Todos estão a despedir-se para passar o inverno, por que é que apenas a Tether está a comprar loucamente imóveis, terrenos e ouro?

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Escrito por: JW, Techub News

O início de 2026 foi mais frio do que o previsto. Pensávamos que, após um longo período de queda, a primavera estaria ao alcance, mas a realidade foi uma súbita «febre de primavera» que pegou todos de surpresa.

É como se você estivesse no Twitter elogiando as grandes promessas dos «Builders», e ao virar a cabeça, vê-los secretamente mudando o status para «Open to work» no LinkedIn.

Recentemente, todos viram as notícias: Jack Dorsey, fundador da Block e cofundador do Twitter, aquele entusiasta do Bitcoin de sobrancelhas grossas e olhar penetrante, também não aguentou. Segundo a Bloomberg, a Block (antiga Square) iniciou um plano de cortes de 10% do seu quadro de funcionários. Mesmo sendo uma gigante de pagamentos, mesmo tendo o Cash App, uma verdadeira máquina de imprimir dinheiro, para aumentar a «eficiência», eles precisam cortar custos à força.

Como está o setor agora? Exchanges cortando pessoal por questões regulatórias, plataformas de NFT reduzindo equipe por falta de volume, projetos de GameFi se dissolvendo após o token zerar. Isso não é apenas um inverno para o setor de criptomoedas, mas uma «desintoxicação» global na indústria de tecnologia.

Porém, nesse mar de despedidas, há uma exceção: uma entidade que não só não está cortando, como está contratando loucamente e até «distribuindo dinheiro» de forma agressiva.

Sim, é a Tether.

Aquela que já foi vigiada pela SEC, multada pelo procurador-geral de Nova York, e alvo de anos de rumores de que iria «explodir». Segundo a Cointelegraph, eles planejam expandir sua equipe para 450 funcionários.

Você pode rir: 450 pessoas? A Binance, mesmo após cortes, ainda tem milhares, a Coinbase também. Mas o que importa é a produtividade. A Tether, com esses poucos centenas de funcionários, gerencia mais de mil bilhões de dólares em ativos, e recentemente começou a investir em 140 projetos tradicionais.

Enquanto todos lutam na arena de mercado Web3, Tether já transferiu silenciosamente seus lucros para o Web2, e até para o «velho mundo» mais tradicional.

Neste artigo, vamos explorar qual é o jogo que a Tether, essa «superbanco central» disfarçada de Web3, está jogando.

Os negócios mais lucrativos nunca precisam de muitas pessoas

Primeiro, precisamos admitir uma verdade que desespera todos os empreendedores de Web3: a Tether faz um dos negócios mais rentáveis do setor, e do mundo.

Enquanto vocês ainda estão aí sofrendo para escrever código, fazer operações, distribuir airdrops e se proteger de hackers, a Tether faz uma coisa só: receber dólares, emitir USDT, e usar esses dólares para comprar títulos do Tesouro dos EUA.

Durante esses anos de altas taxas do Federal Reserve, a Tether praticamente está deitada numa montanha de ouro. Não precisa criar algoritmos complexos de liquidez como a Uniswap, nem manter uma vasta rede de nós como a Ethereum. Seu modelo de negócio é tão simples que chega a ser assustador: ganhar juros — o chamado «imposto de cunhagem».

Essa é a razão de terem poucos funcionários. Porque imprimir dinheiro não exige uma grande equipe.

Mas aí vem a pergunta: o que fazer com o dinheiro ganho?

Na última alta do mercado, a maioria dos projetos de Web3 (e até algumas exchanges de topo) gastou seus lucros de formas variadas: ostentação, compra de mansões, patrocínio de estádios (lembremos do FTX Arena), ou reinvestimento em ativos de baixa qualidade, numa espiral de crescimento que só termina quando a maré recua e revela quem estava nadando nu.

Porém, a alta liderança da Tether, especialmente após Paolo Ardoino assumir como CEO, revelou uma mentalidade extremamente conservadora — uma «mentalidade de dinheiro antigo».

A Tether não reinveste seus lucros em ativos de alto risco (ou investe muito pouco nisso), mas age como um fundo soberano, operando com consciência clara. Eles sabem que a vantagem do USDT não está na tecnologia (emitir tokens ERC-20 é fácil), mas na credibilidade e na resistência a riscos.

O mercado de stablecoins, à primeira vista, é uma disputa tecnológica, mas, na essência, é uma competição de confiança. Quem consegue pagar em momentos de crise extrema? Quem resiste às tempestades regulatórias? Quem não é pressionado por «black swans»? Essas são as verdadeiras barreiras. A Tether, ao longo dos anos, passou por inúmeras «sentenças de morte», e cada uma delas foi desmentida por resgates reais e reemissões. Sua credibilidade não vem de auditorias, mas de testes de estresse sob pressão, que a fortalecem. Essa seleção brutal do mercado é uma forma de respaldo.

Se você analisar os relatórios financeiros e notícias dos últimos dois anos, verá que a Tether está em uma verdadeira «transição de virtual para real».

Dinheiro ganho, não gasto à toa

Os dados mais recentes são de tirar o fôlego. Segundo o banco de investimentos Jefferies, até janeiro de 2026, as reservas de ouro da Tether ultrapassaram 23 bilhões de dólares. Isso equivale a 148 toneladas de ouro físico, colocando-os entre os 30 maiores detentores de ouro do mundo.

Você pensa que eles estão competindo com os gigantes do mercado cripto? Não, eles estão competindo com países.

A reserva de ouro da Tether já supera a de países como Austrália, Emirados Árabes e Qatar. Em apenas alguns meses, de final de 2025 a janeiro de 2026, compraram 32 toneladas de ouro — só perdem na velocidade de aquisição para Polônia e Brasil, os maiores bancos centrais do mundo.

Essa é uma jogada de alta visão na gestão de riscos da Tether.

Todos estão preocupados com o declínio da hegemonia do dólar e com a liquidez dos títulos do Tesouro dos EUA. Como emissor de uma stablecoin lastreada em dólar, a Tether funciona como um banco paralelo ao dólar. Se o dólar tiver uma crise, o USDT também ficará doente.

Para se proteger desse maior risco sistêmico, a Tether escolheu o único ativo de valor real na história: o ouro. Enquanto outras stablecoins ainda discutem a «comprovação de reserva de 100% em dólares», a Tether já trocou sua reserva por ouro. Isso significa que, mesmo que amanhã o Departamento do Tesouro dos EUA tenha problemas ou o sistema de crédito do dólar colapse, a Tether ainda terá 148 toneladas de ouro.

Ela não é apenas uma emissora de tokens, é uma espécie de «Fed digital» com vantagens.

Essa mudança na composição de ativos altera o perfil de risco da Tether. Antes, a maior dúvida era sobre a qualidade dos ativos em dólares; agora, a questão é: qual é a composição de seus ativos? Quando uma stablecoin começa a se comportar como um banco central, investindo em ouro e diversificando seus ativos, seu papel se desloca. Ela deixa de ser apenas uma ferramenta de liquidez na blockchain e passa a ser um ator invisível no sistema financeiro real.

Ao mesmo tempo, explica por que a narrativa da Tether vem se afastando do «ideal cripto» e reforçando a «segurança patrimonial» e a «estabilidade de longo prazo». Em um setor de rápidas mudanças de narrativa, ela escolheu ficar do lado do tempo. Na alta, todos são inovadores; na baixa, só o balanço fala mais alto. A Tether transformou os lucros da alta em uma certeza na baixa.

140 projetos, de neurotecnologia a fazendas de diversão

Se acumular ouro é uma estratégia defensiva, investir em 140 projetos tradicionais é uma ofensiva total da Tether.

Ao analisar seu portfólio de investimentos, parece uma bagunça, mas, na verdade, é assustador. Eles não investem apenas em ativos, mas em «itens essenciais» para o futuro da humanidade.

Diferente de outros fundos cripto, que preferem tokens e protocolos, a Tether distribui seus lucros em setores como computação, energia, agricultura e saúde, construindo um império de recursos:

Primeiro, monopolizar a computação e energia, tornando-se o «arrendador» na era da IA. Nos últimos dois anos, investiram pesadamente em infraestrutura de mineração, usando energia geotérmica no Uruguai e El Salvador, além de investir na Northern Data, entrando no mercado de aluguel de poder de processamento para IA. A lógica é clara: mesmo que a narrativa Web3 esfrie, a demanda por computação e energia para IA será uma necessidade nos próximos dez anos. Com USDT e GPUs, a Tether está se tornando uma fornecedora fundamental de infraestrutura digital.

Segundo, apostar em biotecnologia para diversificar riscos. Pouco conhecido, eles investiram na empresa de interfaces cérebro-máquina Blackrock Neurotech. Para o venture capital tradicional, isso é uma aposta no próximo grande salto; para a Tether, é transformar lucros «sanguíneos» de stablecoins em capital tecnológico que beneficia a humanidade. Isso melhora sua reputação e amplia sua diversificação de ativos, rompendo ciclos financeiros tradicionais.

Terceiro, investir em agricultura e terras, retornando às raízes de proteção. A Tether começou a comprar terras e investir na agricultura moderna. Parece pouco glamoroso, mas é uma estratégia sólida: quando a bolha digital estourar, alimentos e terras serão as moedas duras. Essa lógica de alocação é uma espécie de «sobrevivência apocalíptica».

Além disso, investem em sistemas de pagamento na Geórgia, patrocinam clubes de futebol europeus, e buscam penetrar o mercado offline. Tudo indica que a Tether quer fazer do USDT algo tão comum quanto água e eletricidade, infiltrando-se nas veias do mundo real.

A filosofia de sobrevivência «Web2» da Tether

Voltando à questão inicial: por que a Block está cortando pessoal e a Tether está contratando?

Porque a Block ainda joga o «jogo de crescimento» do Web2. Quando o crescimento desacelera, é preciso cortar custos e aumentar eficiência. Já a Tether joga o «jogo de recursos».

A expansão da Tether não visa criar DApps mais avançados ou Layer 3. Os 450 funcionários provavelmente não estão escrevendo Solidity, mas cuidando de conformidade, relações governamentais, gestão de ativos e geopolítica. Essa é a razão de ela resistir a múltiplos ciclos de alta e baixa, superando concorrentes.

Eles são extremamente «Web2» e até «tradicionalistas». No mercado de criptomoedas, cheio de ilusões e bolhas, a Tether atua como um grande operador, recebendo os dólares mais sólidos, e depois saindo do cassino para comprar prédios, terras, barras de ouro e usinas de energia. Quando outros perderem tudo ou forem perseguidos por regulações, a Tether estará lá, observando de uma torre ao lado, com um café na mão.

Essa é uma estratégia de racionalidade extrema, até um pouco fria. Muitos criticam a Tether por sua opacidade, por ser uma caixa preta. Mas, do ponto de vista estratégico, é admirável o trabalho de Ardoino e sua equipe. Eles não se deixaram levar pelas grandes narrativas do Web3. Sabem que, para sobreviver, o cripto precisa se tornar parte do mundo real — como água e eletricidade. Então, ao ver cortes na Block e retrações em várias instituições, não se deixe levar só pela ansiedade. Observe o que a Tether está fazendo.

Ela ensina uma lição simples: é fácil decolar na crista do sucesso, mas o difícil é, quando o vento para, ter raízes firmes no chão. A Tether segurou ouro, computação e terras.

Talvez essa seja a verdadeira forma final de uma empresa Web3: usar tecnologia descentralizada para obter lucros extraordinários, e, de forma centralizada, controlar os meios de produção do mundo real.

Parece um cenário cyberpunk, ou até distópico, mas talvez seja a própria realidade.

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