
Uma configuração air-gapped consiste em isolar totalmente qualquer operação ou armazenamento de chaves privadas de redes conectadas à internet. As informações só transitam por meios offline controlados. A chave privada é uma sequência secreta de números que controla seus ativos—semelhante ao PIN do cartão bancário, mas, se vazada, permite acesso direto aos seus fundos.
No air-gapping, o dispositivo responsável por gerar e assinar as chaves nunca se conecta à internet. Um outro dispositivo, conectado, é usado para visualizar saldos, montar e transmitir transações. Assim, as “ações de movimentação de fundos” permanecem no ambiente offline, enquanto as “ações que exigem internet” são feitas em dispositivos sem acesso às chaves privadas, reduzindo consideravelmente a superfície de ataque.
No universo Web3, o air-gapping protege chaves privadas e reduz riscos de phishing, malware ou ataques remotos que possam causar perdas de ativos. Esse método é especialmente útil para holders de longo prazo, custodiantes institucionais, tesourarias de DAOs ou quem armazena NFTs valiosos.
Por exemplo, uma hardware wallet pode funcionar como dispositivo air-gapped, gerando e assinando chaves offline. Um computador ou smartphone conectado à internet serve apenas para consultar dados da blockchain e transmitir transações. Traders frequentes costumam usar hot wallets para contas de menor valor e reservar o cold storage air-gapped para o patrimônio principal, implementando gestão de risco em camadas.
O air-gapping garante que a etapa crítica de “assinatura” ocorra só em um dispositivo offline. A transferência de dados é feita por QR codes, cartões microSD ou papel. A assinatura offline se assemelha a assinar um cheque em uma sala segura antes de entregá-lo no banco para processamento.
O fluxo típico é: um dispositivo online monta o rascunho da transação, que é transferido via QR code ou arquivo para o dispositivo offline; o dispositivo offline verifica o endereço do destinatário e o valor antes de assinar; o resultado assinado retorna via QR code ou cartão de memória ao dispositivo online para transmissão. Em todo esse processo, o dispositivo offline nunca se conecta à internet, minimizando o risco de ataques remotos.
O uso de uma carteira air-gapped segue etapas bem definidas:
Etapa 1: Gere a frase mnemônica e a chave privada em um dispositivo offline. A mnemônica—sequência de palavras para recuperação—deve ser anotada e guardada em papel.
Etapa 2: No dispositivo offline, derive um endereço de recebimento e transfira-o via QR code ou papel para o dispositivo online, criando uma carteira “somente visualização” para monitorar saldos e recebimentos.
Etapa 3: Para transferir fundos, crie o rascunho da transação no dispositivo online com endereço e valor do destinatário; transfira esse rascunho ao dispositivo offline via QR code ou arquivo.
Etapa 4: Confira cuidadosamente o endereço e o valor no dispositivo offline antes de assinar. Assinar offline é autorizar a transação em um dispositivo sem conexão à rede.
Etapa 5: Transfira o resultado assinado de volta para o dispositivo online usando QR code ou arquivo e transmita a transação.
Etapa 6: Na primeira transferência, faça uma transação de teste com valor baixo para garantir que o processo funciona antes de enviar montantes maiores.
Air-gapping e cold wallets são próximos, mas não equivalentes. A cold wallet é voltada para armazenamento de longo prazo, sem conexão à internet ou uso frequente; já o air-gapping enfatiza a separação física do dispositivo de assinatura do acesso à rede.
Muitas cold wallets usam air-gapping. Porém, alguns dispositivos permitem assinatura via USB ou Bluetooth, o que reduz o isolamento. O air-gapping estrito prioriza transferências por QR code, fotos ou cartões de memória—garantindo que dispositivos com chaves privadas nunca se conectem diretamente a outros.
O air-gapping pode ser integrado de forma segura aos fluxos de saque e depósito da Gate:
Etapa 1 (Saque para sua carteira): Gere o endereço de recebimento no dispositivo air-gapped e transfira-o via QR code para o computador. Na página de saque da Gate, selecione a rede, cole o endereço e faça um saque de teste. Após confirmação on-chain, realize saques maiores.
Etapa 2 (Depósito da sua carteira para a Gate): Na página de depósito da Gate, obtenha seu endereço de depósito. Crie o rascunho da transação no dispositivo online com endereço e valor, transfira para o dispositivo offline para assinatura. Depois, retorne ao dispositivo online, transmita e acompanhe o status do depósito na Gate.
Etapa 3: Ative a whitelist de endereços de saque e recursos de segurança da Gate (senha de fundos, autenticação em dois fatores). Assim, mesmo que o dispositivo online seja comprometido, o risco é minimizado.
Observação: Tempos de confirmação e taxas variam conforme a blockchain. Sempre confira rede e endereço antes de transferir ativos para evitar perdas irreversíveis.
O air-gapping reduz riscos de ataques via rede, mas não é infalível. Os principais riscos são:
Um erro comum é presumir que “offline” significa “segurança absoluta”. Phishing, endereços falsos ou apps maliciosos ainda podem causar perdas. Mantenha o hábito de conferir endereços, checar prompts de assinatura e usar limites em camadas.
O air-gapping pode ser combinado a outras estratégias para fortalecer a segurança:
Em 2024, as melhores práticas de segurança combinam air-gapping com multiassinatura, whitelists e separação de papéis para cobrir diferentes vetores de risco.
O essencial do air-gapping é gerar e assinar chaves apenas offline, usando dispositivos conectados à rede só para consulta e transmissão. Na prática: adquira dispositivos de fontes confiáveis; gere mnemônicos offline com backup seguro; transfira dados via QR code ou cartão de memória; adote o hábito de testar transações e conferir dígito a dígito; ative whitelists e recursos de segurança na Gate. Combinar air-gapping, multiassinatura e limites escalonados reforça a segurança do patrimônio sem perder praticidade.
Cada uma tem suas vantagens. Carteiras air-gapped evitam ataques remotos por isolamento físico da rede—são econômicas, mas exigem operações manuais. Hardware wallets guardam chaves privadas em chips dedicados, facilitando o uso, mas exigem maior investimento inicial. Iniciantes podem começar com air-gapped para aprender; conforme o patrimônio cresce, vale migrar para hardware wallet. O uso combinado oferece máxima segurança.
Se o dispositivo permanecer totalmente offline e nunca se conectar a nenhum hardware em rede, não há risco de roubo remoto das chaves. Mas é preciso garantir: o dispositivo está livre de malware; o ambiente físico é seguro; e ele não foi conectado a redes inseguras antes do isolamento. O ideal é usar um dispositivo novo e dedicado e checar regularmente sua integridade.
Esse é um risco central do air-gapping. A recuperação depende de haver backup da frase mnemônica ou chave privada: com backup seguro, é possível restaurar os ativos em novo dispositivo; sem backup, a perda é definitiva. Sempre anote a mnemônica à mão ao criar a carteira e guarde em local seguro—verifique periodicamente a integridade do backup.
O QR code apenas codifica dados como endereços; escanear é seguro. O risco está em conferir se o conteúdo do QR code corresponde ao endereço pretendido e se o dispositivo leitor está livre de malware. Sempre confira alguns dígitos do início e fim dos endereços nos dois dispositivos antes de transferir fundos.
O ideal é fazer uma revisão completa a cada 3 a 6 meses. Inclua verificação de hardware, atualização de firmware, checagem de backups e teste de importação de chaves. Para grandes patrimônios, recomenda-se checagem mensal para máxima segurança.


