
A mineração de criptomoedas é o processo central que permite criar novas moedas digitais e validar transações em redes blockchain. No caso do Bitcoin, por exemplo, os mineradores desempenham dois papéis essenciais: verificam e confirmam as transações, assegurando a integridade da rede, e geram novos bitcoins através de trabalho computacional, integrando-os no fornecimento em circulação.
Quando alguém envia criptomoeda a outra pessoa, os mineradores validam essas transações na blockchain. Esta validação é vital para garantir a segurança e confiança da rede. Os mineradores recolhem transações do memory pool—uma área temporária da rede blockchain onde ficam as transações por confirmar. Depois, organizam essas transações em blocos. O memory pool funciona como uma área de espera para todas as transações submetidas, mas ainda não incluídas em bloco.
Após validarem com sucesso as transações e as registarem na blockchain, os mineradores recebem como recompensa criptomoeda recém-criada. Este sistema incentiva a proteção da rede e o processamento das transações. A mineração garante que todas as transações são registadas de forma permanente e não podem ser alteradas ou revertidas—um dos pilares do modelo de segurança da blockchain.
Os mineradores constituem o suporte das redes de criptomoedas, funcionando como nós essenciais que sustentam toda a estrutura. São responsáveis por recolher, validar e organizar transações em blocos, mantendo a natureza descentralizada da blockchain. Na rede Bitcoin, por exemplo, validam transações e emitem novas criptomoedas, desempenhando funções similares às de um banco central nos sistemas tradicionais—mas de forma descentralizada.
O Bitcoin partilha semelhanças com moedas tradicionais como o dólar dos Estados Unidos, mas distingue-se pela descentralização. Enquanto o governo dos EUA emite notas sem grande participação dos cidadãos, o Bitcoin depende de uma rede global de mineradores distribuídos, que verificam todas as transações e asseguram a proteção da rede. Assim, nenhuma entidade controla a moeda.
Para processar transações em Bitcoin, os mineradores investem em computadores especializados de elevado desempenho. Estas máquinas resolvem problemas computacionais complexos, unindo os blocos de transações. Quando um minerador valida transações com sucesso e as inclui na blockchain, estas tornam-se imutáveis e irreversíveis. Tal está diretamente ligado à segurança da rede, tornando a mineração crucial para a infraestrutura das criptomoedas.
A mineração assegura justiça, estabilidade e segurança à rede Bitcoin e a outras blockchains baseadas em proof of work. Como compensação, os mineradores recebem novos bitcoins, atribuídos aproximadamente a cada 10 minutos, conforme definido no próprio código do Bitcoin. A única forma de minerar criptomoeda é validar transações e incluí-las em blocos, associando de forma intrínseca a segurança à criação de moeda.
Existem diferentes formas de obter criptomoedas através de mineração, cada uma com as suas vantagens e requisitos. Nesta secção, analisamos a mineração por CPU, GPU, ASIC e cloud mining, detalhando as caraterísticas de cada método.
A mineração por CPU utiliza o processador central do computador para minerar criptomoedas. Nos primeiros tempos das criptomoedas, este era o método principal. Contudo, com o surgimento de equipamentos GPU e ASIC, a eficiência da CPU foi ultrapassada. Ainda assim, continua a ser utilizada em moedas especializadas, operações de pequena dimensão e para fins educativos. Para obter maior rentabilidade, recomenda-se a escolha de criptomoedas e pools de mineração adaptados a operações de CPU de pequena escala.
A mineração por ASIC utiliza circuitos integrados de aplicação específica (Application-Specific Integrated Circuit) desenvolvidos para minerar criptomoedas. Dedicados a processar algoritmos concretos, os ASIC são extremamente eficientes na mineração de criptomoedas de Proof of Work, como o Bitcoin. Destacam-se pelo processamento rápido dos hashes, superando largamente as GPUs e CPUs.
A mineração por GPU usa placas gráficas para minerar criptomoedas. Este método foi amplamente adotado nos primórdios do Bitcoin e permanece relevante para altcoins. As GPUs oferecem processamento paralelo superior às CPUs, permitindo resolver múltiplos cálculos em simultâneo—essencial num processo que exige cálculos extensivos de hash.
O cloud mining assemelha-se ao investimento em ações via corretor: o serviço executa o trabalho e o investidor recebe os lucros. Consiste no aluguer de máquinas de mineração e know-how a empresas especializadas, que asseguram manutenção e monitorização por uma taxa. Os investidores recebem os lucros ao fim do contrato.
É um método popular porque permite a participação na mineração sem comprar equipamento. Os prestadores de serviço detêm rigs profissionais e otimizam a produção. Cada empresa oferece planos distintos, com custos variáveis. Os preços podem começar nos 300$.
Dependendo do ativo e do mercado, o break-even pode ser atingido em 9-14 meses, assumindo estabilidade de preços e dificuldade. Ao escolher o serviço, deve analisar o período do contrato, capacidade alocada e custos de manutenção, pois influenciam diretamente a rentabilidade.
Entre os principais prestadores de cloud mining estão BitDeer, Hashmart, Hashing24 e StormGain.
A adequação de um ativo à mineração depende de vários fatores, sendo a rentabilidade o mais relevante para a maioria dos investidores. Exceto se for um passatempo, é essencial que o investimento de tempo e dinheiro seja compensador. Eis critérios fundamentais para avaliar a rentabilidade de um ativo.
As criptomoedas são muito voláteis, com flutuações diárias marcadas. Deve analisar se os custos de mineração superam o preço de mercado. Apesar disso, por vezes os mineradores mantêm as moedas na expetativa de valorização. Embora o sucesso não seja imediato, considerando a volatilidade, é provável que surjam mercados em alta.
A posse e mineração de criptomoeda devem ser legais no seu país. Alguns países impõem restrições, outros não regulam a atividade. Onde a mineração é legal, pode explorar eletricidade barata sem receio de repressão. Em ativos como o Bitcoin, quanto menor o custo energético, maior o lucro.
É fundamental garantir capacidade financeira para pagar eletricidade e adquirir equipamento de alto desempenho. O equipamento pode ir de um simples computador a grandes instalações, custando mais de 3 000$.
Além do hardware, há investimento em software. Se a mineração convencional for demasiado complexa, pode começar em exchanges—uma forma de iniciar sem grandes riscos.
A Zcash iniciou operações em 2016 e é uma das criptomoedas mais focadas na privacidade. Uma das suas vantagens é a recompensa de mineração significativa, atraente para quem privilegia a rentabilidade.
A Zcash utiliza o algoritmo Equihash, incompatível com ASIC, o que dispensa este tipo de equipamento—ideal para quem pretende reduzir custos iniciais. Para minerar Zcash, é necessário um GPU ou CPU.
Uma CPU custa menos, mas deve considerar o arrefecimento. A GPU exige mais investimento. A Zcash está disponível na maioria das exchanges. Utiliza proof of work, com recompensas de 10 ZEC por bloco.
A Ravencoin deriva do Bitcoin original. É minerada por prova de trabalho, com o algoritmo X16R, que alterna entre SHA512 e X15, consoante o hash do bloco anterior. Para minerar Ravencoin, adquire-se placas gráficas da NVIDIA ou AMD.
A Ravencoin pode ser trocada facilmente em várias plataformas. É orientada para transferência de ativos, baseada em tecnologia Bitcoin e Ethereum. A recompensa é de 5 000 RVN por bloco, ideal para setups com GPU.
O Monero destaca-se pela privacidade superior, sendo também compatível com o Bitcoin. Com uma capitalização de mercado superior a 2,8 mil milhões de dólares, o Monero tem vindo a valorizar-se de forma consistente.
Não exige ASICs, mantendo os custos iniciais baixos. Os mineradores recebem 4,99 XMR por validar transações, com taxas a rondar 0,06573 XMR. O Monero utiliza proof of work e ajusta o algoritmo para permitir mineração por GPU e CPU. Está disponível na maioria das exchanges.
O Grin é uma criptomoeda recente baseada em Mimblewimble, assegurando privacidade. Não tem limite de emissão, sendo apreciada por mineradores. A dificuldade varia segundo o hash da rede e utiliza proof of work.
Desenvolvido em Rust, usa o Equihash e é resistente a ASIC, exigindo hard forks semestrais para o garantir. GPUs AMD e NVIDIA são adequadas à mineração. A recompensa é de 60 GRIN por bloco.
Pode ser comprada nas principais exchanges, facilitando o levantamento e conversão das recompensas.
Bitcoin (BTC), Ethereum Classic (ETC), Litecoin (LTC) e Zcash (ZEC) estiveram entre as mais rentáveis para mineração em 2024. A rentabilidade depende do preço de mercado, dificuldade, recompensas por bloco e custos de eletricidade. Opções compatíveis com GPU, como Dogecoin (DOGE) e Ravencoin (RVN), também foram relevantes.
A rentabilidade é analisada tendo em conta a dificuldade do algoritmo, eficiência do hardware, custo de eletricidade, recompensas de rede e preço de mercado. Estes fatores determinam o retorno e o ROI.
Mineração de um Bitcoin custa mais de 10 000$ e pode demorar vários anos; no Ethereum, o custo e tempo são inferiores devido às mudanças de rede. Os custos dependem do hardware, eletricidade e dificuldade da rede.
A mineração em pool proporciona recompensas mais estáveis e previsíveis, com menor exigência técnica, sendo mais adequada à maioria dos mineradores. A mineração individual pode ter retornos superiores, mas exige mais investimento e conhecimento, com resultados menos regulares. Para a maioria dos mineradores, a pool é mais rentável.
PoW e Scrypt diferem sobretudo na eficiência do hardware e custos energéticos. PoW requer GPUs de topo; Scrypt privilegia ASIC. A rentabilidade depende do mercado, dificuldade e preços das moedas.
O hardware de mineração costuma atingir o break-even em 8 a 12 meses. O prazo de ROI depende do investimento em hardware, custos energéticos e rentabilidade. A volatilidade e as mudanças do hash rate podem afetar o período de retorno.











