Tenho acompanhado o mercado de venture capital em cripto e algo bem interessante está acontecendo agora. Enquanto muita gente ainda fala de bear market, os VCs continuam injetando dinheiro — só que de forma completamente diferente de antes.



Em fevereiro, foram 883 milhões de dólares em financiamento para startups de cripto. Queda de 13% comparado ao ano passado, é verdade. Mas o mais relevante não é o número, é o que mudou por trás dele. Um dos sócios da DWF Labs resumiu bem: acabou a era em que você levantava grana com apenas uma narrativa e um PowerPoint bonito. Hoje os investidores querem ver receita, usuários reais, e principalmente razões para acreditar que o produto vai sobreviver a ciclos de mercado baixista. A sorte não paga mais as contas.

E olha, isso abre espaço para algo bem mais interessante. Os VCs estão focando em três frentes principais agora: stablecoins e infraestrutura de pagamentos, AI Agents, e ferramentas institucionais como conformidade e gestão de fundos. Não é sexy, concordo. Mas é por onde todo capital institucional de 500 bilhões de dólares precisa passar antes de tocar qualquer token.

Os maiores movimentos de fevereiro ilustram bem isso. O Flying Tulip — projeto do Andre Cronje, um dos maiores arquitetos de DeFi — levantou 206 milhões em vendas de token. A plataforma integra spot, empréstimos e derivativos perpétuos com sua stablecoin nativa. Tem uma estrutura interessante chamada ftPUT que dá aos holders direito de resgate permanente. Isso mostra que investidores estão comprando em modelos DeFi que combinam proteção estrutural com ferramentas de nível exchange.

Depois tem o Whop, que recebeu 200 milhões de dólares da Tether. É uma plataforma de marketplace para criadores digitais, conecta criadores a mais de 18 milhões de usuários. A Tether está integrando seu kit de wallet para permitir liquidação automática de USDT e da nova stablecoin USAT. A ideia é reduzir dependência de canais bancários tradicionais, especialmente em mercados emergentes.

E tem o Anchorage Digital também — primeiro banco de ativos digitais dos EUA com licença regulatória federal — que recebeu 100 milhões em ações da Tether, chegando a avaliação de 4,2 bilhões. Aqui a Anchorage funciona como emissor regulado do USAT da Tether, fornecendo infraestrutura de custódia, staking e governança institucional.

O padrão é claro: stablecoins, infraestrutura regulada, e razões para acreditar em sustentabilidade. Os melhores investimentos saem de quem entende que bear market traz oportunidades, não o contrário. Isso está mudando o jogo do que conta como um bom projeto.
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