

Os ativos financeiros digitais (DFAs) representam uma nova geração de instrumentos financeiros, existindo exclusivamente em formato digital. A sua emissão e custódia baseiam-se na tecnologia blockchain, garantindo elevada segurança e total transparência em todas as operações.
Essencialmente, os DFAs assemelham-se a instrumentos financeiros conhecidos, como ações, obrigações ou títulos de dívida. A diferença crucial é que os DFAs existem apenas de forma eletrónica, sem suporte físico, tornando-os mais flexíveis, acessíveis e eficientes na gestão e transferência de direitos de propriedade.
As principais características dos ativos financeiros digitais são:
Formato digital. Toda a contabilidade e as transações de DFAs realizam-se de forma digital, o que assegura elevada rapidez nas operações e custos operacionais mais baixos face aos instrumentos financeiros tradicionais.
Integração com blockchain. A tecnologia blockchain sustenta a operação dos DFAs, garantindo a imutabilidade dos registos, proteção face a acessos não autorizados e eliminando riscos de falsificação ou fraude. Cada transação é registada num livro-razão distribuído, tornando todo o histórico transparente e auditável.
Regulação legal. Na Rússia, os DFAs têm um enquadramento jurídico próprio, que define o seu estatuto legal, assegura legitimidade e protege os direitos dos investidores. Este ambiente legal apoia o desenvolvimento do mercado de ativos financeiros digitais.
Formas diversificadas. Os DFAs apresentam múltiplas variantes, incluindo obrigações digitais (equivalente digital de obrigações), ações digitais, direitos digitais híbridos e outros derivados, o que permite responder a diferentes necessidades financeiras.
Os ativos financeiros digitais agrupam-se em várias categorias principais, cada uma com caraterísticas e aplicações próprias:
| Tipo de DFA | Descrição |
|---|---|
| Obrigações digitais | Equivalentes digitais de instrumentos de dívida tradicionais. Os termos sobre capital e juros são definidos num smart contract, permitindo execução automática sem intermediários. |
| Direitos digitais híbridos | Unem caraterísticas de DFAs com direitos digitais de utilidade. O detentor pode receber um ativo físico ou compensação financeira, tornando-os ferramentas versáteis para diferentes modelos de negócio. |
| DFAs representativos de participação no capital | Ações digitais numa sociedade anónima privada. Conferem direitos a dividendos, participação na governação societária e parte dos ativos em caso de liquidação da empresa. |
| Outros DFAs | Incluem instrumentos como o exercício de direitos sobre valores mobiliários emitidos, reivindicações de transferência de valores mobiliários e outras soluções financeiras especializadas. |
Os DFAs abrangem direitos digitais, incluindo créditos monetários, direitos sobre valores mobiliários emitidos, direitos de participação em empresas privadas e outros instrumentos financeiros. Os registos de DFAs são mantidos em sistemas blockchain especializados, assegurando transparência e fiabilidade das operações.
Os DFAs podem ainda representar versões tokenizadas de ativos tradicionais, permitindo propriedade fracionada e ampliando o acesso dos investidores. Isto abre caminho à democratização dos mercados financeiros e à atração de novo capital.
Os ativos financeiros digitais resolvem vários problemas centrais dos sistemas financeiros tradicionais:
| Problema | Solução |
|---|---|
| Falta de transparência e riscos de segurança | A blockchain torna todas as operações com DFAs totalmente transparentes e invioláveis. O registo distribuído garante a imutabilidade dos dados, eliminando manipulações. |
| Transações lentas e dispendiosas | As transações com DFAs são bastante mais rápidas e acessíveis do que na finança tradicional, eliminando múltiplos intermediários. |
| Dependência de intermediários e execução manual | Smart contracts automatizam a execução dos negócios, eliminando intermediários, reduzindo erros humanos e acelerando processos. |
| Acesso restrito a oportunidades de investimento | Os DFAs reduzem barreiras de entrada e permitem propriedade fracionada, tornando os mercados financeiros acessíveis a mais participantes. |
| Gestão e contabilidade de ativos complexa | Os sistemas digitais de DFAs simplificam a gestão de portefólio, com monitorização rigorosa e em tempo real de todas as operações. |
Embora DFAs e criptomoedas recorram ambos à tecnologia blockchain, distinguem-se em aspetos fundamentais:
DFAs são direitos digitais regulados, normalmente ligados a ativos reais ou obrigações, emitidos sob enquadramento legal e sujeitos a supervisão. Podem representar propriedade, dívida ou direitos de pagamento.
Criptomoedas são moedas digitais descentralizadas, geralmente sem ligação a ativos reais nem supervisão governamental. Funcionam como meio de troca ou reserva de valor, mas não conferem direitos sobre ativos ou pagamentos específicos.
Resumindo, os DFAs são instrumentos regulados e estruturados, enquanto as criptomoedas permanecem descentralizadas e fora do âmbito do controlo estatal.
Como qualquer instrumento financeiro, os ativos financeiros digitais apresentam vantagens e limitações:
| Vantagens dos DFAs | Desvantagens dos DFAs |
|---|---|
| Elevada segurança nas operações graças à criptografia e blockchain. | Adoção restrita nas fases iniciais e menor confiança de investidores conservadores. |
| Transações automáticas via smart contracts, reduzindo risco e acelerando processos. | Exigências legais e regulatórias exigentes. |
| Capacidade de financiamento e emissão de ativos a custos inferiores aos tradicionais. | Necessidade de infraestrutura técnica especializada e equipa qualificada. |
| Transações mais rápidas e simples pela eliminação de intermediários. | Liquidez limitada, sobretudo para ativos recentes ou menos conhecidos. |
| Redução de erros e fraude pela transparência e automação da blockchain. | Possibilidade de alteração do estatuto legal e mudanças regulatórias futuras. |
| Gestão mais eficiente dos ativos através de plataformas digitais. | Dependência da segurança e estabilidade das plataformas digitais. |
| Acesso global e novos perfis de investidores. | Elevada volatilidade de preços, principalmente em mercados emergentes. |
| Diversificação, graças a novos tipos de ativos. | Desafios para investidores sem conhecimentos tecnológicos. |
| Transparência em todas as operações, por via do registo público distribuído. | Dificuldade em determinar o valor justo dos ativos. |
| Termos flexíveis e instrumentos personalizáveis. | Riscos de cibersegurança e ataques informáticos às plataformas digitais. |
Na Rússia, os DFAs são regulados pela Lei Federal n.º 259-FZ, de 31 de julho de 2020, “Sobre Ativos Financeiros Digitais, Moeda Digital e Alterações Legislativas da Federação Russa”.
Esta lei regula:
A lei define também o conceito de “moeda digital” e limita a sua utilização. O objetivo é garantir um mercado de DFAs seguro e transparente, sob supervisão do Estado.
O artigo 128.º do Código Civil russo classifica os DFAs como direitos de propriedade. Este estatuto legal é importante, pois permite:
O reconhecimento dos DFAs como direitos de propriedade oferece uma base legal sólida para o crescimento do mercado e proteção dos investidores.
O mercado russo de ativos financeiros digitais está em expansão. Nos últimos anos, verificou-se um aumento expressivo das emissões de DFAs. Especialistas estimam que o mercado possa atingir várias centenas de mil milhões de rublos.
Os principais fatores de crescimento são:
O desenvolvimento futuro dependerá do contexto económico, políticas regulatórias e preparação dos intervenientes para adotar novas tecnologias.
Apenas entidades russas inscritas no registo oficial de operadores de sistemas de informação (ISOs) podem atuar como operadores de DFAs. O Banco Central da Rússia gere este registo e supervisiona estas atividades.
Os operadores de DFA desempenham funções essenciais:
Emissão de DFAs. Criam a infraestrutura técnica para emissão de DFAs e registam direitos de propriedade no sistema de informação.
Gestão de registos de DFAs. Mantêm o registo de titulares e documentam todas as transferências e ónus.
Gestão de acessos. Realizam a identificação dos utilizadores e concedem acesso às funcionalidades do sistema.
Interligação com autoridades. Prestam informações a reguladores e garantem o cumprimento dos requisitos legais.
Segurança. Asseguram a proteção da informação e previnem acessos não autorizados.
Para operar, as organizações têm de cumprir exigências rigorosas do Banco Central em matéria de capital, infraestruturas e qualificações profissionais.
O mercado russo de DFAs cresce rapidamente, com projetos de grande escala já concretizados:
Exemplo n.º 1. A Atomize lançou o primeiro DFA garantido por metais preciosos, oferecendo uma alternativa de investimento e demonstrando as vantagens dos ativos digitais regulados face às criptomoedas não reguladas.
Exemplo n.º 2. O Alfa-Bank emitiu DFAs garantidos apenas por créditos monetários, testando um novo modelo de financiamento e avaliando o interesse dos investidores. A emissão comprovou a viabilidade das obrigações digitais.
Exemplo n.º 3. O marketplace Ozon realizou uma grande emissão de DFAs, diversificando fontes de financiamento e aplicando uma estratégia inovadora de finanças empresariais. O sucesso confirmou a maturidade do mercado para grandes operações de DFAs.
Estes exemplos demonstram a expansão do uso dos DFAs em diferentes setores e o seu potencial para múltiplas aplicações financeiras.
A aquisição de ativos financeiros digitais cumpre várias etapas:
Escolher um operador de sistema de informação. Consulte o registo oficial do Banco da Rússia, avalie reputação, termos de serviço e ativos disponíveis.
Registar-se na plataforma. Abra conta na plataforma ou app do operador. Forneça os dados de contacto e defina uma palavra-passe segura.
Concluir a identificação. Faça prova de identidade mediante envio de documentos e procedimentos KYC, incluindo uploads ou identificação por vídeo.
Escolher o DFA para investir. Analise ativos disponíveis, condições de emissão, rendibilidade e riscos e selecione o DFA adequado aos seus objetivos.
Assinar o contrato. Utilize a assinatura eletrónica (qualificada ou não) para celebrar o contrato de aquisição. Leia atentamente todas as condições.
Pagar. Efetue o pagamento na plataforma do operador pelo método de preferência (transferência bancária, sistema de pagamentos, etc.).
Receber os DFAs. Após a transação e pagamento, os DFAs são creditados na sua carteira digital. Receberá confirmação e poderá acompanhar os ativos na sua área pessoal.
Os DFAs são guardados em carteiras digitais fornecidas pelos operadores de sistema. Estas contas seguras registam os direitos de propriedade dos DFAs.
Principais caraterísticas:
Segurança criptográfica. Proteção avançada e autenticação multifator.
Backups de dados. Cópias de segurança regulares para prevenir perdas.
Salvaguarda legal. A titularidade dos DFAs é protegida legalmente, cabendo ao operador manter o registo.
Gestão intuitiva. A área pessoal permite consultar ativos, operar e monitorizar resultados em qualquer altura.
Ao contrário das carteiras de criptomoedas, em que o utilizador gere as chaves privadas, a segurança dos DFAs é gerida pelo operador, reduzindo o risco de perda de acesso.
O mercado secundário é essencial para a liquidez dos DFAs. Permite comprar e vender DFAs após a emissão inicial.
Pontos-chave:
Liquidez. O mercado secundário permite saída antecipada dos investidores, aumentando o interesse em DFAs.
Formação de preços. Os preços refletem oferta e procura, assegurando valorização de mercado adequada.
Plataformas de negociação. Os operadores podem disponibilizar negociação secundária integrada ou ligação a plataformas externas.
Regulação. A negociação secundária deve respeitar a legislação aplicável.
Oportunidades. Investidores ativos podem recorrer ao mercado secundário para tirar partido das variações de preço.
O crescimento do mercado secundário é decisivo para o setor, trazendo flexibilidade e gestão de carteiras aos investidores.
A emissão de DFAs obedece a vários passos essenciais:
Registar-se junto de um operador. Escolha um operador no registo oficial e formalize o registo como emitente, fornecendo toda a documentação e abrindo conta de emitente.
Preparar documentação e definir condições. Reúna toda a documentação, incluindo:
Definir parâmetros do smart contract. Em colaboração com o operador, estabeleça termos relativos a direitos e obrigações, fluxos de pagamento, condições de resgate, entre outros.
Emitir DFAs. Submeta o pedido e documentação, confirme com assinatura eletrónica. O operador avalia e regista a emissão.
Atrair investidores. Disponibilize o DFA na plataforma do operador ou em outros canais. Forneça toda a informação relevante.
Colocar os ativos no mercado. Com capital suficiente, os ativos são emitidos e distribuídos. Os investidores recebem DFAs e o emitente os fundos.
Cumprir obrigações. Durante a vigência do DFA, assegure os pagamentos e divulgações exigidas aos titulares.
A negociação de DFAs consiste na compra e venda ativa destes ativos digitais para beneficiar das oscilações de preço. É adequada a investidores que procuram novas oportunidades e aceitam maior risco.
Pontos essenciais:
Volatilidade. O mercado de DFAs pode ser muito volátil, sobretudo nas fases iniciais, criando oportunidades para traders ativos.
Estratégias. Podem ir do day trading e swing trading ao investimento de longo prazo, consoante perfil e objetivos.
Análise de mercado. O sucesso exige análise fundamental e técnica, atenção à atualidade e compreensão dos fatores que influenciam preços.
Liquidez. A liquidez dos ativos deve ser considerada, pois ativos ilíquidos dificultam o encerramento de posições.
Gestão de risco. Utilize sempre ferramentas como stop-loss e não invista mais do que pode perder.
Fiscalidade. Considere a tributação da negociação de DFAs e reporte os rendimentos conforme a lei.
Apesar do potencial, os ativos financeiros digitais suscitam críticas de participantes e especialistas.
Principais preocupações:
Ceticismo quanto à viabilidade. Alguns duvidam que os DFAs consigam competir com instrumentos tradicionais ou substituir criptomoedas estabelecidas.
Situação financeira dos operadores. Alguns operadores apresentam perdas, levantando dúvidas sobre a viabilidade do negócio e a qualidade do serviço.
Dificuldade de acesso. O processo de aquisição de DFAs pode ser mais complexo do que o esperado, criando barreiras para novos investidores.
Oferta limitada. A variedade de DFAs é reduzida, podendo afastar investidores que procuram diversificação.
Riscos regulatórios. A incerteza legislativa futura pode afetar a atratividade dos DFAs.
Concorrência das criptomoedas. Tentar posicionar os DFAs como alternativa às criptomoedas gera ceticismo, pois servem públicos e objetivos diferentes.
Muitos destes desafios são típicos em instrumentos financeiros emergentes. Com a evolução do mercado e infraestrutura, a maioria das limitações deverá ser superada.
Os DFAs são ativos financeiros digitais, baseados em blockchain e smart contracts. Permitem investir e negociar com transparência, executando operações de forma automática através de smart contracts.
Incluem criptomoedas, tokens, stablecoins, smart contracts e instrumentos de finanças descentralizadas (DeFi). Cada um tem um papel específico no ecossistema blockchain.
Compre DFAs em plataformas bancárias ou bolsas especializadas. Guarde-os em carteiras seguras, com palavras-passe robustas e autenticação de dois fatores. A tecnologia blockchain garante a segurança dos ativos.
Incluem incumprimento do emitente, perdas por volatilidade dos preços e incerteza regulatória. Analise bem a saúde financeira do emitente antes de investir.
Os DFAs são instrumentos digitais regulados, enquanto as criptomoedas não têm, muitas vezes, estatuto legal. Ao contrário dos ativos tradicionais, os DFAs usam blockchain para garantir transparência e segurança.
Na Rússia, os DFAs são classificados como valores mobiliários eletrónicos, podendo ser vendidos, dados como garantia ou trocados, mas não têm curso legal. Noutros países, o estatuto varia e está em rápida evolução.
Os rendimentos de DFAs são sujeitos a tributação de 13%. Pode deduzir os custos de aquisição ao rendimento. O valor tributável é a diferença entre rendimento e custo de aquisição.
As plataformas mais fiáveis são grandes instituições financeiras com experiência em ativos digitais e corretagem. Consulte a licença, volume negociado e reputação antes de escolher.
O mercado de DFAs deverá crescer com o lançamento de novos produtos cripto e indexados. Preveem-se mais regulações, sobretudo fiscais. Os principais desafios são a liquidez e a transparência na avaliação do risco dos emitentes.











