A mineração de Bitcoin já não é mais controlada pelas empresas privadas. Os governos estão a intervir de forma discreta. Com base nas informações divulgadas pela VanEck, vários Estados-nação tornaram-se participantes diretos na mineração de Bitcoin. Esta tendência indica uma mudança na regulação passiva para uma participação ativa.
Em primeiro lugar, há questões de economia de energia. A mineração é considerada um meio eficaz de monetizar países que possuem excedentes de energia hidroelétrica, geotérmica ou eletricidade ociosa. Em segundo lugar, a mineração de Bitcoin permite aos governos construir reservas digitais estratégicas sem precisar adquirir esses ativos nos mercados abertos. Por isso, a mineração oferece benefícios económicos e geopolíticos.
Mais importante ainda, a mineração de Bitcoin começa a assemelhar-se mais a uma infraestrutura do que a uma especulação. Os governos não precisarão depender de pools de mineração estrangeiros, pois apoiam a taxa de hash doméstica. Isto aumenta a resiliência da rede e proporciona maior visibilidade do sistema aos Estados.
Isto acabará por redefinir a interseção entre soberania e objetos digitais. Numa entrevista recente à imprensa, Matthew Sigel destacou que a participação soberana é um sinal de confiança na estabilidade do Bitcoin a longo prazo. Os governos não estão a responder às flutuações de preço, mas a tentar projetar emissões previsíveis e conversão de energia. Esta atitude é o oposto do comportamento de negociação a curto prazo dos retalhistas.
Embora a volatilidade dos preços seja a notícia principal, o efeito está noutro lugar. A mineração patrocinada pelo Estado controla o aumento da taxa de hash e reduz o término abrupto dos mineiros. Como resultado, o modelo de segurança do Bitcoin aumenta. Este suporte estrutural é mais importante do que as velas de curto prazo num gráfico. Estes desenvolvimentos, quando combinados, representam uma nova fase de adoção. Os governos já não colocam questões sobre se o Bitcoin sobreviverá ou não. Antes, estão a integrar-se no sistema. Isto é semelhante às tendências anteriores, em que a infraestrutura da internet foi adotada pelos Estados de forma antecipada, sem uma regulamentação total.
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