
A empresa de tecnologia publicitária The Trade Desk (TTD) voltou a despencar fortemente na quarta-feira após divulgar os resultados do 1T de 2026, com a queda acumulada no ano superando 40% e com recuo de 85% em relação ao pico registrado no fim de 2024. No 1T, a receita foi de US$ 689 milhões, alta de 12% ano a ano. A empresa estimou que a receita do 2T deve ser de pelo menos US$ 750 milhões, abaixo da expectativa do mercado, o que implica que o ritmo de crescimento do 2T pode cair ainda mais para cerca de 8%.
A queda do ritmo de crescimento em três etapas é o principal motor do colapso da confiança do mercado:
Crescimento da receita do 1T 2025 (ano a ano): 25% (fixa a expectativa de alto crescimento)
Crescimento da receita do 1T 2026 (ano a ano): 12% (US$ 689 milhões, desaceleração evidente)
Guia do 2T 2026: pelo menos US$ 750 milhões, com crescimento implícito de cerca de 8%
EPS ajustado do 1T 2026: US$ 0,28 (abaixo da estimativa dos analistas, US$ 0,32)
Queda da ação no acumulado do ano: mais de 40%
Queda em relação ao pico do fim de 2024: cerca de 85%
A curva de queda 25% → 12% → 8% projetado atinge diretamente a premissa central dos investidores de que a The Trade Desk manterá um crescimento elevado.
A The Trade Desk é a plataforma independente mais representativa no campo de publicidade programática, ajudando marcas e agenciadores a comprarem anúncios direcionados por canais abertos como sites, televisão conectada (CTV), aplicativos móveis e áudio. Em 2025, a receita anual já chegou a cerca de US$ 2,9 bilhões. Ainda assim, a preocupação do mercado com o futuro se concentra em três frentes:
Concorrência direta da Amazon: a Amazon, com o Prime Video, dados robustos de compras no e-commerce e um ecossistema publicitário fechado próprio, representa uma ameaça direta ao principal motor de crescimento da The Trade Desk — a publicidade em TV conectada. Quanto mais os anunciantes passam a preferir plataformas que integrem mídia, dados e mensuração de resultados em um único ecossistema, maior o risco.
Problemas de confiança com agenciadores: o desgaste nas relações com agenciadores foi listado pelo mercado como outro risco-chave, abalando ainda mais a confiança do público na “muralha” comercial (vantagem competitiva) da The Trade Desk.
Impacto no valuation com crescimento indo para dígitos simples: quando o crescimento se aproxima de cerca de 8%, a premissa da história que sustenta um valuation com prêmio começa a ceder, levando o mercado a recalibrar a precificação do valuation como um todo.
A The Trade Desk sustenta seu prêmio de mercado há muito tempo com a ideia de “plataforma independente insubstituível em publicidade programática”. Mas, quando o crescimento se aproxima de dígitos simples, a dúvida central dos investidores deixa de ser “o quanto ela ainda pode crescer?” e passa a ser “ela consegue resistir à concorrência da Amazon, à pressão dos agenciadores e à fraqueza nos gastos publicitários, preservando sua participação atual?”
De uma história de crescimento ofensivo para uma narrativa de posição defensiva contra a concorrência: essa mudança de narrativa é um dos motores mais profundos da reavaliação contínua das ações, e também ajuda a explicar por que um ligeiro desapontamento no balanço trimestral provocou uma reação tão intensa do mercado.
A The Trade Desk opera uma plataforma de compra de anúncios programáticos (DSP), permitindo que marcas e agenciadores automatizem a compra de publicidade direcionada ao longo de canais abertos da internet (sites, televisão conectada, aplicativos móveis, podcasts etc.). Em 2025, a receita anual foi de cerca de US$ 2,9 bilhões, tornando-se uma das maiores plataformas independentes no ecossistema de publicidade de internet aberta.
A Amazon integra o inventário de mídia do Prime Video, dados de comportamento de compras no e-commerce e a mensuração de desempenho publicitário dentro do mesmo ecossistema fechado, permitindo que anunciantes acompanhem de “ver o anúncio” até “concluir a compra” em uma jornada ponta a ponta, sem precisar depender da The Trade Desk como roteadora entre plataformas. Isso atinge diretamente a proposta de valor central da The Trade Desk no mercado de anúncios em CTV.
Um crescimento de 8% não é suficiente para caracterizar a The Trade Desk como uma empresa madura, mas já sinaliza que ela saiu da fase de expansão acelerada para um caminho de desaceleração. A questão-chave é: a tendência de queda contínua do crescimento consegue estabilizar nos próximos trimestres e a empresa consegue reconstruir a confiança do mercado em suas vantagens competitivas de longo prazo — esses dois pontos é que vão determinar se a ação conseguirá encontrar sustentação nos níveis atuais.
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