O Governo do Paquistão propôs oficialmente realizar a segunda ronda de negociações face a face entre os EUA e o Irão em Islamabad. Segundo a agência Associated Press (AP), o vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que as negociações “de facto registaram algum progresso”, e que a aproximação rápida do prazo de cessar-fogo a 21 de abril está a impor uma enorme pressão de tempo a ambas as partes.
Questões pendentes da primeira ronda de negociações
A primeira ronda de negociações EUA-Irão, realizada em Islamabad, não conseguiu chegar a qualquer acordo concreto, tendo a questão nuclear sido o maior ponto de divergência. Ainda assim, ambas as partes concordaram em manter os canais de diálogo, e o papel do Paquistão como intermediário mereceu o reconhecimento de ambos os lados.
Após o fim das negociações, Vance declarou à comunicação social: “Há de facto possibilidade de se conseguir um grande acordo aqui, mas cabe aos iranianos dar o próximo passo.” (texto original: “There really is a grand deal to be had here, but it’s up to the Iranians to take the next step.”)
Sinais de otimismo de Trump
O presidente dos EUA, Trump, também demonstrou uma atitude positiva relativamente às perspetivas das negociações, revelando aos jornalistas: “Recebemos um telefonema do outro lado; eles querem negociar um acordo.” (texto original: “we’ve been called by the other side, they want to work a deal.”) Esta declaração contrasta de forma subtil com a posição anterior mais firme dos EUA, levando o público a interpretar que o governo de Trump está disposto a manter espaço para a diplomacia, ao mesmo tempo que exerce pressão militar.
No entanto, analistas apontam que as declarações públicas otimistas de Trump e Vance também podem ter como objetivo criar no país a sensação de que há progressos nas negociações, de modo a aliviar a pressão causada pelo aumento acelerado dos preços da energia devido ao bloqueio no Estreito de Hormuz e às pressões económicas internas.
O significado-chave do prazo de cessar-fogo de 21 de abril
Atualmente, o acordo provisório de cessar-fogo entre os EUA e o Irão expira a 21 de abril, havendo apenas menos de uma semana. Se as duas partes não conseguirem chegar a um novo quadro de acordo antes do prazo, ou não concordarem em prorrogar o cessar-fogo, as ações militares poderão voltar a intensificar-se, altura em que os mercados globais de energia e os mercados financeiros enfrentarão mais um choque.
A segunda ronda de negociações face a face proposta pelo Paquistão está justamente inserida neste apertado período de tempo, como um esforço diplomático. Segundo informações, o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz, falou separadamente com altos responsáveis de ambos os lados, empenhando-se ativamente na mediação.
A reação do mercado tende para o lado positivo
Após surgirem notícias sobre a retoma das negociações, a reação do mercado financeiro foi positiva. As principais bolsas dos EUA subiram ligeiramente, enquanto o preço do petróleo internacional recuou, refletindo a expetativa do mercado por uma solução diplomática. Ainda assim, a maioria dos operadores mantém cautela, considerando que continua a ser muito difícil chegar a um acordo substancial antes do prazo do cessar-fogo.
No que toca ao mercado das criptomoedas, qualquer alívio da tensão geopolítica ajuda a melhorar o apetite geral pelo risco. Se a segunda ronda de negociações conseguir registar avanços decisivos, o sentimento do mercado pode melhorar de forma evidente; caso contrário, uma rutura do cessar-fogo intensificará o sentimento de procura de refúgio, colocando pressão sobre ativos de risco, incluindo o bitcoin.
Este artigo, “O Paquistão propõe a segunda ronda de negociações EUA-Irão; Vance diz ‘há progresso’; o prazo do cessar-fogo a 4/21 está a aproximar-se”, surgiu pela primeira vez em Cadeia de Notícias ABMedia.
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