A Venom Foundation, uma empresa de fintech sediada em Abu Dhabi com foco em infraestrutura blockchain de alto desempenho, anunciou que a indústria blockchain precisa se preparar com urgência para ameaças da computação quântica. A organização realizou uma avaliação interna das vulnerabilidades de sua rede e estabeleceu uma estratégia de transição para a criptografia pós-quântica, enfatizando que a preparação antecipada deve começar imediatamente, em vez de esperar exigências regulatórias ou que computadores quânticos se tornem realidade.
A equipe de segurança da Venom Foundation avaliou os elementos mais vulneráveis de sua infraestrutura blockchain, especialmente a camada de assinatura digital e os mecanismos de troca de chaves. A avaliação identificou sistemas criptográficos atualmente baseados nos padrões Ed25519 e EdDSA como suscetíveis a ataques quânticos que exploram o algoritmo de Shor.
No entanto, a avaliação constatou que as funções hash da rede — SHA-256 e SHA-512 — permanecem relativamente seguras. Mesmo ao considerar o algoritmo de Grover, que reduz sua força efetiva, esses métodos de hash são considerados suficientemente robustos dentro dos benchmarks atuais de segurança.
Após a avaliação, a Venom Foundation delineou um plano de transição alinhado aos padrões finais de criptografia pós-quântica do National Institute of Standards and Technology. A estratégia inclui a adoção de ML-DSA (também conhecido como Dilithium) para assinaturas digitais e ML-KEM (ou Kyber) para processos de troca de chaves. Ambos os padrões foram finalizados em agosto de 2024 e devem formar a base de sistemas criptográficos resistentes a ataques quânticos.
A Venom Foundation fez referência a pesquisas globais e orientações governamentais que indicam que as ameaças da computação quântica são iminentes, e não hipotéticas. Relatórios de instituições como o Global Risk Institute e diretrizes de agências dos EUA sugerem um prazo de cinco a dez anos para a chegada de sistemas quânticos capazes de quebrar os métodos de criptografia atuais.
A organização destacou o aumento da preocupação em torno da estratégia “capture agora, decifre depois” (“harvest now, decrypt later”), na qual agentes maliciosos coletam dados criptografados hoje com a intenção de decifrá-los quando a tecnologia quântica amadurecer. Essa abordagem implica que informações sensíveis que estão sendo transmitidas atualmente podem ser comprometidas retrospectivamente.
Em paralelo, arcabouços de política dos EUA, como o National Security Memorandum NSM-10, estabeleceram um prazo de 2035 para a transição de sistemas federais para criptografia resistente a ataques quânticos. A Venom Foundation interpretou esses desenvolvimentos como sinais de que empresas e governos irão priorizar, em breve, a resiliência quântica como requisito de aquisição.
A Venom Foundation instou desenvolvedores de blockchain, instituições financeiras, órgãos governamentais e usuários empresariais a iniciarem suas próprias avaliações pós-quânticas. A organização destacou que a ameaça quântica é sistêmica e requer ação coordenada em toda a indústria.
Como uma etapa inicial, a Venom Foundation recomendou criar um Cryptographic Bill of Materials (Inventário de Materiais Criptográficos), que envolve catalogar todos os sistemas criptográficos e identificar aqueles que dependem de algoritmos vulneráveis, como RSA, criptografia de curva elíptica e Diffie-Hellman. Esse processo pode ser conduzido internamente sem investimentos significativos e serve como uma base crítica para esforços futuros de migração.
A empresa reconheceu que muitos protocolos de blockchain de Camada 1 ainda não endereçam prontidão para computação quântica. Os fatores que contribuem para esse atraso incluem a ausência de exigências regulatórias específicas, a complexidade técnica de atualizar redes em operação, o conhecimento limitado em criptografia pós-quântica e a percepção geral de que a ameaça permanece distante.
A Venom Foundation sugeriu que organizações que tomarem medidas antecipadas obterão uma vantagem competitiva à medida que a resiliência quântica se tornar um requisito padrão. A empresa indicou que a verificação de resistência quântica provavelmente se tornará um critério-chave nos processos de aquisição de empresas e do governo nos próximos três a cinco anos.
Ao concluir sua avaliação interna e se preparar para auditorias de terceiros, a Venom Foundation se posicionou entre os primeiros adotantes de infraestrutura blockchain pronta para computação quântica. A organização afirmou que a adaptação proativa, e não medidas reativas, definirá a segurança e a competitividade de longo prazo no cenário digital em evolução.