O mundo da criptografia está a "sentar-se à mesma mesa" com as finanças tradicionais?

Autor original: Departamento de Marca Mankun

Introdução editorial:

Nesta edição do pequeno bar, num contexto de mercado tranquilo, focamos em três sinais de peso:

  • Circle obtém licença bancária nos EUA
  • Visa anuncia suporte à liquidação USDC
  • SEC muda de postura e inicia educação de usuários de criptomoedas.

Isso não é uma “captura” do mundo cripto pelo sistema financeiro tradicional, mas uma proatividade profunda de conformidade e uma divisão estratégica. Os gigantes tradicionais estão entrando no universo cripto através de canais regulatórios, enquanto as forças nativas do cripto exploram diferentes caminhos de sobrevivência.

Seja você um observador das tendências do setor, um construtor buscando oportunidades ou um investidor cauteloso, nesta edição nossos convidados, abordando aspectos legais, financeiros, fiscais e de risco de primeira linha, irão esclarecer as conexões e colisões entre o setor cripto e o tradicional, oferecendo referências de alto valor.

**Meg: **O tema do bar é mais leve, uma mudança na imagem de advogados muitas vezes “séria”, sendo uma plataforma para Web3 Builders captarem tendências e trocarem opiniões. Aqui, o papo é descontraído e acessível. Vamos ao ponto.

Q1: Como você vê a obtenção da licença bancária pela Circle?

CrypoMiao: Vamos falar sobre a Circle obter a licença bancária. Do ponto de vista de um pesquisador do setor, isso é sem dúvida uma ofensiva proativa, não uma concessão. O núcleo de mercado da Circle nos EUA é na conformidade, e sua estratégia é focar na legalidade, buscando vantagem na integração de Web3 com o mundo tradicional.

Antes, os custos de conformidade da Circle eram altíssimos, corroendo grande parte dos lucros. Após um IPO bem-sucedido e apoio do mercado de capitais, eles estão mais confiantes em impulsionar a fusão entre Web3 e Web2. Solicitar a licença bancária é um passo crucial, não só para atender às regulações, mas para estabelecer uma posição de liderança antes que o regulador seja claro. Assim que os EUA reconhecerem oficialmente o uso de stablecoins para pagamentos e liquidações, USDC provavelmente se tornará a primeira escolha.

Além disso, a Circle já possui licenças na UE, Abu Dhabi e outros locais. Agora, ao completar a licença de fideicomisso bancário nos EUA, ela pode transferir suas operações de custódia de terceiros para seu próprio banco, reduzindo drasticamente as fricções e custos intermediários. Isso é uma integração de suas operações upstream, fortalecendo sua vantagem competitiva. A parceria com a Visa também confirma isso — liquidações dependem de uma conexão bancária, e internalizar essa parte dos lucros faz parte do planejamento de longo prazo da Circle.

Resumindo, a Circle está apostando em um futuro: antes que os EUA aceitem totalmente o uso de stablecoins, ela busca, por meio de conformidade total, se tornar uma pedra angular reconhecida pelo sistema financeiro mainstream.

Resumo em uma frase: A Circle não está se conformando passivamente, mas, por meio de conformidade completa, busca garantir uma posição fundamental no futuro das liquidações e pagamentos com stablecoins.

Q2: O que significa a escolha da Visa pelo USDC?

Revelação: Como gigante global de liquidação financeira, a Visa conecta bancos, comerciantes e sistemas financeiros nacionais. Sua sobrevivência depende de conformidade e controle de riscos, e ela não usaria parceiros com transparência regulatória duvidosa, como USDT. A Circle, sob o quadro regulatório dos EUA, é bem clara nesse aspecto; tendo obtido a licença bancária, já está à frente na disputa por posição legal, e uma parceria com a Visa é quase inevitável.

Por outro lado, isso não significa que o USDT vá desaparecer. Pode marcar o início de uma era de camadas para stablecoins: USDC, por ser mais regulado, atuará como uma “camada de liquidação”, conectando-se às infraestruturas financeiras tradicionais como a Visa; enquanto o USDT continuará dominando a “camada de circulação”, ativo em exchanges, DeFi e outros cenários de uso.

Mais importante, essa parceria marca uma transformação fundamental na identidade do USDC — de uma startup cripto para uma infraestrutura reconhecida pelo sistema financeiro tradicional, uma espécie de “cerimônia de maioridade”.

Resumo em uma frase: A escolha da Visa sinaliza a entrada das stablecoins na “era de camadas”, com USDC se consolidando como a “camada de liquidação” reconhecida pelo sistema financeiro tradicional. Essa parceria marca uma mudança de status para a Circle e o USDC.

Q3: Como você vê a mudança de postura da SEC de “prevenção de riscos” para “educação de massa”?

Gao Mengyang: A postura da SEC mudou, e isso tem relação com a orientação do governo dos EUA atual, que é relativamente mais aberta ao setor cripto. A Circle e a Tether seguiram caminhos bem diferentes: uma investe pesado em conformidade, tentando entrar no sistema financeiro tradicional; a outra é mais obscura, mais nativa do universo cripto. Isso nos faz refletir: no final, o cripto vai se integrar ao sistema financeiro tradicional ou vai seguir um caminho próprio? Ainda estamos explorando essa questão.

CrypoMiao: A Tether também passou por auditorias, mas cerca de 20% de suas reservas são em Bitcoin e ouro, o que equivale a usar os fundos dos usuários para “apostar”. Se algo mudar, o USDT também pode perder valor. Essa operação, sob forte regulação, é de alto risco e alta flexibilidade, bem diferente do estilo mais conservador da Circle.

Revelação: Os players mais tradicionais preferem USDC, por sua estabilidade. A postura atual da SEC é clara: primeiro alertar sobre riscos, depois educar investidores, e provavelmente, em breve, responsabilizar e tratar muitos tokens como valores mobiliários. A regulamentação está se consolidando passo a passo.

Na verdade, quanto mais clara a regulamentação fica, mais o mercado muda. Muitas altcoins não conseguem se firmar; alguns projetos arrecadam fundos, mas desaparecem rapidamente. O setor está passando por uma limpeza, um movimento rumo à maior regularização.

Resumo em uma frase: A mudança da SEC é uma preparação regulatória sistêmica, que acelera a limpeza e a formalização do setor.

Q4: Essa nova fase regulatória é favorável ao setor, mas muitos projetos não têm retorno esperado. Quais áreas podem liderar a próxima fase de mercado?

CrypoMiao: A meu ver, além das stablecoins, o que vai impulsionar a próxima fase é a existência de ferramentas de precificação reguladas na cadeia, permitindo “colocar na cadeia” ativos do mundo real. Por exemplo, RWA (ativos do mundo real), tokens de securitização, como ações de empresas não listadas, direitos de armazenamento, etc. Embora atualmente esses ativos somem apenas alguns trilhões de dólares, o potencial de crescimento é grande.

Por que a Circle buscou licença bancária? Porque, com o volume de transações na cadeia, cada operação precisa passar por uma liquidação regulada por bancos. Ela quer mais do que ser uma simples startup Web3; deseja ser a camada de liquidação para ativos tradicionais na cadeia.

Além disso, nos próximos 3 a 5 anos, veremos emergir aplicações específicas, como direitos autorais na cadeia, armazenamento descentralizado, autenticação por blockchain, e até propriedade real de itens de jogos. Os primeiros a entrarem no Web3 serão relacionados a pagamentos e trocas, mas logo surgirão grandes aplicativos, como Tencent ou Meta. Essa evolução leva tempo, mas o caminho é claro.

Resumo em uma frase: RWA e tokens de securitização são o foco de médio prazo, enquanto a longo prazo veremos o surgimento de aplicações de super infraestrutura financeira baseada em blockchain.

Q5: Com o aumento da conformidade, o risco legal para os profissionais diminui? Quais áreas ainda representam riscos elevados?

Gao Mengyang: Na minha opinião, os riscos na verdade podem estar maiores. Porque, quando falamos de conformidade, na maior parte das vezes não é uma conformidade doméstica, mas sim uma postura regulatória clara no exterior. No Brasil, possuir criptomoedas não é ilegal, mas o governo não apoia essa prática. Seus investimentos, ganhos ou perdas, são riscos comerciais. Os verdadeiros riscos legais estão na etapa de saída, ou seja, na hora de converter U$ em moeda fiduciária, pois é difícil rastrear a origem do dinheiro. Dinheiro sujo tem riscos, mas a investigação e as consequências de dinheiro ilícito são muito mais severas, e os bancos podem rastrear muitas operações. Essa é a maior preocupação para usuários individuais.

Para os profissionais, o risco é ainda maior, pois só projetos que excluem claramente usuários brasileiros, sem interface em chinês e com cláusulas que excluem o Brasil, podem ser considerados relativamente seguros — como fazer trabalho remoto para o exterior.

Resumindo, não há proibição legal de investir em cripto, mas a saída de fundos é o maior risco. Os profissionais precisam entender bem sua posição e o perfil do projeto, pois conformidade não é só papo, é questão de detalhes de operação e de quem são os usuários.

Resumo em uma frase: Conformidade global não equivale a legalidade doméstica; a saída de fundos é o maior risco, e o risco dos profissionais varia conforme a localização do projeto e o perfil dos usuários.

Respostas rápidas

Pergunta 1: Como você vê a evolução do mundo cripto?

Revelação: Desde 2017, quando comecei a investir em Bitcoin, tinha a esperança de “uma moeda, uma mansão”. Apesar de ter crescido bastante, ainda não atingi esse objetivo, e o risco de entrada e saída de fundos é alto, então não mexi mais. O mundo cripto antes era “selvagem”, uma utopia sem permissão, onde o código era a lei; agora, com a entrada de grandes instituições, conformidade, licenças e KYC são o padrão, e a mudança é grande. Mas o consenso fundamental do Bitcoin e sua descentralização permanecem. Como holder, continuo segurando.

Pergunta 2: O que os jovens mais precisam?

Gao Mengyang: Acho que o mais importante é consciência de risco. Investidores devem estar atentos ao risco de dinheiro sujo na saída; profissionais, especialmente na China, precisam ser muito cautelosos, pois essa atividade não é incentivada e há muitas restrições. Ele reforça: prevenir é sempre melhor do que remediar.

Pergunta 3: Como será o Web3 nos próximos 5 anos?

CrypoMiao: Nos primeiros anos, será uma mistura de banco e tecnologia, com infraestrutura financeira conectando Web2 e Web3, como plataformas de liquidação e exchanges. Depois de 3 a 5 anos, o foco se moverá para aplicações, como armazenamento na cadeia, criptografia, plataformas de conteúdo, e propriedade de itens de jogos. Nesse momento, será mais parecido com a internet pura, com grandes players como Tencent e Meta emergindo. É uma evolução que leva tempo, mas o caminho é claro.

Conclusão

Aviso de risco:

O setor cripto não foi simplesmente “capturado”, mas entrou numa fase de profunda diferenciação e reorganização sob pressão regulatória. Conformidade não é uma linha de chegada, mas um filtro que determina quem pode permanecer no sistema.

Para o indivíduo, em um cenário de maior incerteza, o controle de risco deve vir antes do retorno; para os profissionais, mais importante que a habilidade técnica é uma compreensão clara de sua posição e limites de atuação.

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