- Um especialista em Web3 afirmou que o Brasil demonstra por que razão é uma má ideia dar ao banco central o controlo sobre a regulamentação das criptomoedas.
O Brasil está entre os maiores utilizadores de criptomoedas a nível mundial. Foi também uma das primeiras jurisdições a integrar os activos digitais no seu quadro regulatório.
No entanto, Helena Margarido, oradora TEDx por duas vezes e estratega de blockchain, destacou como o país cometeu um “erro estratégico” ao entregar as rédeas da supervisão das criptomoedas ao Banco Central do Brasil (BCB), o banco central do país.
Um Banco Central Não Deve Ter Controlo Sobre as Regras das Criptomoedas
Margarido disse que o Brasil mostrou ao mundo a razão pela qual um banco central, como o BCB, não tem negócios a tratar da regulamentação das criptomoedas. Considerou a Lei n.º 14,478/2022, também conhecida como Lei Brasileira de Activos Virtuais (BVAL), um grande “erro estratégico” para o sector dos activos digitais do país. O que fez bem, no entanto, foi criar uma definição legal para as criptomoedas.
ANÚNCIOA especialista em Web3 defendeu, “As criptomoedas não são um produto bancário.” Assim, atribuir ao BCB, uma instituição mandatada para proteger, acima de tudo, o real brasileiro, anula por completo o propósito das criptomoedas, que assenta na descentralização e na liberdade financeira.
Margarido admitiu que a medida permitiu uma adesão rigorosa dos utilizadores de criptomoedas às normas fiscais. Por outro lado, salientou que compromete a privacidade e a anonimato. O pior é que tornou a autonomia financeira condicionada, ao dar ao Estado o poder de apreender activos em criptomoedas a entidades que se recusem a seguir as suas regras ou que concorram com o real.
A estratega de blockchain afirmou que o acesso imediato do banco central às bolsas de custódia de criptomoedas está a empurrar utilizadores sofisticados para a auto-custódia e alternativas descentralizadas. Assim, previu que não vai demorar até que os reguladores imponham também mais restrições às carteiras self-hosted. Sublinhou que o Brasil já está a caminhar nesse sentido.
ANÚNCIO## Prender Criptomoedas e Stablecoins no Controlo do Estado
Margarido explicou que o real tem historicamente estado entre as moedas mais voláteis nos mercados emergentes. Como resultado, os brasileiros recorreram a criptomoedas e stablecoins atreladas ao dólar norte-americano para proteger o seu património. Na prática, isso tornou a penetração das criptomoedas orgânica no Brasil, convertendo-se na principal razão para o seu ranking consistentemente elevado na adopção global de criptomoedas.
De facto, o Brasil consolidou a sua posição como o quinto maior hub mundial de criptomoedas no Chainalysis 2025 Global Crypto Adoption Index Top 20. Margarido apontou que a jurisdição movimentou um montante estimado de 318,8 mil milhões de dólares em criptomoedas entre meados de 2024 e meados de 2025, com cerca de 18% a 19% dos brasileiros já a deterem criptomoedas.
Mas, ainda assim, Margarido acredita que a BVAL foi o prego final para a inovação em criptomoedas no Brasil. Ao dar ao banco central as chaves da sua regulamentação, o país ficou, na prática, “numa abordagem de governação das criptomoedas centrada primeiro no sistema financeiro”, que filtrou inovações que considerou uma força perturbadora no uso do real e na política monetária do banco central.
No geral, garantiu que as criptomoedas permanecem sob supervisão e controlo do Estado, reduzindo a natureza apartidária, anti-censura e peer-to-peer que levou milhões de brasileiros a estas classes de activos, em primeiro lugar.
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