Marathon Digital regista prejuízo de 1,7 mil milhões $, ações sobem 15 %: mudança na mineração ao estabelecer parceria com a Starwood Capital

Mercados
Atualizado: 2026-02-27 05:41

26 de fevereiro de 2026, a empresa de mineração de Bitcoin cotada nos EUA, MARA Holdings, divulgou um relatório de resultados desconcertante: o preço do Bitcoin caiu cerca de 30% durante o trimestre, resultando numa imparidade de 1,5 mil milhões e num prejuízo líquido impressionante de 1,7 mil milhões. Contudo, juntamente com o anúncio dos resultados, a MARA revelou um plano de parceria para um centro de dados de IA que fez as suas ações dispararem mais de 15% após o fecho. Afinal, o que é que o mercado está a comprar? Enquanto barómetro do sector cripto, o Bitcoin (BTC) tem estado sob escrutínio apertado nos últimos tempos. Segundo os dados de mercado da Gate, a 27 de fevereiro de 2026, o preço do BTC está nos 67 435 $, com um volume de negociação de 24 horas de 1,16 B, uma capitalização de mercado de 1,31 T e uma dominância de mercado de 55,37%. Neste contexto, a mudança estratégica da MARA pode estar a traçar um novo caminho de sobrevivência para toda a indústria de mineração.

Prejuízo de 1,7 mil milhões vs. subida de 15%: Relatório de resultados da MARA—Uma narrativa de gelo e fogo

A 26 de fevereiro (hora de Nova Iorque), a MARA Holdings apresentou os resultados financeiros do quarto trimestre de 2025. A empresa reportou receitas trimestrais de 202,3 milhões, uma queda de 6% face ao ano anterior. O prejuízo líquido atingiu 1,7 mil milhões, em contraste com um lucro líquido de 528,3 milhões no mesmo período do ano anterior. O principal fator para o prejuízo foi a alteração do valor justo dos ativos digitais: com a queda de cerca de 30% do preço do Bitcoin no quarto trimestre, a MARA registou uma imparidade de 1,5 mil milhões.

Juntamente com o relatório, a MARA anunciou uma parceria estratégica. A empresa irá formar uma joint venture com a Starwood Digital Ventures, a plataforma de infraestruturas digitais do grupo Starwood Capital, com o objetivo de atualizar e expandir alguns dos seus centros de mineração de Bitcoin nos EUA para centros de dados de nova geração, servindo empresas, fornecedores de cloud hyperscale e clientes de IA. A plataforma deverá suportar cerca de 1 gigawatt (GW) de capacidade IT na fase inicial, com potencial para escalar além dos 2,5 GW.

Apesar dos resultados financeiros fracos, os mercados de capitais reagiram de forma positiva ao plano de transformação. Após o anúncio, as ações da MARA subiram mais de 16% nas negociações após o fecho, terminando com uma valorização superior a 15%.

De mineradora a potência de IA: Cronologia da transformação da MARA

  • Agosto de 2025: A MARA manteve uma produção estável de mineração, com 208 blocos de Bitcoin extraídos nesse mês. O hashrate aumentou para 59,4 EH/s e a empresa optou por acumular, em vez de vender, as suas reservas de Bitcoin. Nesta fase, expandir as reservas de Bitcoin continuava a ser a estratégia central da MARA.
  • Q4 2025: Apesar de o hashrate energizado da MARA ter subido 25% face ao ano anterior, para 66,4 EH/s, a produção de mineração diminuiu. A empresa extraiu apenas 2 011 Bitcoins no trimestre, abaixo dos 2 144 do terceiro trimestre; o total de blocos extraídos caiu 15% face ao ano anterior, para 595. Isto evidencia uma eficiência de mineração decrescente, à medida que a dificuldade da rede aumenta mais rápido do que o hashrate da MARA.
  • Final de 2025: A queda de cerca de 30% no preço do Bitcoin durante o trimestre reduziu drasticamente o valor dos ativos digitais da MARA. A empresa detinha 53 822 Bitcoins, avaliados em aproximadamente 4,7 mil milhões (com base nos preços do final do trimestre), com cerca de 28% (15 315 BTC) emprestados ou usados como colateral, gerando 32,1 milhões de rendimento de juros em 2025.
  • 26 de fevereiro de 2026: A MARA publicou os resultados do quarto trimestre e anunciou oficialmente a joint venture para centro de dados de IA com a Starwood Capital. O CEO Fred Thiel classificou 2026 como um "ponto de viragem" para a empresa, na sua carta aos acionistas.

Porque é que o crescimento do hashrate não evitou prejuízos: Análise do enigma financeiro da MARA

Factos:

  • Divergência entre hashrate e produção: O hashrate da MARA no quarto trimestre cresceu 25% face ao ano anterior, mas a produção de Bitcoin diminuiu. Os custos unitários de mineração dispararam, com o custo energético por Bitcoin a saltar de 31 608 $ no ano passado para 48 611 $.
  • Mudança na estrutura de ativos: No final do ano, mais de um quarto das reservas de Bitcoin da MARA estavam envolvidas em operações financeiras (empréstimos ou colateral), indicando a aposta da empresa em gerar fluxo de caixa a partir dos ativos digitais, em vez de simplesmente os manter em balanço.
  • Ajuste na estratégia de financiamento: O quarto trimestre marcou o primeiro desde 2022 em que a MARA não utilizou o plano de emissão de ações "at-the-market" (ATM). Parte dos fundos operacionais foi obtida através da venda de Bitcoin, refletindo um esforço deliberado para evitar diluir os acionistas existentes numa fase de valor de mercado deprimido.

Perspetivas:

Os analistas de mercado consideram que os mineradores tradicionais enfrentam um dilema de "tesoura": por um lado, após o halving, as recompensas por bloco diminuem e a concorrência na rede intensifica-se, elevando os custos de mineração; por outro, a elevada volatilidade do preço do Bitcoin expõe os mineradores ao risco de imparidade dos ativos. Os analistas do JPMorgan já tinham referido que 2025 seria um ano decisivo para mudanças estratégicas, favorecendo empresas com custos mais baixos e receitas diversificadas.

Especulação:

Os dados estruturais sugerem que a aposta da MARA na IA não é uma decisão impulsiva, mas sim um movimento lógico que aproveita os recursos existentes (capacidade energética, instalações, know-how de gestão de energia). À medida que os retornos marginais da mineração diminuem, arrendar energia e infraestruturas a clientes de IA, dispostos a pagar mais pela capacidade de computação, faz sentido comercial.

Porque é que o mercado está a apostar? Perspetivas sobre a narrativa de IA da MARA

Perspetiva dominante 1: A transformação é inevitável face à rivalidade no setor da mineração

Os defensores argumentam que o halving do Bitcoin continua a pressionar as margens dos mineradores, tornando insustentável a mineração pura para avaliações elevadas. A MARA detém várias instalações com elevada capacidade energética, altamente valiosas para empresas de IA e cloud que procuram expandir infraestruturas de computação. Ao associar-se à Starwood para capital e expertise operacional, a MARA pode transformar a mineração de baixo valor em arrendamento de computação de IA de elevado valor, melhorando a rentabilidade a longo prazo.

Perspetiva dominante 2: Os investidores apostam no futuro da computação de IA

A valorização das ações indica que os investidores não se deixam intimidar pelo prejuízo de 1,7 mil milhões, encarando-o como um "evento contabilístico pontual". O foco do mercado está no potencial da plataforma conjunta para superar os 2,5 GW de capacidade IT. Se concretizado, a avaliação da MARA deixará de ser "beta do preço do Bitcoin" para passar a ser "alfa da infraestrutura de computação de IA".

Controvérsia: Será apenas uma moda conceptual?

Os mais cautelosos salientam a enorme distância técnica, operacional e comercial entre gerir uma mina de Bitcoin e um centro de dados de IA comercial. Embora a Starwood tenha vasta experiência em investimento imobiliário, é novata no arrendamento de computação de IA. A capacidade da joint venture para atrair grandes clientes tecnológicos permanece incerta.

Aposta na IA: força real ou novo artifício? Análise da lógica subjacente da MARA

Do ponto de vista factual: O prejuízo de 1,7 mil milhões foi causado sobretudo por um ajustamento de valor justo de 1,5 mil milhões nos ativos digitais—uma imparidade não monetária, que não afeta o fluxo de caixa ou a capacidade operacional. O acordo de joint venture com a Starwood está assinado, com um plano inicial claro para 1 GW de capacidade, tornando esta parceria mais do que simples "conversa de PowerPoint".

Do ponto de vista estratégico: A gestão passou a definir a MARA como uma "empresa de energia e infraestruturas digitais", posicionando a mineração de Bitcoin como uma "base flexível". Esta narrativa visa convencer o mercado de que a mineração deixou de ser o único negócio central, passando a ser um estabilizador de fluxos de caixa e ferramenta de equilíbrio energético, com o crescimento futuro a vir da computação de IA de maior valor.

Especulação e risco: A maior incógnita é se a MARA conseguirá realmente transpor o fosso entre setores. A mineração de Bitcoin privilegia energia de baixo custo e rápida implementação, enquanto os centros de dados de IA exigem elevados padrões de latência de rede, eficiência de arrefecimento e personalização para clientes. As competências necessárias para um "operador de mineração" e um "operador de IDC" são muito distintas. A participação da Starwood traz capital e experiência de desenvolvimento, mas os resultados na captação de clientes só se verão com o tempo.

MARA como caso de estudo: repensar a lógica de avaliação da mineração cripto

A aposta da MARA pode desencadear uma nova onda de diferenciação no setor da mineração de criptomoedas:

  • Revisão do modelo de avaliação: Se a mudança da MARA se revelar sustentável, os mineradores poderão deixar de ser avaliados apenas pelas reservas de Bitcoin e hashrate. Capacidade energética, localização das instalações e sinergia com a computação de IA poderão tornar-se novos critérios de avaliação.
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  • Mudança nos fluxos de capital: O ciclo tradicional de dependência de rallies do Bitcoin e financiamento por ações poderá ser interrompido. Mais mineradores poderão seguir o exemplo da MARA, separando ativos e associando-se a fundos de infraestruturas ou investidores tecnológicos para desenvolver negócios de computação diversificados.
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  • Reavaliação do valor dos ativos energéticos: Antes criticados por "desperdiçar energia", os recursos energéticos excedentários dos mineradores poderão transformar-se em ativos escassos de nós de computação de alto desempenho próximos de centros urbanos, à medida que cresce a procura por IA. Instalações de mineração com ligação à rede e potencial de atualização rápida poderão ver o valor subjacente dos seus ativos aumentar.

Três possíveis cenários para a MARA nos próximos três anos

Cenário 1: Transformação bem-sucedida (probabilidade 30%)

Em 12–24 meses, a MARA e a Starwood atraem um ou dois clientes de cloud hyperscale ou IA, lançando os primeiros centros de dados de IA e gerando receitas estáveis. O mercado reclassifica a MARA como um ativo de "IA + infraestruturas energéticas", alterando a sua avaliação e impulsionando ganhos sustentados nas ações. Outros mineradores com recursos semelhantes poderão seguir o exemplo.

Cenário 2: Dupla via (probabilidade 50%)

A construção dos centros de dados de IA fica aquém das expectativas e a captação de clientes estagna, mas o mercado do Bitcoin entra num novo ciclo de alta. A subida dos preços do Bitcoin mascara as dores de curto prazo da transformação e a mineração volta a ser rentável. A MARA mantém a base de mineração enquanto avança lentamente nas iniciativas de IA; as ações continuam fortemente dependentes das oscilações do preço do Bitcoin.

Cenário 3: Transformação estagnada (probabilidade 20%)

A construção dos centros de dados de IA enfrenta obstáculos técnicos, derrapagens de custos ou falhas na captação de clientes, enquanto o Bitcoin permanece apático. O fluxo de caixa da mineração deteriora-se e a MARA vacila estrategicamente, dispersando recursos e tendo um desempenho fraco em ambas as linhas de negócio. O excesso de capex e pressão da dívida poderá forçar financiamentos descontados, penalizando as ações.

Conclusão

O relatório de resultados da MARA—1,7 mil milhões de prejuízo, mas ações em alta—marca uma redefinição narrativa para as tradicionais "ações conceito Bitcoin". Com o halving e a volatilidade dos preços a pressionar margens, depender apenas da valorização do Bitcoin torna-se cada vez menos viável. Ao associar-se à Starwood Capital, a MARA procura provar que os mineradores detêm não só ativos digitais, mas também o "bilhete energético" para o futuro da computação de IA.

O facto é que a empresa continua a dar prejuízo. A visão dominante é que o mercado acredita na lógica da transformação. A especulação centra-se na execução ao longo dos próximos dois anos. Para investidores que acompanham o ecossistema cripto, os próximos passos da MARA poderão ser a melhor lente para observar a transição da mineração de "intensiva em trabalho" para "intensiva em capital e tecnologia". O futuro do preço do Bitcoin continuará a ditar o ritmo e profundidade desta transformação. Os investidores podem acompanhar atualizações em tempo real sobre o Bitcoin e o mercado cripto através da Gate, garantindo que não perdem nenhum ponto de viragem crítico.

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