção — apertando o perímetro em torno de um mercado que o Brasil legalizou apenas em janeiro de 2025, justamente no momento de maior atenção ao esporte.

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