A Meta começou a notificar funcionários em Singapura em 20 de maio sobre um layoff global que afeta aproximadamente 8.000 cargos, enquanto a empresa se reestrutura para reduzir custos e direcionar recursos ao desenvolvimento de inteligência artificial. Trabalhadores em vários países deveriam receber os avisos de demissão em seus fusos horários locais, e os funcionários foram orientados a trabalhar de casa durante o processo de notificação. A reestruturação reflete a guinada estratégica mais ampla da Meta em direção à IA, com a empresa, ao mesmo tempo, movendo cerca de 7.000 funcionários para novas equipes focadas em IA, segundo um memorando interno de 18 de maio.
Escopo e impacto dos cortes
As equipes de engenharia e de produto enfrentam o impacto mais pesado do layoff. No fim de março, a Meta empregava pouco menos de 80.000 pessoas no mundo todo. A movimentação simultânea de 7.000 funcionários para novas equipes de IA sinaliza uma realocação significativa de força de trabalho, e não apenas uma medida de redução de custos, indicando o compromisso da Meta em ampliar as capacidades de IA por toda a organização.
Investimento em IA e gastos de capital
Apesar dos cortes, a Meta planeja gastar mais de US$ 100 bilhões em investimentos de capital voltados à IA em 2026. Esse patamar coloca a intensidade de capital da Meta em níveis notavelmente mais altos do que a de outras grandes empresas de tecnologia. De acordo com análise da MoffettNathanson, a relação capex-receita da Meta deve atingir 47% no próximo ano, contra 29% da Microsoft, 26% do Alphabet e 16% da Amazon.
A disparidade nas proporções de gastos reflete diferenças estruturais nos modelos de negócios. Ao contrário do Alphabet, Microsoft e Amazon — que operam negócios de nuvem que geram receita direta com investimentos em infraestrutura de IA — a Meta não tem fontes de receita comparáveis provenientes de seus gastos com IA. Isso levantou preocupações de investidores sobre retorno sobre investimento. As ações da Meta caíram 7% após as orientações de aumento de gastos de capital da empresa, enquanto as ações do Alphabet subiram 7% depois de anunciar aumentos de capex.
Reestruturação da força de trabalho e estratégia de produto
A movimentação de 7.000 funcionários para novas equipes de IA representa uma mudança significativa nas prioridades de pessoal alinhadas ao desenvolvimento de IA, e não mais uma rodada de reduções gerais. Essa reestruturação já está mostrando efeitos no desempenho dos produtos da Meta, com maior engajamento e crescimento de receita reportados em produtos, incluindo Instagram Reels.
O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, descreveu mudanças duradouras na forma como as equipes de produto operam. Segundo Zuckerberg, a IA agora permite que “uma ou duas pessoas” construam produtos em uma semana que “antes levariam dezenas de pessoas por meses” para desenvolver. No entanto, quando questionado sobre como os substanciais gastos com IA gerariam retornos, Zuckerberg afirmou: “Não acho que tenhamos um plano muito preciso sobre exatamente como cada produto vai escalar ou qualquer coisa assim”, reconhecendo a incerteza sobre os caminhos de monetização dos investimentos em IA da empresa.