A NYSE quer levar a blockchain para Wall Street sem quebrar o sistema existente

A Bolsa de Nova Iorque (NYSE) está focada em integrar a tecnologia blockchain na infraestrutura de mercado existente, em vez de substituí-la, de acordo com o diretor de produtos, Jon Herrick.

A bolsa está “esforçando-se por interoperabilidade” e “construindo sobre o que já existe”, enquanto explora como os ativos tokenizados poderiam funcionar dentro dos sistemas atuais, disse Herrick.

Essa abordagem reflete uma postura mais ampla sobre a evolução do mercado. “É preciso estar atento às boas características do mercado que se desenvolveu até agora... é esse equilíbrio entre as duas coisas”, afirmou na quinta-feira, no Digital Asset Summit, em Nova Iorque, referindo-se à necessidade de preservar elementos como regulamentação, sistemas de compensação e proteção aos investidores.

Em vez de encarar a blockchain como uma substituição às finanças tradicionais, Herrick descreveu um modelo onde ambos os sistemas se fundem. “Na verdade, não se trata de um lado estar mais certo do que o outro... [eles] devem, acho, eventualmente, se unir.”

Seus comentários surgem enquanto bolsas, gestores de ativos e bancos testam a tokenização, que permite que ativos como ações e fundos sejam representados em sistemas blockchain. Os defensores argumentam que o modelo poderia possibilitar liquidações mais rápidas, negociações 24 horas por dia e acesso mais amplo aos mercados globais.

A NYSE está explorando alguns desses usos, incluindo liquidação em tempo real ou quase em tempo real e horários de negociação estendidos. A Intercontinental Exchange (ICE), empresa-mãe da NYSE, investiu estrategicamente no início deste mês na corretora de criptomoedas OKX. A ICE irá licenciar os preços de criptomoedas à vista da OKX para produtos futuros de criptomoedas, enquanto a OKX oferecerá futuros da ICE e ações tokenizadas aos seus clientes nos EUA.

No entanto, Herrick alertou que os sistemas existentes oferecem eficiências que podem não ser facilmente substituídas. A compensação centralizada, por exemplo, ajuda a reduzir riscos ao consolidar transações entre participantes do mercado.

Ainda assim, com o tempo, a distinção entre ativos tradicionais e tokenizados pode desaparecer. “Talvez daqui a 10 anos, se uma ação é tokenizada ou não, não deva importar”, afirmou.

Por ora, a estratégia da bolsa sugere um caminho mais lento e incremental, introduzindo a tecnologia blockchain gradualmente no sistema financeiro existente, em vez de reformá-lo de uma só vez.

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