
Vitalik Dmitrievich Buterin nasceu a 31 de janeiro de 1994 em Kolomna, perto de Moscovo. Aos seis anos, a família emigrou para o Canadá em busca de melhores oportunidades profissionais. Esta decisão marcou um ponto de viragem na vida do futuro criador de uma das maiores plataformas blockchain do mundo.
Porquê Vitalik e não Vitaly? Era assim que os colegas o tratavam na escola primária canadiana—os canadianos desconheciam que os nomes russos mudam à medida que os portadores crescem. Este pormenor tornou-se simbólico: Vitalik destacou-se sempre, até no nome, que evidenciava a sua singularidade.
O pai, Dmitry Buterin, é igualmente programador e cientista informático. Apresentou ao filho o conceito de blockchain e criptomoedas, lançando as bases das futuras conquistas de Vitalik. A mãe, Natalia Amelin, também ligada ao mundo tecnológico, fundou a CryptoChicks, um projeto que promove a inclusão feminina na indústria cripto. Vitalik cresceu num ambiente em que tecnologia e inovação faziam parte do dia a dia.
“Fiquei a saber do Bitcoin em 2011, através do meu pai. Quando mo explicou, pensei: ‘Isto são apenas números no computador. Não têm valor intrínseco—como podem ser dinheiro?’ Três semanas depois, voltei a ouvir falar e, depois, novamente. Decidi então pesquisar e comecei a interessar-me,” recordou Vitalik.
Para colegas e até professores, Vitalik era visto como diferente na escola primária no Canadá. Destacava-se entre os pares, sendo integrado num programa especial para crianças sobredotadas. Era apelidado de “génios matemático”, mas não era especialmente sociável ou extrovertido—priorizava a aprendizagem e a internet, elementos que o moldaram como figura que conhecemos.
No entanto, Vitalik não nasceu génio matemático, programador ou economista obcecado pelo estudo. Também apreciava prazeres comuns, como jogar World of Warcraft durante anos. O jogo não só lhe proporcionava diversão, como também lhe ensinou uma lição importante sobre centralização e controlo.
Em 2010, um único acontecimento mudou-lhe o rumo: a Blizzard Games lançou uma atualização global que fez com que a personagem evoluída de Vitalik perdesse todas as conquistas e competências. Aí percebeu que a vida pode ser dura, as empresas podem ser prejudiciais e a centralização é um inimigo. Esta vivência definiu a sua futura filosofia sobre descentralização.
Depois do ensino secundário, Vitalik ingressou na Universidade de Waterloo, no Canadá, onde frequentou várias disciplinas avançadas de ciência computacional. O fascínio pela tecnologia cripto aumentava—estava curioso, embora ainda cético. Vitalik procurava algo além de uma nova forma monetária.
Buterin dedicou muito tempo a fóruns cripto, onde estabeleceu contactos valiosos com pessoas de ideias semelhantes. Atraía-o a ideia das criptomoedas e a arquitetura descentralizada, livre do controlo empresarial. Procurou trabalhos remunerados em tokens reais, em vez de moeda fiduciária.
Em 2011, Vitalik experimentou o trabalho de copywriter, recebendo 5 BTC por artigo. No mesmo ano, foi cofundador da Bitcoin Magazine, lançada no formato papel em 2012, tornando-se a primeira grande publicação dedicada ao universo cripto. Rapidamente se tornou uma plataforma essencial para a partilha de ideias e conhecimento na comunidade inicial.
Curiosidade! Vitalik gastou os seus primeiros 8,5 BTC numa t-shirt, mostrando o pouco valor atribuído ao Bitcoin na época.
A paixão pelo cripto deixou-lhe pouco tempo livre e Buterin teve de escolher entre a academia e o projeto cripto. Abandonou a universidade e juntou-se a um grupo de entusiastas para trabalhar no seu próprio projeto—Ethereum. Foi uma decisão arrojada, mas Vitalik manteve-se convicto.
Para financiar o desenvolvimento, realizaram uma oferta inicial de moeda (ICO) de Ether, angariando cerca de 18 milhões de dólares. Esta campanha de crowdfunding ficou entre as três mais bem-sucedidas do mundo. Vitalik recebeu ainda uma bolsa pessoal de 100 000 dólares da Thiel Fellowship, de Peter Thiel, dedicada a jovens empreendedores.
Em 2014, Buterin foi distinguido com o World Technology Award. Nessa mesma altura, Mark Zuckerberg, criador da Meta, foi também nomeado. Vitalik superou o conhecido multimilionário, alcançando reconhecimento global pelo seu contributo tecnológico.
Nos últimos anos, o Ethereum tornou-se uma das maiores plataformas de blockchain a nível mundial. A sua criptomoeda nativa, ETH, ocupa atualmente o segundo lugar em capitalização de mercado entre todas as criptomoedas. O valor de mercado do ativo é estimado em centenas de mil milhões de dólares.
Vitalik abordou o desenvolvimento do seu projeto de modo ponderado. Viajou por vários países com setores de blockchain em franco crescimento. Os interesses de Buterin iam além da criação e comercialização de criptomoedas—pretendia criar uma plataforma descentralizada para o desenvolvimento de aplicações.
Em Israel, o cofundador do Ethereum contactou equipas responsáveis por dois projetos que se aproximavam da sua visão. No entanto, considerou a funcionalidade demasiado limitada. Mesmo assim, estes encontros foram fonte de inspiração para o que viria a transformar o mercado cripto.
Em dezembro de 2013, Vitalik redigiu o primeiro rascunho do white paper do Ethereum e lançou a primeira versão da rede. O documento tornou-se a base da revolução blockchain.
Vitalik escolheu o nome “Ethereum” enquanto navegava na Wikipedia e se deparava com a palavra “Éter”. Recordou-se de a ter visto num livro de ciências em criança e decidiu adotá-la. Na ciência clássica, o éter era o quinto elemento universal de Aristóteles.
A plataforma Ethereum foi criada para ser a fundação de aplicações e serviços descentralizados sobre blockchain. O objetivo inicial era funcionar como alternativa às estruturas financeiras e governamentais tradicionais. Vitalik reconhecia-lhe potencial para mudar o mundo.
O surgimento do Ethereum impulsionou uma verdadeira revolução na área do blockchain. Até então, os programadores tinham de criar uma rede separada para cada aplicação—passaram a poder desenvolver numa única plataforma. Isso abriu inúmeras oportunidades para inovação.
A transição do Proof-of-Work, o mecanismo que alimentava o Bitcoin, para Proof-of-Stake foi o grande marco do Ethereum no outono de 2022, tornando a rede mais eficiente energeticamente e sustentável.
Como referido, a equipa do Ethereum realizou uma ICO para financiar o desenvolvimento, angariando 18 milhões de dólares em 2014—depois de Vitalik e outros entusiastas lançarem a fundação sem fins lucrativos Ethereum Foundation.
Os investidores trocavam ETH por Bitcoin. Por cada 1 BTC, recebiam 2 000 ETH. À época, parecia razoável, mas viria a revelar-se altamente lucrativo para os primeiros investidores.
Em 2021, Buterin tornou-se o mais jovem milionário do mundo—ainda que por pouco tempo. O ETH ultrapassou os 3 000 dólares e o património de Vitalik superou 1 mil milhão de dólares.
Com a descida do preço, o criador do Ethereum perdeu o estatuto de novo milionário. De acordo com plataformas de análise, a fortuna de Vitalik Buterin é atualmente estimada em algumas centenas de milhões de dólares, maioritariamente em ETH.
A riqueza pessoal não preocupa Vitalik. O seu foco está em contribuir para um mundo onde todos tenham acesso igual ao dinheiro. Esta filosofia orienta todo o seu trabalho no Ethereum.
Para concretizá-la, a equipa liderada por Buterin lança atualizações contínuas. Por exemplo, em 2024, a rede principal implementou a atualização “Dencun”, reduzindo as comissões das transações em Layer 2 de vários dólares para apenas alguns cêntimos—melhorando substancialmente o acesso à plataforma.
No entanto, baixar as taxas na rede principal continua a ser um desafio. Esta é uma das maiores prioridades da equipa.
“Precisamos que os pagamentos em Ethereum tenham taxas de transação que não excedam cinco cêntimos; o processo deve ser prático e não ser interrompido aleatoriamente em 2,3% das vezes; e não se deve precisar de um doutoramento para perceber o que se passa,” afirmou Vitalik à CNBC.
A descentralização é outro pilar fundamental da filosofia de Buterin. Considera-a essencial, não apenas para o blockchain. Para Vitalik, a descentralização é a chave para uma sociedade baseada na igualdade e na liberdade.
Vitalik acredita que as estruturas centralizadas tradicionais—governos, bancos e grandes tecnológicas—detêm demasiado poder sobre os utilizadores e os seus dados. Para ele, a descentralização elimina intermediários e devolve às pessoas o controlo das finanças, da informação e até da identidade.
A descentralização torna os sistemas mais resilientes a ameaças externas. No Ethereum e noutras blockchains, uma rede distribuída de nós impede pontos únicos de falha. Isto é especialmente relevante para aplicações financeiras e smart contracts. Vitalik defende que redes descentralizadas são mais resistentes à censura e à interferência governamental.
Conhece-se pouco da vida privada de Vitalik. Buterin é extremamente reservado, o que dá azo a bastantes rumores—não só entre fãs da cultura pop, mas também na comunidade cripto.
As redes sociais fervilham com especulações sobre a vida romântica do criador do Ethereum. Em 2024, por exemplo, correram rumores de um envolvimento com a rapper norte-americana Iggy Azalea e a atriz Sydney Sweeney. Nenhum destes relatos foi confirmado.
Buterin está profundamente comprometido com a filantropia e defende que todo o projeto cripto deve servir o interesse público. Este posicionamento distingue-o de muitos outros líderes do setor.
Em 2021, no auge da pandemia, o cofundador do Ethereum doou 1 mil milhão de dólares em Shiba Inu para o combate à COVID-19. Após o início do conflito na Ucrânia, Vitalik doou ainda 1 500 dólares à Unchain Ukraine, um fundo de apoio humanitário às vítimas ucranianas.
Vitalik apoia também startups de blockchain e centros de investigação. Em 2018, por exemplo, doou 2,4 milhões de dólares à SENS Foundation, uma organização sem fins lucrativos dedicada à biotecnologia para longevidade e rejuvenescimento.
Em 2017, Vitalik integrou a lista “30 Under 30” da Forbes, na área de Finanças, e foi eleito pela Fortune um dos dez jovens mais influentes do “40 Under 40”. Em março de 2022, Buterin foi capa da revista TIME.
O criador do Ethereum é visto ainda como um ícone de estilo na comunidade cripto, graças ao seu guarda-roupa excêntrico, que nunca deixa de surpreender os entusiastas. Vitalik não receia experimentar na moda e afirmar a sua individualidade.
A excentricidade de Buterin vai além da roupa. Na conferência Token2049, em Singapura, em setembro de 2024, Vitalik surpreendeu novamente a comunidade ao cantar uma música sobre a importância de proteger fundos.
Vitalik Buterin é, sem dúvida, uma das figuras mais proeminentes do universo cripto. Muitos participantes do setor e líderes de opinião partilham as suas perspetivas. Ainda assim, mesmo quem trabalha em prol do interesse comum—incluindo génios cripto—é alvo de críticas.
Ultimamente, tem havido debate na comunidade sobre o posicionamento de Buterin e da Ethereum Foundation face às finanças descentralizadas. O programador Kain Warwick criticou Vitalik por apoiar pouco o setor, afirmando que o criador do ETH deveria defender o DeFi de forma mais ativa.
“Se o DeFi é a única coisa a sustentar a tua rede nos últimos cinco anos, e na melhor das hipóteses toleras a sua existência, estás contra o DeFi. Desculpa, mas a posição padrão devia ser apoiar e desenvolver…” escreveu Warwick na X.
Vitalik respondeu sublinhando a importância de projetos DeFi sustentáveis. O único ponto a que sempre se opôs foram esquemas temporários de alto rendimento, como o liquidity mining, que considera soluções passageiras e pouco fiáveis.
O cofundador do Ethereum é também alvo de ataques pessoais e trolling na internet. Chegou a partilhar algumas das mais insólitas teorias da conspiração sobre si—algumas afirmam que Vitalik é um agente da KGB ou até um extraterrestre. Estes rumores refletem o grau de influência que atingiu na comunidade cripto.
Vitalik Buterin é um programador russo-canadiano nascido em 1994. É o fundador do Ethereum, uma plataforma blockchain inovadora. As suas contribuições transformaram a indústria das criptomoedas e a tecnologia descentralizada.
Vitalik Buterin criou o Ethereum para desenvolver uma plataforma descentralizada de smart contracts e aplicações descentralizadas. O objetivo principal é garantir uma rede blockchain segura e escalável para executar programas sem intermediários.
Vitalik Buterin fundou o Ethereum, revolucionando a tecnologia blockchain e inaugurando a era Web3. Foi pioneiro nos smart contracts, permitindo aplicações descentralizadas. O seu trabalho impactou profundamente o crescimento do ecossistema cripto e da descentralização.
Vitalik Buterin dedica-se ao desenvolvimento do Ethereum e à investigação da escalabilidade do blockchain. As suas principais áreas incluem soluções Layer 2, criptografia, sistemas de governança e tecnologia Proof-of-Stake. Continua a impulsionar o Ethereum como plataforma para aplicações descentralizadas.
Vitalik acredita na descentralização e no igualitarismo, considerando a tecnologia um instrumento de mudança social positiva. A sua filosofia assenta no desenvolvimento do Ethereum segundo os princípios de igualdade e autonomia.











