

A Teoria das Ondas de Elliott foi criada na década de 1930 pelo financista e analista norte-americano Ralph Nelson Elliott. Após uma doença grave o afastar da sua carreira, Elliott dedicou-se ao estudo aprofundado do comportamento dos mercados de ações. Ao analisar décadas de dados históricos e gráficos de preços, identificou padrões recorrentes nos movimentos de preços de mercado.
A principal descoberta de Elliott foi que os movimentos do mercado não são aleatórios, mas obedecem a padrões específicos que podem ser descritos como estruturas de ondas. Estes princípios tornaram-se a base da análise de ondas, posteriormente adaptada a vários mercados financeiros, incluindo o mercado de criptomoedas. A teoria pressupõe que a psicologia coletiva dos participantes do mercado gera padrões previsíveis nos movimentos de preços.
A análise de ondas baseia-se na ideia de que o preço de qualquer ativo negociável evolui em ondas cíclicas, refletindo a psicologia coletiva dos participantes do mercado. Um gráfico de preços pode ser interpretado como uma sequência de estruturas de ondas, cada uma composta por vários elementos.
De acordo com Elliott, um ciclo completo de mercado é composto por oito ondas:
Fase Impulsiva (Tendência de Alta):
Fase Corretiva:
Um princípio essencial da teoria é a fractalidade: cada onda divide-se em sub-ondas menores que também seguem padrões de ondas. Ondas impulsivas (1, 3, 5, A, C) contêm cinco sub-ondas, enquanto ondas corretivas (2, 4, B) contêm três sub-ondas.
A teoria de Elliott estabelece regras claras para a identificação das estruturas de ondas, ajudando os traders a distinguir padrões autênticos de sinais enganadores:
Regras das Ondas Impulsivas:
Onda 1 inicia um novo impulso, geralmente provocado por notícias positivas ou mudanças de sentimento no mercado. Nesta fase, um grupo restrito de traders — os primeiros a identificar a nova tendência — participa no movimento.
Onda 2 é a primeira correção após a subida inicial. Alguns dos primeiros participantes realizam lucros, provocando um recuo. Regra fundamental: a onda 2 nunca pode descer abaixo do ponto inicial da onda 1; caso contrário, o padrão é invalidado.
Onda 3 é a onda mais forte da sequência. Ultrapassa sempre o topo da onda 1 e é a mais longa ou a segunda mais longa do conjunto. A onda 3 não pode ser a mais curta das ondas impulsivas (1, 3, 5). Nesta fase, a maioria dos participantes entra no mercado.
Onda 4 é a segunda correção. Importante: a onda 4 não pode invadir a faixa de preços da onda 1. Esta regra distingue a verdadeira quarta onda do início de uma nova tendência descendente.
Onda 5 é o estágio final da tendência de alta. Pode ou não exceder o topo da onda 3. Normalmente, apresenta sinais de esgotamento da tendência e diminuição do volume de negociação.
Regras das Ondas Corretivas:
Onda A inicia a fase corretiva depois de completadas as cinco ondas impulsivas. Muitos participantes ainda esperam a continuação da tendência principal.
Onda B é um movimento temporário na direção da tendência anterior, frequentemente alimentado pela expectativa de retoma. Normalmente, não atinge o topo da onda 5.
Onda C é a última onda da correção e costuma ser a mais longa das três. Conclui o ciclo de oito ondas.
Cada onda representa um estado psicológico específico dos participantes do mercado, tornando a análise de ondas uma ferramenta poderosa para compreender a psicologia coletiva:
Psicologia das Ondas Impulsivas:
Na primeira onda, reina a incerteza. Um pequeno grupo de traders com visão entra a comprar, muitas vezes contra o sentimento dominante. A maioria mantém-se pessimista após a queda anterior.
Na segunda onda, surge ceticismo. Os primeiros compradores realizam lucros e muitos acreditam que a tendência de baixa continuará. No entanto, a onda inverte acima do ponto inicial, à medida que novos compradores aparecem.
A terceira onda gera entusiasmo generalizado. A tendência de alta torna-se evidente e a maioria dos traders entra no mercado. Cobertura mediática da subida capta ainda mais compradores. É o momento de máxima confiança e otimismo.
A quarta onda revela dúvidas temporárias e realização de lucros por traders experientes. O sentimento geral mantém-se positivo e muitos aproveitam a correção para reforçar posições.
A quinta onda é habitualmente marcada por euforia e otimismo extremo. Paradoxalmente, é nesta fase que traders experientes começam a sair, enquanto os menos experientes entram massivamente no mercado.
Psicologia das Ondas Corretivas:
Onda A desencadeia negação. Muitos traders veem o início da descida como uma correção temporária e esperam novas valorizações.
Onda B reforça essas expectativas, criando a ilusão de retoma da tendência de alta. Isto leva frequentemente a novas compras em níveis desfavoráveis.
Onda C caracteriza-se por capitulação e vendas em pânico. Aqueles que mantiveram posições à espera de recuperação saem do mercado em massa, muitas vezes com perdas relevantes.
Para aplicar a análise de ondas de forma eficaz no trading de criptomoedas, considere vários fatores práticos:
Seleção do Intervalo Temporal: O intervalo mínimo recomendado para análise de ondas é de 1 hora. Em períodos mais curtos, o ruído de mercado dificulta a identificação de estruturas válidas. Analistas experientes usam múltiplos intervalos temporais para confirmar padrões de ondas.
Identificação de Pontos de Entrada: Os melhores momentos para abrir posições longas incluem:
Para posições curtas, as melhores entradas são:
Gestão de Risco: A análise de ondas define níveis claros para colocação de ordens stop-loss:
Combinação com Outras Ferramentas: A análise de ondas é mais eficaz quando combinada com:
A Análise das Ondas de Elliott apresenta várias vantagens, tornando-se uma ferramenta popular entre traders de criptomoedas:
Vantagens:
Estrutura Metodológica: Regras claras permitem filtrar sinais falsos e suportam decisões objetivas de trading. Critérios rigorosos para cada onda reduzem a subjetividade.
Capacidade de Previsão: O método avalia a situação atual e antecipa os próximos movimentos de preço. Conhecer a localização na estrutura de ondas permite antecipar eventos futuros.
Versatilidade: A análise de ondas funciona em múltiplos intervalos temporais e aplica-se a qualquer criptomoeda ou par de negociação. O seu carácter fractal torna-a útil tanto para trading intradiário como para investimento de longo prazo.
Base Psicológica: A teoria assenta na compreensão da psicologia coletiva, o que a torna relevante em diferentes condições de mercado.
Limitações e Riscos:
Interpretação Subjetiva: Apesar das regras claras, identificar ondas em tempo real requer experiência e pode variar entre analistas. É especialmente difícil detetar ondas nas fases iniciais.
Curva de Aprendizagem: O domínio exige tempo de estudo e prática. Traders principiantes cometem frequentemente erros na contagem das ondas.
Influências Externas: O mercado cripto é muito sensível a notícias, alterações regulatórias e atividade de grandes intervenientes. Esses fatores podem perturbar a estrutura das ondas e provocar oscilações inesperadas nos preços.
Sem Garantias: Tal como qualquer método técnico, a teoria das ondas não garante lucros. Padrões bem identificados podem falhar se as condições de mercado mudarem.
Necessidade de Abordagem Global: A análise de ondas é mais eficaz quando combinada com outras formas de análise e gestão de risco. Depender apenas dos padrões de ondas — sem considerar fundamentos e contexto de mercado — pode ser arriscado.
Recomendações-Chave:
Ao utilizar a análise de ondas em trading de criptomoedas, diversifique sempre as estratégias e mantenha uma gestão rigorosa do capital. Comece com posições pequenas e aumente gradualmente à medida que ganha experiência. Registe padrões de ondas e resultados das operações para aprimorar a análise e identificar pontos de melhoria.
A análise de ondas assume que os preços evoluem em ondas: cinco numa tendência de alta e três numa tendência de baixa. A teoria modela a psicologia coletiva dos traders. No mercado cripto, ajuda a identificar pontos-chave de entrada e saída, embora a sua eficácia possa ser reduzida pela atuação de grandes intervenientes e eventos tecnológicos.
Procure a estrutura de oito ondas (cinco ascendentes, três descendentes) no gráfico. Identifique níveis-chave de suporte e resistência e utilize os movimentos nesses níveis para prever a evolução e selecionar pontos de entrada.
A análise de ondas examina as estruturas de preços segundo a teoria de Elliott, enquanto médias móveis e MACD analisam tendência e momento. A análise de ondas prevê a sequência dos movimentos de preços, enquanto outras ferramentas confirmam a direção e força da tendência através de indicadores matemáticos.
Benefícios: A análise de ondas ajuda a prever tendências de mercado e pontos de entrada/saída. Riscos: Subjetividade na interpretação das ondas, sinais contraditórios entre analistas e elevada volatilidade cripto aumentam a incerteza e os potenciais prejuízos.
A análise de ondas apresenta sucessos e limitações na previsão dos preços das criptomoedas. Houve previsões acertadas sobre a queda de 2018 e o rally de 2020–2021. Contudo, a sua eficácia depende das condições de mercado e de fatores externos. É mais fiável em intervalos temporais elevados.
Comece por estudar a teoria de Elliott através de livros e tutoriais em vídeo. Use TradingView para praticar análise de gráficos. Python, R e Excel podem ser usados para automatizar a análise. Pratique com dados históricos antes de operar padrões reais de ondas.











