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BCI Avança o euro digital com piloto de 36 provedores
Empresas de pagamento avançam de consulta para integração A seleção tira o projeto do euro digital das discussões de design e o leva a um processo técnico de integração de vários anos. De acordo com o anúncio do BCE em 14 de julho, mais de 50 provedores de serviços de pagamento se inscreveram depois que o banco central abriu sua chamada para manifestações de interesse em março de 2026. Os 36 candidatos aprovados abrangem 16 dos 21 países-membros da zona do euro e incluem tanto credores tradicionais quanto empresas de pagamento não bancárias. A lista oficial de participantes inclui Deutsche Bank, DZ Bank, UniCredit, BPCE, National Bank of Greece, Caixa Geral de Depósitos e Bank of Cyprus, além de Revolut, Stripe, Adyen, Worldline, Satispay, SumUp e Nexi Payments. A diversidade é operacionalmente importante. Um euro digital não seria distribuído por meio de uma única plataforma ao consumidor controlada pelo BCE. Bancos e empresas de pagamento forneceriam as contas, aplicativos, suporte ao cliente e conexões com comerciantes por meio dos quais as pessoas interagem com o dinheiro do banco central. “O forte interesse do mercado no piloto mostra a prontidão do setor privado para se engajar ativamente e avançar rapidamente com o projeto do euro digital”, afirmou Piero Cipollone, membro da Diretoria Executiva do BCE. O desenvolvimento técnico deve começar no terceiro trimestre de 2026. Os provedores devem se conectar à Digital Euro Service Platform, desenvolver as funções de pagamento necessárias, concluir a certificação e incorporar usuários elegíveis antes do início do teste operacional na segunda metade de 2027. Provedores testarão os dois lados de um pagamento O BCE separa as empresas participantes em provedores de serviços de pagamento de distribuição e de aquisição. Algumas executarão ambos os papéis.
O piloto operará no BCE e em 19 bancos centrais nacionais participantes. Funcionários do banco central atuarão como usuários individuais, enquanto cafeterias selecionadas, restaurantes e negócios de e-commerce fornecerão ambientes de comerciantes sob controle. As transações abrangerão quatro casos de uso principais: transferências online pessoa a pessoa, transferências offline pessoa a pessoa, pagamentos online em pontos de venda físicos e compras via e-commerce ou plataformas de mobile-commerce. Pagamentos offline pessoa a pessoa usarão comunicação por campo próximo, permitindo que dois dispositivos compatíveis troquem valor ao serem encostados, sem que nenhum deles se conecte à internet. Comerciantes físicos testarão pagamentos online sem contato usando tecnologia de Software Point of Sale, que permite que um smartphone padrão ou dispositivo similar funcione como um terminal de pagamento. Essa estrutura permite que o BCE teste não apenas se o razão subjacente consegue processar transferências. O teste examinará como os usuários abrem e aportam recursos em carteiras, como os provedores autenticam clientes, como os comerciantes recebem confirmação e como todo o sistema se comporta quando transações falham ou exigem reembolsos. O euro beta não é um lançamento público de CBDC A moeda do piloto será tecnicamente e funcionalmente próxima ao euro digital descrito na proposta de legislação da UE, mas não terá status de moeda de curso legal. Empresas fora do ambiente de teste selecionado não serão obrigadas a aceitá-la. As orientações do piloto do BCE explicam que o euro digital beta representará uma obrigação registrada nos livros do Eurosistema. Para uso online, ele será tratado como dinheiro escritural dentro da estrutura existente de serviços de pagamento. Os usuários não manterão contas diretamente com o BCE ou com um banco central nacional. Eles devem, em vez disso, manter ou abrir uma conta de dinheiro bancário comercial com um provedor participante durante a duração do teste. Os provedores selecionados permanecerão responsáveis pelos seus relacionamentos com clientes e deverão cumprir a Diretiva de Serviços de Pagamento existente, o Regulamento Geral de Proteção de Dados e as regras da UE contra lavagem de dinheiro. Essas restrições tornam a iniciativa mais próxima de um teste operacional controlado do que de uma implantação pública limitada. A participação será restrita a funcionários do banco central e comerciantes selecionados, permitindo que o Eurosistema avalie robustez, escalabilidade e usabilidade antes de expor a infraestrutura a uma população mais ampla. Pagamentos offline colocam privacidade e resiliência à prova A funcionalidade offline é um dos componentes mais consequentes do piloto porque foi projetada para preservar pagamentos digitais durante interrupções de internet ou de rede. O design mais amplo do BCE usa hardware seguro dentro de telefones compatíveis ou outros dispositivos para armazenar valor offline e executar transferências localmente. O pagamento é liquidado entre os dispositivos, e não por espera de uma conexão com a infraestrutura do banco central. Esse modelo tem a intenção de oferecer privacidade mais próxima do dinheiro físico. No arcabouço de privacidade proposto pelo BCE, os detalhes de uma transação offline seriam conhecidos apenas pelo pagador e pelo destinatário. Pagamentos online seguiriam um modelo diferente. A identificação do cliente e as obrigações contra lavagem de dinheiro permaneceriam com o provedor de pagamento do usuário, enquanto o BCE e os bancos centrais nacionais processariam identificadores pseudônimos em vez de informações diretamente identificáveis do cliente. O teste deve revelar se essas proteções podem operar junto com controles antifraude, segurança do dispositivo e gerenciamento confiável de saldo. Transferências offline criam riscos técnicos adicionais porque o sistema deve impedir que os mesmos recursos sejam gastos duas vezes enquanto os dispositivos permanecem desconectados. Limites de detenção e de transação devem fazer parte do design final para reduzir riscos de estabilidade financeira e de mau uso, mas limites finais ainda não foram estabelecidos. O piloto não deve ser tratado como confirmação de qualquer teto específico. Lançamento em 2029 ainda depende de legisladores O BCE pretende estar tecnicamente pronto para uma possível primeira emissão durante 2029, assumindo que legisladores europeus adotem a regulamentação necessária do euro digital. A proposta de regulamentação da Comissão Europeia estabeleceria o marco legal da moeda, incluindo distribuição, privacidade, tratamento como moeda de curso legal e a autoridade do BCE para impor limites de detenção. O piloto não contorna esse processo. O BCE afirmou que só decidirá emitir um euro digital depois que a regulamentação for adotada. O Conselho do BCE ainda poderia atrasar, modificar ou rejeitar a emissão com base na legislação, nos achados técnicos e na avaliação mais ampla de políticas. A seleção recente de provedores, portanto, confirma que o trabalho de infraestrutura está avançando, e não que a Europa tenha tomado uma decisão irreversível de lançar uma moeda digital de banco central. O teste de 2027 verificará se bancos, fintechs, comerciantes e o Eurosistema conseguem operar um único sistema de pagamento em diferentes instituições, dispositivos e mercados nacionais antes de a decisão política ser tomada.