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Acabei de perceber que estamos a observar algo bastante sem precedentes na relação do bitcoin com as ações. Durante quase seis meses consecutivos — desde início de outubro — o bitcoin tem vindo a ficar consistentemente atrás do S&P 500. Essa é a maior sequência de subdesempenho já registada. Tipo, nunca aconteceu antes.
Para colocar números nisso: o preço do bitcoin em USD caiu cerca de 22% no primeiro trimestre de 2026, após uma queda de 25% no final de 2025. Entretanto, o S&P 500 não caiu quase tanto, o que abriu uma diferença de desempenho bastante grande. O que é interessante não é só o quão grande é essa diferença, mas quanto tempo ela durou. As quedas anteriores foram mais acentuadas, mas mais curtas. Isto parece diferente.
Mark Connors, da Risk Dimensions, tem investigado isto, e faz um ponto sólido — a duração em si é a história. O bitcoin devia ser uma proteção ou uma alternativa, mas este período está a levantar questões sobre se ele está a comportar-se mais como uma operação de risco normal.
Aqui é que março fica interessante, porém. No início do mês, a escalada do Irã afetou fortemente os mercados. O petróleo disparou, o dólar moveu-se, e a volatilidade aumentou em todos os setores. O ouro — o clássico refúgio seguro — caiu 11% durante o mês devido a chamadas de margem e vendas forçadas. Mas o bitcoin? Basicamente manteve-se estável, com um aumento de cerca de 1% em março. Ele aguentou-se mesmo.
Connors atribui essa resiliência em parte a uma desleveragem anterior que já tinha eliminado muitas posições excessivamente alavancadas. A capacidade do bitcoin de mover-se rapidamente através das fronteiras provavelmente também ajudou — menos liquidação forçada em comparação com ativos físicos.
Olhando para o futuro, a configuração é interessante. Dados de 63 dias em rotação mostram que o bitcoin tem vindo a ficar atrás das ações desde outubro, o que, historicamente, tende a preceder reversões. Se esse padrão se mantiver, podemos estar numa fase em que a fraqueza relativa eventualmente se transforma em procura renovada, especialmente à medida que as pressões macro em torno da dívida e da expansão monetária continuam a aumentar.
Mas o timing? Essa é a variável imprevisível. Connors basicamente disse que pode ser dois meses ou dois anos — depende de como evolui a situação geopolítica e o que acontece com os mercados de energia. A trajetória do conflito no Irã e os seus efeitos em liquidez e apetite ao risco global serão provavelmente o principal fator a acompanhar.
O preço atual do bitcoin em USD está por volta de $72.19K, com um ganho de cerca de 8% nos últimos 7 dias. Vale a pena acompanhar como isto se desenrola. Se o padrão histórico se mantiver e as pressões geopolíticas se suavizarem, podemos ver essa diferença de subdesempenho a começar a diminuir bastante rápido. Pode ser uma situação de mola comprimida.