Ray Dalio, fundador do Fundo Bridgewater, alertou no programa de Tucker Carlson que os Estados Unidos estão atualmente na quinta fase do ciclo da dívida, com o sistema fiduciário enfrentando riscos de colapso. Recomenda aos investidores alocar entre 5-15% em ouro como proteção e acredita que as CBDCs não irão se desenvolver em grande escala.
(Resumindo: Relatório anual de Dalio do Bridgewater: IA está na fase inicial de uma bolha, por que o mercado de ações dos EUA está atrás do mercado não americano e do ouro?)
(Complemento de contexto: Dalio alerta: nos próximos dois anos, a economia global estará “à beira do desastre”, não se precipite a sair por causa da alta avaliação da IA)
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Dalio, fundador do Fundo Bridgewater, afirmou no programa de Tucker Carlson que os EUA estão em um ciclo clássico de dívida, iniciado com a nova ordem monetária estabelecida em 1945. Ele explicou como funciona o ciclo da dívida:
Quando o serviço da dívida em relação à renda aumenta, ele pressiona outros gastos, assim como para indivíduos ou empresas, só que o governo pode imprimir dinheiro.
Ele destacou que o problema atual dos EUA não é apenas o peso da dívida, mas uma questão mais fundamental de desequilíbrio entre oferta e demanda. Com o dólar como reserva mundial, os EUA podem vender grandes quantidades de dívida, mas quando a oferta supera a demanda, surgem problemas estruturais.
Dalio afirmou que os EUA estão na quinta fase de um ciclo de seis etapas: “Estamos à beira do colapso, mas ainda não o cruzamos”. Essa visão continua sua análise de longo prazo.
Ao discutir a ameaça à posição do dólar como moeda de reserva, Dalio analisou as mudanças na dinâmica de oferta e demanda. Ele disse: “Quando a demanda por uma moeda de reserva não consegue acompanhar a oferta, você vê problemas de oferta e demanda. Quando há uma grande oferta e a demanda é insuficiente, as taxas de juros de longo prazo tendem a subir.”
Mais importante ainda, fatores geopolíticos influenciam essa dinâmica. Outros países se sentem inseguros ao manter dívidas denominadas em dólares, por duas razões principais: riscos de sanções e problemas de oferta e demanda. Dalio comentou: “Se você é a China, como se sente ao possuir títulos do Tesouro dos EUA? Pode se sentir inseguro por sanções ou preocupado com a oferta e demanda.” Essa preocupação está impulsionando os bancos centrais a aumentarem suas reservas de ouro como alternativa ao dólar.
Dalio relembrou o momento histórico de 15 de agosto de 1971, quando Nixon anunciou a saída do padrão-ouro. Ele estava fazendo estágio na Bolsa de Nova York e testemunhou esse ponto de inflexão: “Nixon na TV no domingo à noite disse que não permitiria mais a conversão de papel moeda em ouro. Vocês não vão conseguir ouro.”
Desde a mudança para o sistema fiduciário em 1971, esse mecanismo operou por 55 anos, mas agora mostra sinais de fadiga. Dalio afirmou que, sempre que há uma crise de dívida, a resposta do governo é imprimir mais dinheiro e oferecer mais crédito. Essa estratégia pode aliviar temporariamente o problema, mas aumenta a dívida até que ela pressione os gastos e gere problemas de oferta e demanda.
Sobre o desenvolvimento das CBDCs, Dalio acredita que elas acontecerão, mas em escala limitada. Ele analisou algumas características-chave: primeiro, a conveniência nas transações, “moedas digitais são fáceis de negociar, como fundos do mercado monetário”; segundo, a questão dos juros, ainda em discussão se serão pagos ou não.
Por outro lado, as CBDCs trazem riscos significativos. Dalio alertou: “Elas podem tirar seu dinheiro, estabelecer controles de câmbio, etc.” Especialmente para detentores internacionais, “se você for francês e eles quiserem impor sanções, podem tirar seu dinheiro.” Além disso, há questões de privacidade nas transações e riscos de cortes de serviço para pessoas politicamente indesejadas.
Diante desses fatores, Dalio não acredita que as CBDCs se desenvolverão em grande escala.
Ao discutir o investimento em ouro, Dalio destacou um ponto importante: “As pessoas se preocupam demais se o preço à vista do ouro vai subir ou cair, e não pensam em quanto deveriam alocar na carteira se não tiverem uma opinião sobre o ouro.”
Ele explicou o valor central do ouro: “O ouro é uma ferramenta de diversificação muito eficaz e uma proteção de ativos. Em períodos extremamente ruins, quando o resto da sua carteira não performa bem, o ouro se sai bem.” Dalio recomenda que investidores individuais aloque entre 5-15% de suas carteiras em ouro, dependendo da estrutura geral do portfólio.
O mais importante, segundo ele, é que o ouro é o único ativo que não é uma dívida de terceiros: “Fora o ouro, não há nada mais que possa servir como moeda de reserva que não seja uma obrigação de alguém. O ouro é o único ativo que você possui que não é uma dívida de terceiros, o que significa que você não precisa pegar dinheiro de ninguém.”
Essa visão é especialmente relevante para investidores em criptomoedas durante períodos de desafio ao sistema fiduciário, pois o Bitcoin possui algumas dessas características. Não sou Dalio, portanto, não tenho a autoridade dele.
A seguir, o vídeo da entrevista com Dalio: