
As Ondas de Elliott são uma teoria de análise técnica que descreve a movimentação dos preços dos ativos em ciclos impulsionados pela psicologia do público. Este modelo permite prever evoluções futuras e criar estratégias de negociação eficazes. Desenvolvida pelo contabilista Ralph Nelson Elliott na década de 1930, esta teoria mantém-se relevante até hoje.
As Ondas de Elliott ultrapassam largamente os métodos tradicionais de negociação — constituem uma ferramenta de análise robusta para descodificar e modelar variações aparentemente aleatórias dos preços nos mercados financeiros. Através da observação e análise de padrões recorrentes nos gráficos de preços, esta teoria permite aos negociadores identificar fases de expansão e de correção do mercado.
Embora teorias como as Ondas de Elliott não possuam rigor matemático formal nem sejam consideradas ciências exatas, tornaram-se rapidamente populares entre analistas técnicos e figuram entre os instrumentos mais utilizados por profissionais em todo o mundo.
No universo das criptomoedas, a situação não diverge. Inúmeros analistas aplicaram com sucesso a teoria das Ondas de Elliott para prever tendências de preços em Bitcoin, Ethereum e outras altcoins. Analisar criptomoedas sob esta perspetiva oferece insights únicos sobre ciclos de mercado em alta e em baixa.
As oscilações de mercado são muitas vezes encaradas como aleatórias e imprevisíveis, embora haja quem defenda que esse grau de aleatoriedade depende da fase e do contexto de mercado. Ralph Nelson Elliott, porém, acreditava na existência de leis subjacentes ao caos aparente.
Ao observar atentamente o mundo natural, Elliott concluiu que mesmo fenómenos aparentemente caóticos e aleatórios seguem padrões fractais. Esta constatação serve de base filosófica à sua teoria.
Um exemplo clássico é a estrutura de uma árvore: ramos e folhas crescem em direções aparentemente aleatórias, influenciados pelo vento, luz e outros fatores ambientais, mas a árvore revela traços fractais evidentes — do tronco principal aos ramos e folhas mais pequenos. Cada ramo pequeno replica, em menor escala, a estrutura da árvore.
Os sistemas fluviais são outro exemplo: um grande rio ramifica-se a montante e, a jusante, divide-se em inúmeros afluentes menores, com formas semelhantes. A repetição desse padrão a várias escalas é a essência dos fractais naturais.
Partindo destas observações, Elliott foi mais longe e colocou a questão essencial: As oscilações dos preços, guiadas pela psicologia das massas, seguem também leis fractais? Esta interrogação é o pilar da teoria das Ondas de Elliott na análise técnica.
Assentar a teoria das Ondas de Elliott em leis naturais exigiu investigação exaustiva, paciência e observação meticulosa.
Primeiro, Elliott assumiu como ponto de partida que o movimento dos preços é essencialmente determinado pela psicologia de investidores e negociadores. Quando a influência do público é ampla e equilibrada (sem domínio de grandes intervenientes), os preços refletem emoções humanas profundas — alternando entre ganância e medo, otimismo e pessimismo.
Depois, Elliott avançou com a ideia de que a psicologia das massas é um fenómeno natural, com as seguintes propriedades:
Finalmente, após anos de análise minuciosa de gráficos, Elliott traduziu estas propriedades abstratas numa teoria básica com regras claras, aplicáveis na negociação real.
O modelo central das Ondas de Elliott inclui dois tipos principais de ondas: Onda Impulsiva (Onda I) e Onda Corretiva (Onda II). As ondas impulsivas são o motor das tendências de mercado e costumam ter grande volume. As ondas corretivas são recuos temporários — uma “pausa” na tendência principal, normalmente com menor volume.
O modelo repete-se em múltiplas escalas. Em cada onda impulsiva principal, existem cinco ondas menores, numeradas de 1 a 5, e cada onda corretiva contém três ondas menores, designadas A, B e C.
Curiosamente, dentro de cada onda de 1 a 5 e de cada ziguezague de A a C, surgem ainda estruturas de onda ainda menores, contendo também ondas impulsivas e corretivas. Esta repetição infinita gera uma estrutura fractal complexa, mas ordenada.
Um ciclo de mercado completo inclui uma fase de subida e uma de correção. Se se inverter verticalmente todo o modelo de ondas (espelhando o gráfico), este mantém o seu significado e pode descrever um ciclo completo de descida e recuperação. Isto evidencia a simetria perfeita do movimento de mercado.
Elliott escolheu deliberadamente a imagem das ondas do mar para ilustrar a sua teoria — uma analogia com a repetição contínua dos movimentos de preços. Tal como as ondas nunca deixam de rebentar, a ação dos preços prolonga-se para além das duas ondas principais (I e II), formando ciclos sucessivos.
Os dados dos movimentos de preços fluem continuamente, repetindo padrões e gerando ciclos constantes que os negociadores podem observar e aproveitar.
Compreender a estrutura e as características acima pode fazer parecer que os mercados se tornam mais acessíveis à luz das Ondas de Elliott. Porém, a realidade é bem mais complexa. A aleatoriedade do mercado não é facilmente “enquadrada” num modelo de propriedades fixas.
O maior desafio para os negociadores é este: quando os preços oscilam em tempo real, como identificar com precisão a fase atual da onda? Trata-se sempre de probabilidade e previsão — não existe resposta absoluta. Contudo, quem domina a Teoria de Elliott tem maior probabilidade de prever corretamente do que quem não a domina.
Analisando as características específicas dos mercados de criptomoedas, surgem vários desafios relevantes na aplicação da teoria das Ondas de Elliott:
Limitações na representação da psicologia coletiva:
Pares Altcoin/Altcoin, Altcoin/BTC e, em especial, altcoins de baixa liquidez estão frequentemente sujeitos à influência de “whales” que detêm grandes quantidades. Estes intervenientes podem manipular facilmente os preços com ordens de compra ou venda de grande dimensão.
Por isso, é difícil afirmar que a movimentação dos preços reflete a verdadeira psicologia coletiva. Muitas vezes, a ação dos preços ignora as regras das ondas e segue ciclos de pump-and-dump promovidos por um pequeno grupo de atores financeiramente poderosos.
Limitações do fator tecnológico:
Os fatores tecnológicos específicos do mercado cripto fazem com que o preço seja fortemente afetado por eventos técnicos. Hard forks, airdrops, token burns ou grandes atualizações de protocolos podem alterar oferta e procura de forma repentina e significativa.
Estes eventos desencadeiam comportamentos de negociação abruptos, originando variações de preços que não seguem os padrões psicológicos descritos pela Teoria de Elliott. Por exemplo, um anúncio de queima de 50% da oferta pode provocar uma subida imediata, independentemente da fase de onda vigente.
Recomendações para aplicação:
Face a estas limitações, a aplicação da teoria das Ondas de Elliott nos mercados cripto deve ser criteriosa e seletiva. Considere as seguintes recomendações:
Este artigo apresentou as origens e evolução da teoria das Ondas de Elliott. Constata-se que não existe conflito com a Teoria de Dow — outro pilar da análise técnica, criado por Charles Dow na década de 1890.
Na verdade, as Ondas de Elliott podem considerar-se uma extensão natural e mais detalhada da Teoria de Dow. Enquanto a Teoria de Dow identifica grandes tendências de mercado, as Ondas de Elliott exploram a estrutura interna dessas tendências.
Dominar estes conceitos fundamentais é o primeiro passo para aplicar com êxito a teoria das Ondas de Elliott na negociação real. Na próxima parte desta série, analisaremos as regras básicas e princípios detalhados para usar as Ondas de Elliott na análise de mercados.
Em seguida, abordaremos métodos concretos para criar estratégias de negociação com a teoria das Ondas de Elliott, incluindo como definir pontos de entrada, stop-loss e calcular preços-alvo de forma científica e sistemática.
A Teoria das Ondas de Elliott afirma que os preços seguem um padrão de cinco ondas ascendentes e três descendentes. O princípio fundamental é a movimentação dos preços em ondas, alternando entre impulsivas e corretivas, formando padrões fractais nos mercados.
As cinco ondas (1–5) traduzem tendências ascendentes, sendo as ondas 1, 3 e 5 impulsivas e as ondas 2 e 4 corretivas. As três ondas (a–c) representam tendências descendentes, com as ondas a e c impulsivas e a onda b um ressalto técnico. Cada ciclo completo contém oito ondas: cinco ascendentes, três descendentes.
Identifique o padrão das cinco ondas, compre nas fases ascendentes e venda nas corretivas. Utilize suportes, resistências e as razões de Fibonacci para confirmar entradas e saídas. Combine com indicadores técnicos para reforçar a precisão das previsões de tendência.
A Teoria das Ondas de Elliott interpreta o movimento dos preços através de ondas impulsivas e corretivas que refletem a psicologia dos investidores, ao contrário de indicadores estatísticos como médias móveis ou RSI, baseados em cálculos matemáticos.
Vantagens: Fornece um modelo estrutural para as tendências de mercado e auxilia na identificação de pontos de inversão chave graças aos padrões cíclicos das ondas. Limitações: Difícil de aplicar com precisão devido à complexidade do mercado, suscetível a interpretações subjetivas e deve ser complementada com outros indicadores para confirmação.
Comece pelos padrões básicos (cinco ondas impulsivas e três corretivas), utilize Fibonacci Retracement para definir objetivos de preço. Pratique em gráficos reais e combine com outros indicadores como RSI para validar sinais de negociação com maior precisão.











