
O Wall Street Journal, a 21 de maio, citando fontes próximas, relata que o criador do ChatGPT, a OpenAI, planeia, já a 22 de maio, submeter em segredo ao regulador norte-americano da bolsa, a SEC, um rascunho de IPO, com o objetivo de concluir o processo de listagem pública em setembro de 2026; a Goldman Sachs e a Morgan Stanley atuam como subscritores conjuntos e estão a ajudar a preparar os documentos do prospeto.
Detalhes do IPO da OpenAI já confirmados: calendário, subscritores e dados de avaliação
Com base na confirmação das fontes citadas pelo WSJ, os elementos do plano de IPO já divulgados são os seguintes: os subscritores são a Goldman Sachs e a Morgan Stanley (ambas instituições de referência); a submissão secreta do rascunho (confidential filing) deverá ficar concluída, o mais tardar, a 22 de maio de 2026 (sexta-feira); o objetivo para a listagem pública é setembro de 2026; a orientação de avaliação pré-IPO é consistente com a avaliação no mercado secundário de 906 mil milhões de dólares.
A OpenAI tem atualmente uma captação acumulada de cerca de 180 mil milhões de dólares, tendo concluído a mais recente ronda de financiamento com uma avaliação de 852 mil milhões de dólares. As transações de ações privadas na Forge Markets mostram um crescimento de 120% no último ano, refletindo uma forte procura das ações da OpenAI por parte de investidores institucionais e retalhistas. Nota-se, porém, que o WSJ confirma também que a CFO Sarah Friar já afirmou que a preparação para a entrada em bolsa poderá necessitar de mais tempo, sugerindo que, no seio da gestão da OpenAI, existem opiniões divergentes quanto ao calendário do IPO.
Desfecho do caso de 150 mil milhões de dólares de Musk: conclusões legais confirmadas por um júri da Califórnia
Um júri da Califórnia decidiu, por unanimidade, a 18 de maio de 2026, rejeitar uma ação de Musk contra a OpenAI, o CEO Sam Altman e o cofundador Greg Brockman, relativa a um pedido de indemnização de 150 mil milhões de dólares. A juíza Yvonne Gonzalez Rogers aceitou a decisão consultiva do júri e rejeitou formalmente todos os argumentos apresentados por Musk.
A base do veredito confirmado em tribunal é a prescrição: o júri concluiu que Musk perdeu o prazo processual de três anos; a defesa da OpenAI confirmou que Musk já sabia, desde 2017, do plano da empresa de transitar para um modelo com fins lucrativos.
A acusação inicial de Musk: a OpenAI e a sua gestão teriam traído a missão fundacional sem fins lucrativos da empresa, ao transformar a organização num ente com fins lucrativos e ao “enriquecimento” dos responsáveis; exigia uma indemnização de 150 mil milhões de dólares, a destituição de Altman e o cancelamento do plano de IPO
Decisão do júri: rejeição unânime de todos os pedidos, com base no facto de a ação ter ultrapassado a prescrição, sem avaliação do mérito das acusações substantivas
Resposta de Musk: afirma que a decisão é um “problema técnico de calendário”, e anuncia que vai recorrer para o Tribunal de Apelações do Nono Circuito, acusando Altman e Brockman de “roubarem fundos de instituições de caridade”
Resposta da OpenAI: os advogados referem que o processo é um “esquema hipócrita de sabotagem da concorrência”
Perguntas frequentes
O que significa a “submissão secreta” (Confidential Filing) da OpenAI e quais são os próximos passos?
“Submissão secreta” é quando a empresa submete à SEC um rascunho S-1 para aprovação sem revelar publicamente o conteúdo; este procedimento permite que a empresa e a SEC façam uma análise confidencial, publicando apenas depois, após as alterações, o prospeto completo. De acordo com as regras da SEC, após apresentar um pedido em segredo, a empresa tem de divulgar o S-1 completo pelo menos 15 dias antes da data prevista de listagem. Se a OpenAI concluir a submissão secreta até ao final de maio e publicar o S-1 entre julho e agosto, então, em termos processuais, o calendário para uma entrada em setembro é viável.
A declaração de Musk de que vai recorrer pode afetar o avanço do IPO da OpenAI?
Musk disse que planeia interpor um recurso no Tribunal de Apelações do Nono Circuito, mas o tribunal da Califórnia já rejeitou formalmente todos os pedidos apresentados; neste momento, não existe qualquer decisão judicial válida ou injunção contra a OpenAI. O processo de recurso normalmente demora vários meses a vários anos e não tem, por si só, força legal para suspender automaticamente as atividades comerciais da OpenAI nem os planos de IPO. No prospeto do IPO, a OpenAI terá de divulgar todos os riscos legais existentes relacionados com Musk, incluindo o estado dos recursos; porém, a divulgação de riscos legais é uma matéria independente do calendário do IPO.
O caso de eventos de tokens não autorizados no mercado cripto da OpenAI tem alguma ligação com este IPO?
Os tokens PreStocks da OpenAI e da Anthropic registaram uma queda acentuada no início de maio de 2026, devido a avisos emitidos por ambas as empresas: informaram que as suas ações estão sujeitas a restrições de transferência e que qualquer transferência não autorizada por escrito (incluindo penhor, hipoteca ou disposições semelhantes) é inválida. O colapso destes tokens reflete riscos estruturais de, no mercado cripto, tentar “tokenizar” ações de empresas privadas sem um enquadramento de conformidade. O IPO oficial da OpenAI é uma listagem em conformidade através dos mercados acionistas tradicionais e não tem qualquer relação direta com as tentativas de tokenização de tokens não autorizadas acima referidas.