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Aquele movimento de 11 altas consecutivas do Nasdaq em abril foi bem mais interessante do que parecia à primeira vista. Não era só o índice subindo — era a forma como as big techs (FAANG e companhia) se comportavam que revelava o que realmente estava acontecendo no mercado.
Eu estava acompanhando de perto porque a narrativa mudou bastante desde março. Naquela época todo mundo discutia a mesma coisa: "As gigantes de tecnologia voltam ou não?" Mas essa era uma pergunta errada. A questão verdadeira era outra: qual delas volta primeiro e por quê?
E olha, o gráfico respondeu isso muito claramente. Alphabet, Amazon, Meta e NVIDIA saíram na frente entre final de março e meados de abril. Depois vieram Microsoft e Apple. Tesla? Ficou para trás, como sempre, mais dependente de eventos e declarações do que de fundamentos sólidos.
O interessante é que cada uma tinha sua própria lógica. A Alphabet recuperou confiança porque o fluxo de caixa da publicidade segue firme e a IA na busca abre nova narrativa de crescimento. NVIDIA? Enquanto IA for o tema central do ciclo tecnológico, ela continua sendo o ponto de ancoragem. E a Amazon foi a surpresa — o mercado não esperava tanto, mas com as margens da nuvem melhorando e a IA começando a gerar receita visível, ela entrou em recuperação mais cedo do que muitos achavam.
Mas o ponto que mais chama atenção é que isso não parou na primeira leva. Microsoft, Apple e Meta — que eu tinha classificado como observação contínua — também começaram a se recuperar. E isso muda tudo. Se fosse só emoção de curto prazo, a gente veria aquele padrão clássico: sobe rápido, cai rápido, acabou. Mas não foi assim.
O que vimos foi mais estruturado: o índice se corrige, o capital volta para os ativos centrais, e dentro desses ativos há uma reclassificação interna. Quem consegue sustentar avaliação com desempenho real fica na sequência. Quem estava só seguindo o humor vai ficando para trás. É por isso que as FAANG não subiram todas juntas — algumas já estão em tendência clara, outras estão no caminho, e Tesla continua como variável especial, mais movida por eventos (Robotaxi, direção autônoma, tweets do Elon) do que por lucros estáveis.
Desde o ponto de vista dos números, BlackRock elevou ações americanas para overweight justamente porque lucros corporativos — especialmente de tech — estão resilientes. Citigroup fez o mesmo. As projeções de lucro do S&P 500 foram revisadas para cima. Ou seja, esse reparo não é construído em ar, é construído em expectativa real de ganhos.
O risco macroeconomicamente ainda existe: conflito no Oriente Médio, pressão nos preços de energia, FMI reduzindo perspectivas de crescimento global. Mas até agora o mercado respondeu positivamente, o que sugere que o espaço para continuação ainda existe.
O ponto final é que essa sequência de 11 dias do Nasdaq não é só um número. É a resposta do mercado àquela pergunta que todo mundo fazia em março. E a resposta foi: não, as sete irmãs não voltam todas juntas. Elas voltam em ordem, com lógicas diferentes, filtrando quem realmente tem fundamento para continuar na tendência. Quem conseguiu identificar isso antes do movimento já estava um passo à frente.