A Bloomberg escolheu a fintech sul-africana Omnisient para a lista «African Startups to Watch in 2026», reconhecendo o trabalho da empresa na ajuda a bancos e seguradoras para avaliarem pessoas excluídas de serviços financeiros acessíveis devido à ausência de historiais de crédito tradicionais. O reconhecimento destaca a forma como a Omnisient utiliza dados alternativos de comportamento do consumidor, como padrões de compras em supermercados, para avaliar a capacidade creditícia. A exclusão financeira continua a ser um desafio generalizado em África, onde milhões de pessoas ganham e gastam de forma responsável, mas permanecem invisíveis para os modelos tradicionais de avaliação de crédito, que se baseiam em historiais formais.
Tecnologia e metodologia
A plataforma da Omnisient permite que instituições financeiras acedam a dados alternativos de comportamento do consumidor provenientes de retalhistas, empresas de telecomunicações e outras entidades, sem exigir partilha direta de dados brutos dos clientes. As organizações colaboram num ambiente seguro e que preserva a privacidade, em que os dados anonimizados são analisados com analytics integrados, ferramentas de inteligência artificial e modelos preditivos. A plataforma transforma sinais comportamentais do dia a dia, incluindo padrões de compras em supermercados, em informação que os mutuantes podem usar quando os dados tradicionais dos bureaus de crédito são insuficientes.
Resultados do piloto na África do Sul
Na África do Sul, a plataforma da Omnisient foi utilizada por bancos de referência e por um grande retalhista de produtos alimentares para testar se o comportamento de compras pode ajudar a prever o risco de crédito. O piloto avaliou mais de 8 milhões de consumidores que antes não podiam ser pontuados, com 3,2 milhões de pessoas a qualificarem-se para crédito que teriam sido recusadas devido à falta de histórico de crédito. Os modelos construídos com base no comportamento de compras melhoraram a capacidade de prever a recuperação do empréstimo em 41%. Um banco participante estimou um aumento de 29% nas receitas de crédito com a metodologia de avaliação melhorada.
“O que o reconhecimento da Bloomberg capta é o potencial no mundo real dos dados alternativos quando são usados com segurança”, afirmou Jon Jacobson, CEO e cofundador da Omnisient. “Um cesto de compras pode dizer algo significativo sobre o comportamento financeiro de uma pessoa. O desafio está em permitir que os bancos utilizem essa informação sem comprometer a privacidade dos consumidores ou pedir aos retalhistas que partilhem dados brutos dos clientes.”
Contexto da empresa e reconhecimento
A Omnisient foi fundada na África do Sul em 2019 por Jon Jacobson e Anton Grutzmacher e, atualmente, opera a nível internacional. A empresa foi uma das 25 selecionadas para a lista «African Startups to Watch» da Bloomberg, de 2026. A África do Sul, a Nigéria e o Quénia lideraram em conjunto a lista, com quatro empresas cada. As empresas sul-africanas nomeadas foram Omnisient, Amesect, AURA e Jem.
A empresa foi selecionada pelo Fórum Económico Mundial como Technology Pioneer, foi nomeada vencedora do «Next Big Things in Tech» da Fast Company para Social Good, foi selecionada para o TechCrunch Startup Battlefield 200 e foi reconhecida pelo Financial Times como uma das empresas de crescimento mais rápido em África.
Financiamento e expansão
A Omnisient conta com o apoio da agência global de avaliação de crédito ao consumidor TransUnion, da empresa de investimento Arise e da Shoprite Holdings, a maior cadeia de supermercados de África. Em 2025, a Omnisient anunciou uma ronda de financiamento Series A de 12,5 milhões de dólares para apoiar a sua expansão internacional, incluindo para os Estados Unidos, onde os mutuantes procuram métodos seguros em termos de privacidade para avaliar consumidores com «thin file» e consumidores invisíveis para o crédito.
“A inclusão financeira não é apenas um desafio africano”, disse Jacobson. “Em todos os mercados, há pessoas excluídas porque os dados usados para as avaliar são incompletos. Melhores dados podem mudar isso, mas apenas se forem usados de uma forma que proteja a privacidade, preserve a confiança e mantenha as organizações no controlo dos dados dos seus clientes.”
Jacobson afirmou que o reconhecimento da Bloomberg reflecte uma mudança mais ampla na tecnologia africana. “A África teve de construir para a inclusão desde o início”, disse. “Isso está a produzir tecnologia prática, resiliente e relevante a nível global. Acreditamos que a colaboração de dados com preservação de privacidade se tornará infraestrutura crítica para os serviços financeiros e para a IA, porque permite que as organizações usem dados melhores sem expor as pessoas por detrás deles.”