Recentemente, observei um fenómeno bastante interessante, muitas pessoas discutem se o dólar continuará a cair, mas na verdade essa questão é muito mais complexa do que parece à primeira vista.



Primeiro, a conclusão: se o dólar vai cair ou não, realmente não se deve olhar apenas para a política de um país, os Estados Unidos. Notei que muitas pessoas no mercado cometem o mesmo erro — pensar que cortar taxas de juros equivale a uma depreciação do dólar, e aumentar as taxas equivale a uma valorização. Na realidade, a taxa de câmbio reflete a atratividade relativa entre os países, não apenas o nível das taxas de juros.

Em 2022, o índice do dólar atingiu um pico de 114, depois caiu continuamente, e agora caiu cerca de 15%. Mas ao longo de mais de um ano, o índice do dólar oscilou entre 90 e 100, sem sinais de uma tendência de fraqueza unilateral. Por quê? Porque, embora os EUA estejam cortando taxas, os bancos centrais de outras economias importantes, como Europa e Japão, também estão ajustando suas políticas, todos estão relaxando, e a vantagem do dólar não foi significativamente reduzida.

A situação atual é que os dados de emprego não agrícola ainda estão relativamente fortes, e a inflação não está caindo tão rapidamente quanto se imaginava, então o Federal Reserve (Fed) tornou-se mais cauteloso. As expectativas de corte de juros no mercado já mudaram de “rapidamente afrouxar” para “lento, tardio, moderado”, e algumas instituições até acreditam que em 2026 pode não haver cortes de juros durante todo o ano. Mas aqui é importante notar um ponto-chave — a postura hawkish do Fed agora é baseada em dados, não em um novo ciclo de alta de juros. Desde que o emprego e a inflação comecem a desacelerar, há chances de mudança na política.

Sob essa perspectiva, o espaço para a queda do dólar é realmente limitado. Nos próximos doze meses, é mais provável que vejamos uma oscilação em níveis elevados, com quedas ocasionais, do que uma queda contínua. Sempre que ocorrerem riscos financeiros globais ou conflitos geopolíticos, o capital tende a retornar ao dólar, pois ele continua sendo a principal moeda de refúgio.

Há também uma tendência de longo prazo que vale a pena acompanhar — a desdolarização. Isso é uma realidade, muitos países estão realmente reduzindo suas participações em títulos do Tesouro dos EUA e aumentando suas reservas de ouro, mas esse é um processo lento, que ocorre ao longo de anos, e não vai fazer o índice do dólar cair de 100 para 90 em apenas 12 meses. A posição do dólar no sistema de reservas e liquidação global ainda é difícil de ser substituída a curto prazo, sendo mais provável que se torne um cenário de “dólar mais várias moedas coexistindo”.

Que lições isso traz para nossos investimentos? Se você é um trader de curto prazo, deve ficar atento a dados como CPI, emprego não agrícola e reuniões do FOMC, pois cada anúncio pode gerar oportunidades de volatilidade. Mas se você é um investidor de médio a longo prazo, ao invés de apostar na alta ou baixa do dólar, é melhor diversificar riscos usando ouro, outras moedas ou ativos criptográficos. Quando o dólar estiver em níveis elevados e oscilando, essa estratégia costuma equilibrar melhor a carteira de ativos.

Por fim, uma observação interessante: o movimento do câmbio do dólar não depende apenas dos EUA, mas também do desempenho relativo das moedas componentes. Por exemplo, o Japão acabou de encerrar uma política de juros extremamente baixos, e o capital pode retornar ao iene, fazendo o dólar/iene tender a se depreciar. A moeda taiwanesa deve se valorizar durante o ciclo de corte de juros do dólar, mas o aumento não será grande. Embora o euro seja relativamente mais forte que o dólar, a economia europeia também não está muito bem, então o dólar não deve se depreciar drasticamente. Essas relações relativas muitas vezes oferecem mais oportunidades de negociação do que apenas observar o índice do dólar.
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