Chefe de Gabinete da Argentina, Adorni, renuncia devido a investigação sobre investimento em Bitcoin

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Manuel Adorni renunciou ao cargo de Chefe de Gabinete do governo argentino após enfrentar uma investigação por enriquecimento ilícito envolvendo mais de US$ 500 mil em fundos não declarados. Adorni alegou que os fundos vieram de um investimento de US$ 200 mil em Bitcoin em 2013 e de lucros de US$ 300 mil, que ele começou a liquidar em 2018, segundo uma entrevista à TV em 10 de junho. Porém, o analista de blockchain Fernando Molina identificou uma carteira correspondente às transações descritas por Adorni que mostrou apenas US$ 60 mil em ganhos, bem abaixo dos US$ 300 mil alegados. A renúncia ocorre em meio a intenso escrutínio do governo do presidente Javier Milei sobre controvérsias relacionadas a criptomoedas, incluindo o esquema da token Libra que resultou em milhões de dólares em perdas para investidores.

Análise de Blockchain Revela $240K Discrepância nas Alegações de Bitcoin de Adorni

Adorni arquivou declarações financeiras corrigidas alegando que seus fundos não declarados originaram-se de investimentos em Bitcoin. "Em 2013, comecei a investir pesadamente em bitcoin, cerca de US$ 200 mil, e ganhei US$ 300 mil. E em 2018, comecei a liquidar", disse ele em entrevista à TV em 10 de junho.

O analista da Blockworks, Fernando Molina, encontrou uma carteira correspondente às movimentações descritas por Adorni. A análise da carteira mostrou apenas US$ 60 mil em ganhos, gerando uma diferença de US$ 240 mil entre os lucros alegados por Adorni e as transações documentadas. Adorni respondeu que suas operações não se limitavam a uma única carteira BTC.

Molina observou que em 2014, apenas 2,86% de todas as carteiras (87 mil carteiras) tinham BTC com valor superior a US$ 10 mil, enquanto apenas 0,48% possuíam BTC com valor superior a US$ 56 mil, o que teria colocado Adorni entre os maiores detentores de Bitcoin na época.

Jornalistas Questionam Falta de Documentação para Compra de Bitcoin em 2013

O jornalista do La Nacion, Hugo Alconada, questionou a falta de documentação para a compra inicial de Bitcoin por Adorni. "De qual conta bancária ele depositou dinheiro na exchange para comprar Bitcoin? Essa rastreabilidade de FIAT (moeda de curso forçado) é documentável nos registros bancários. Adorni não contribuiu com nada", afirmou Alconada.

Alconada enfatizou a dificuldade de adquirir grandes quantidades de Bitcoin em 2013 e a ausência de provas que mostrassem a origem dos fundos para a compra inicial de US$ 200 mil.

Adorni publicou uma carta de renúncia nas redes sociais no sábado afirmando: "Esta noite vou dormir em paz absoluta comigo mesmo e com o que fiz pelo país; só espero que muitos daqueles que fizeram de tudo para me prejudicar possam um dia conseguir o mesmo." Ele classificou o escrutínio como um ataque implacável da mídia.

Renúncia Segue Controvérsia do Token Libra do Governo Milei

A renúncia de Adorni ocorreu depois que o presidente Milei enfrentou críticas por seus vínculos com o esquema do token Libra. Milhares de investidores perderam milhões de dólares no token que Milei promoveu usando sua conta nas redes sociais.

O Congresso argentino aprovou a criação de uma comissão para investigar formalmente o envolvimento de autoridades governamentais com a Libra. A câmara baixa autorizou a investigação para examinar a extensão das conexões governamentais com o projeto de criptomoeda.

FAQ

Qual discrepância levou à renúncia de Manuel Adorni do Gabinete argentino?

Adorni renunciou após uma análise de blockchain de Fernando Molina encontrar apenas US$ 60 mil em ganhos de Bitcoin em uma carteira correspondente às suas transações descritas, enquanto Adorni alegou US$ 300 mil em lucros de um investimento de US$ 200 mil em Bitcoin feito em 2013.

Por que os jornalistas questionaram as alegações de investimento em Bitcoin de Adorni?

O jornalista do La Nacion, Hugo Alconada, questionou a ausência de registros bancários que mostrassem a origem dos fundos para a compra de Bitcoin de US$ 200 mil alegada por Adorni em 2013, afirmando que a rastreabilidade FIAT deveria ser documentável, mas Adorni não forneceu tal documentação.

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