

A Circle alcançou um feito notável em meados de 2025 ao lançar a sua oferta pública inicial a 31$ por ação. As ações da empresa registaram um desempenho excecional, atingindo 69$ logo após o início das negociações e atingindo um ganho máximo de 290%. Nas sessões de bolsa mais recentes, o preço das ações da Circle manteve-se acima dos 200$, com a capitalização bolsista a atingir aproximadamente 49 mil milhões de dólares.
Este resultado extraordinário decorre de vários fatores determinantes. A forte procura institucional foi crucial, com nomes como JPMorgan, Citigroup e Goldman Sachs a assumirem o papel de principais coordenadores. A clareza regulatória em torno das stablecoins contribuiu de forma decisiva para a confiança dos investidores. Destaca-se ainda o interesse da ARK Investment Management, dirigida por Cathie Wood, em adquirir até 150 milhões de dólares em ações, reforçando a posição da Circle no mercado.
O desempenho do IPO da Circle reflete o entusiasmo do mercado pela infraestrutura financeira baseada em blockchain e a crescente aceitação das stablecoins como instrumentos financeiros legítimos. O facto de a Circle ter conquistado o apoio de grandes instituições demonstra a maturação do setor das criptomoedas e a sua integração nos mercados financeiros tradicionais.
As análises financeiras e institucionais apresentam diferentes leituras sobre o potencial de crescimento da Circle a longo prazo, embora haja diversidade de opiniões quanto à volatilidade de curto prazo e à avaliação atual. O preço-alvo médio consensual situa-se nos 220$, sugerindo potencial de valorização moderado face aos preços recentes.
StockAnalysis.com aponta um preço-alvo médio de 220$, indicando uma valorização aproximada de 6,58% em relação ao valor atual, destacando os sólidos fundamentos e o posicionamento da Circle no setor das stablecoins.
Os analistas da TradingView apresentam um intervalo de preços entre um máximo de 235$ e um mínimo de 205$, refletindo diferentes graus de otimismo quanto às perspetivas da empresa a curto prazo, tendo em conta a volatilidade e a concorrência.
A Morningstar mantém uma visão positiva, salientando que, apesar das ações da Circle já terem multiplicado por seis, a empresa continua a ser considerada uma oportunidade de compra. O foco incide no modelo sustentável de receitas e no crescimento da quota de mercado.
Por outro lado, a Trefis adota uma perspetiva mais prudente, alertando que as ações poderão descer abaixo dos 20$ em cenários adversos, com especial atenção a riscos regulatórios, concorrência e eventuais correções de mercado.
Estas opiniões contrastantes evidenciam a dificuldade de avaliar uma empresa num mercado de stablecoins em rápida transformação, onde métricas financeiras clássicas têm de ser ponderadas face à inovação tecnológica e à evolução regulatória.
A Circle Internet Group é uma fintech pioneira e uma das principais referências no universo das moedas digitais, reconhecida sobretudo pela emissão e gestão da USDC, a segunda maior stablecoin por capitalização de mercado e elemento central da infraestrutura financeira de criptoativos.
A Circle Internet Group foi criada em 2013 por Jeremy Allaire e Sean Neville, visionários que souberam identificar o impacto transformador da blockchain nos serviços financeiros. Inicialmente, a empresa apostou no desenvolvimento de pagamentos peer-to-peer baseados em Bitcoin, procurando tornar as transações em cripto acessíveis ao público em geral.
A empresa rapidamente atraiu o interesse de instituições financeiras tradicionais, obtendo investimento da Goldman Sachs e outros investidores de peso. Este apoio inicial de grandes players financeiros validou a visão da Circle e contribuiu para a credibilização dos seus serviços financeiros baseados em blockchain.
O lançamento da USD Coin (USDC), em 2018, marcou um ponto de viragem na história da Circle. Esta stablecoin implicou uma mudança estratégica e de modelo de negócio. A USDC mantém uma paridade 1:1 com o dólar americano, sendo cada token garantido por dólares reais ou ativos altamente líquidos, sobretudo títulos do Tesouro dos EUA de curto prazo.
A USDC veio responder à necessidade de um meio de troca estável e fiável no mercado de criptoativos, facilitando transações sem a volatilidade típica de outras criptomoedas. Esta inovação colocou a Circle na linha da frente do movimento das stablecoins e consolidou a sua atual liderança de mercado.
A Circle implementa uma estratégia sofisticada de arbitragem de taxas de juro, gerando receitas relevantes ao mesmo tempo que garante a estabilidade da USDC. Este modelo revelou-se eficaz sobretudo em ambientes de taxas elevadas.
O funcionamento é simples: quando os clientes depositam dólares na Circle, a empresa emite o equivalente em USDC. Esses fundos são investidos sobretudo em títulos do Tesouro dos EUA, considerados dos ativos mais seguros e líquidos. Os juros desses ativos são a principal fonte de receita da Circle, proporcionando aos clientes a conveniência e utilidade da USDC para pagamentos, remessas e outras operações financeiras.
Desta forma, a Circle consegue gerar lucros sem cobrar diretamente pelos serviços USDC, criando um alinhamento de interesses. Quando as taxas de juro sobem, cresce também o potencial de receita, tornando a rentabilidade da empresa sensível à política monetária. Este modelo é comprovadamente escalável e sustentável, oferecendo à Circle uma base robusta para crescimento e diversificação.
A Circle oferece uma gama abrangente de stablecoins para diferentes segmentos de mercado:
USDC (USD Coin) é o produto de referência, mantendo a paridade com o dólar dos EUA. Com milhares de milhões em circulação, a USDC é essencial para trading de criptomoedas, aplicações DeFi e pagamentos internacionais.
EURC (Euro Coin) expande a oferta à zona euro, disponibilizando uma stablecoin indexada ao euro para empresas e consumidores europeus que recorrem à blockchain.
USYC (Tokenized Money Market Fund) representa a aposta da Circle em trazer produtos financeiros tradicionais para a blockchain, oferecendo oportunidades de rendimento e todos os benefícios da tecnologia.
A Circle construiu uma infraestrutura robusta para facilitar transações financeiras eficientes:
Circle Payment Network (CPN) é uma rede de pagamentos internacionais baseada em blockchain, que permite transferências mais rápidas e económicas, resolvendo problemas clássicos como custos elevados, lentidão e falta de transparência.
Cross-Chain Transfer Protocol (CCTP) é um avanço técnico que possibilita a circulação da USDC entre várias blockchains, promovendo interoperabilidade e flexibilidade na escolha da rede mais adequada para cada utilizador.
A Circle disponibiliza ferramentas e serviços para empresas e developers:
Enterprise APIs permitem às empresas integrar funcionalidades USDC nos seus sistemas e aplicações de forma programática.
Circle Mint facilita emissões e resgates de USDC em grande escala, dirigido a clientes institucionais.
Compliance Engine apoia o cumprimento regulatório, oferecendo ferramentas integradas de compliance e monitorização.
Wallets, smart contracts e paymasters fornecem aos developers os componentes essenciais para criar aplicações blockchain avançadas, simplificando o processo de desenvolvimento.
O GENIUS Act (Guiding and Establishing National Innovation for US Stablecoins Act) é um marco para a indústria das stablecoins nos EUA. A legislação estabelece regras claras para a operação de stablecoins, resolvendo incertezas regulatórias que travavam a evolução do setor.
Clareza regulatória: O diploma elimina a ambiguidade sobre as stablecoins, permitindo às empresas como a Circle definir estratégias a longo prazo com maior confiança e menor risco jurídico.
Abertura ao setor financeiro tradicional: A lei facilita a entrada de bancos e instituições financeiras convencionais no universo das stablecoins, potenciando a integração das finanças tradicionais com a blockchain e acelerando a adoção generalizada.
Liderança dos EUA na moeda digital: Ao definir um enquadramento legal robusto, os EUA posicionam-se como líderes na área das finanças digitais, atraindo empresas e investimento internacional e reforçando o papel do dólar na era digital.
O impacto do GENIUS Act vai muito além da Circle, podendo transformar todo o setor dos pagamentos e serviços financeiros. Grandes grupos como Amazon, Walmart, Uber, Apple e Airbnb estão a estudar a adoção de stablecoins nos seus sistemas de pagamento, o que poderá impulsionar substancialmente o uso destas moedas e cimentar o seu papel no comércio quotidiano.
A legislação estimula também a inovação ao criar regras claras para novos produtos e serviços baseados em stablecoins, abrindo espaço a novos casos de uso que antes eram travados pela incerteza regulatória.
O êxito do IPO da Circle reflete a maturidade e aceitação crescentes do mercado de stablecoins no ecossistema financeiro. O forte desempenho da empresa demonstra a confiança dos investidores tanto no seu modelo de negócio como na viabilidade das stablecoins a longo prazo.
A clareza regulatória promovida por legislação como o GENIUS Act é especialmente favorável a empresas como a Circle, que privilegiam a conformidade. Ao definir regras claras, estas normas criam um ambiente de maior estabilidade e reduzem os riscos da incerteza regulatória, podendo acelerar a adoção generalizada das stablecoins e alargar os seus casos de uso para além da negociação de cripto, incluindo comércio e remessas internacionais.
No curto prazo, alguns analistas alertam para a possibilidade de a valorização da Circle estar sobrestimada, podendo ocorrer correções de preço. A volatilidade do mercado, a concorrência e o contexto económico poderão condicionar o desempenho das ações nos próximos meses, pelo que os investidores devem preparar-se para oscilações à medida que o mercado assimila o estatuto de empresa cotada.
No entanto, a perspetiva de longo prazo mantém-se positiva. A Circle conta com vários motores de crescimento além do negócio principal das stablecoins, desde receitas estáveis da USDC até ao alargamento da oferta de APIs e infraestrutura de pagamentos. À medida que a blockchain se integra nas finanças tradicionais, a posição da Circle como elo entre ambos os mundos revela potencial acrescido.
As parcerias com grandes instituições, aliadas à capacidade tecnológica e ao compromisso regulatório, colocam a empresa numa posição privilegiada para capitalizar a transformação digital das finanças. Quanto mais empresas e consumidores adotarem stablecoins para pagamentos, remessas e outras operações, mais a Circle beneficiará desta tendência de crescimento.
O sucesso da Circle dependerá da sua capacidade de manter a liderança perante maior concorrência, navegar a evolução do quadro regulatório em diferentes mercados e inovar para responder às necessidades dos clientes. O seu historial de adaptação e inovação é um indicador favorável para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades do setor financeiro digital em rápida evolução.
A Circle é uma fintech fundada em 2013, especialista na emissão e gestão de USDC, uma stablecoin indexada ao dólar. O negócio base gera receitas com juros dos ativos de reserva que suportam a circulação da USDC, complementados por serviços de rede de pagamentos e ferramentas para developers.
A USDC é uma stablecoin descentralizada, com capitalização de cerca de 5,4 mil milhões de dólares e quota de mercado de 3%. Funciona por sobrecolateralização com criptomoedas como ETH, baseia-se em protocolos descentralizados sem controlo de uma única entidade e atrai utilizadores DeFi.
O ticker da Circle é CRCL, cotado na Bolsa de Nova Iorque. As ações CRCL podem ser adquiridas em qualquer plataforma de negociação, pesquisando o símbolo e colocando ordens de compra ao preço pretendido.
O preço da Circle registou volatilidade recentemente. A 2 de fevereiro de 2026, fechou nos 58,86; a 29 de janeiro atingiu o máximo de 70,31, evidenciando uma tendência clara de correção descendente. No total, observa-se um recuo desde os máximos – os investidores devem acompanhar a evolução do mercado.
Os analistas apontam para um preço-alvo de 169,8 dólares no horizonte de um ano, com intervalo entre 84 e 280 dólares. A recomendação consensual é manter, com base nos fundamentais atuais do mercado.
A Circle aposta na conformidade regulatória e na confiança institucional com USDC e reservas transparentes. Entre as vantagens estão o pioneirismo nas stablecoins em conformidade e a adoção institucional; entre as desvantagens, os custos de distribuição elevados (53% da receita para a Coinbase) e menor penetração em mercados emergentes face à maior acessibilidade da Tether.
A Circle gera receita principalmente com a emissão da USDCstablecoin. O modelo de rentabilidade assenta nos juros dos fundos de reserva, ou seja, o rendimento dos dólares depositados pelos utilizadores. Inclui ainda receitas de serviços de pagamentos e de infraestrutura blockchain.
As ações da Circle enfrentam riscos de concorrência regulada, avaliação elevada e dependência dos juros das reservas USDC. O aumento da concorrência de emissores regulados pode pressionar a quota de mercado. Os múltiplos de avaliação atuais estão acima dos de outras fintech comparáveis.
A Circle é o principal emissor de stablecoins reguladas e tem uma base de compliance sólida. Procura uma licença bancária federal para ser o primeiro banco de stablecoins dos EUA, reforçando a sua posição regulatória. As perspetivas a longo prazo são positivas, com a USDC adotada em mais de 10 blockchains e forte cooperação regulatória, embora a avaliação atual já reflita otimismo elevado.
A Circle concluiu o IPO na NYSE em junho de 2025, emitindo 32 milhões de ações a 27-28 dólares, angariando cerca de 896 milhões de dólares. Suportada por uma circulação da USDC de 610 mil milhões, apresenta-se como alternativa de compliance à USDT, com forte dinâmica de crescimento.






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