As ações japonesas e o iene estão a mover-se de uma forma que acontece raramente. Uma relação de longa data entre a moeda e as ações acabou de inverter-se. Essa mudança pode importar muito mais do que uma recuperação de curto prazo.
Alex Mason, conhecido na X como @AlexMasonCrypto, apontou que a correlação entre o iene japonês e o índice de ações Topix tornou-se positiva pela primeira vez desde 2005. Esse detalhe pode parecer técnico à primeira vista. Ele altera a forma como os fluxos de capital se comportam dentro de uma das maiores economias do mundo.
Historicamente, o Japão seguiu um padrão simples. Um iene mais fraco costuma apoiar as ações japonesas. Um iene mais forte geralmente pressiona as ações. Essa relação sustenta a estrutura do carry trade, onde os investidores tomam emprestado em ienes e aplicam capital em ativos de risco.
O gráfico anexo ilustra isso claramente. Ele acompanha a correlação móvel de 1 ano entre o índice Topix do Japão e a taxa de câmbio JPYUSD de 1995 até início de 2026. A maior parte do gráfico fica abaixo de zero, o que indica correlação negativa. Isso significa que o iene cai e as ações sobem, ou o iene sobe e as ações caem.
A parte direita do gráfico mostra uma forte subida acima de zero, entrando em território positivo, por volta de fevereiro de 2026. A anotação diz “JPY up, Topix up.” Isso marca um momento raro em que tanto a moeda quanto as ações sobem juntas. Esse tipo de correlação não apareceu desde meados dos anos 2000.
Alex Mason explica que, nos últimos 12 meses, o iene fortaleceu cerca de 1% face ao dólar. Durante o mesmo período, as ações japonesas subiram aproximadamente 38%. Ambos a subir juntos quebra a dinâmica típica do carry trade.
Quando uma moeda se fortalece junto com as ações domésticas, isso muitas vezes sinaliza entradas de capital direto. Os investidores não estão apenas a procurar uma moeda barata. Eles estão a alocar-se no próprio mercado de ações. Mason argumenta que esse padrão tende a aparecer durante mercados de alta estruturais, e não em negociações de curto prazo.
Paralelos históricos reforçam essa visão. O Japão, de 1982 a 1990, viu a força da moeda e os ganhos das ações alinharem-se durante sua fase de expansão principal. A Alemanha na metade dos anos 80 e a China no início dos anos 2000 exibiram condições semelhantes durante ciclos sustentados de alta.
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O Japão desempenha um papel central na liquidez global. Uma mudança de regime no comportamento do mercado de ações e da moeda japonesa pode gerar repercussões. A valorização das ações domésticas, combinada com um iene mais forte, pode alterar a alocação de risco na Ásia e além.
Alex Mason observa que essas mudanças de correlação são raras e significativas. Ele enfatiza que, quando o FX e as ações sobem juntos, o capital global pode estar a escolher o mercado como destino, e não apenas como fonte de financiamento.