Tribunal de Nova Iorque suspende ação judicial sobre a titularidade de todos os fundos da carteira inativa com 39.069 BTC, audiência a 14 de julho

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John Doe案暫停訴訟

O juiz da Suprema Corte do estado de Nova Iorque, Casey J. King, assinou a 4 de junho uma ordem que suspende todos os procedimentos subsequentes no caso «ABC, XYZ Company e Noah Doe contra John Doe», aguardando uma audiência marcada para 14 de julho, para decidir se deve ser aceite uma intervenção de um amicus curiae (amigos da corte). O processo tenta fazer valer reivindicações de propriedade sobre 39.069 carteiras de bitcoin inativas.

Contexto do caso: alegação de bens perdidos de Noah Doe e processo de identificação do arguido

O autor, Noah Doe, alega que utiliza um algoritmo proprietário para identificar 39.069 carteiras de bitcoin inativas e, entre dezembro de 2024 e abril de 2025, vai enviando em lotes pen drives USB contendo esses endereços à esquadra n.º 17 da polícia de Nova Iorque, após o que instrui especialistas em blockchain a enviarem mensagens OP_RETURN para cada endereço, apontando para uma página de notificação de abandono gerida pela Salomon Brothers Strategic Advisors.

O autor considera que os proprietários das carteiras que não respondam no prazo de 90 dias renunciaram aos seus bens. A Galaxy Research descreveu a ação como uma «limpeza em massa de bitcoin», envolvendo o envio de mensagens OP_RETURN para cerca de 41.000 carteiras que detêm aproximadamente 2,3 milhões de bitcoins.

Os endereços indicados como arguidos incluem a carteira «1Feex» (com cerca de 80.000 bitcoins) associada ao hack de 2011 do Mt. Gox, bem como endereços que a Galaxy Research identificou como cumprindo o padrão «Patoshi» (associado ao fundador do bitcoin).

Após a apresentação do processo, algumas das carteiras indicadas como arguidas realizaram transações on-chain: o responsável da Galaxy Research, Alex Thorn, assinalou que o endereço do arguido #37923 (última atividade a 17 de junho de 2011) transferiu 47,26 bitcoins (cerca de 3 milhões de dólares) a 6 de junho de 2026; outra carteira, inativa desde março de 2011, transferiu 35,55 bitcoins (cerca de 2,2 milhões de dólares) a 2 de junho.

Argumentos do amicus de Cohen: principais objeções em confirmação

O advogado da IRC Legal Advisors LLC, Ian R. Cohen, apresentou a 29 de maio de 2026 uma contestação com 26 páginas, com como principais argumentos: a lei de bens perdidos assume que quem encontra detém efetivamente um objeto físico suscetível de ser guardado como prova; os endereços de blockchain não conseguem cumprir esse requisito em sentido jurídico; a carteira do arguido «nunca foi perdida ou escondida, estando sempre visível para todo o mundo», a identificação algorítmica é «mineração de dados» e não «procura», e a lei nunca foi concebida para este tipo de «identificação de ativos à escala industrial».

Cohen acrescenta ainda que o endereço 1Feex está atualmente sujeito a um procedimento de insolvência civil com administrador judicial nomeado por um tribunal japonês e que é um alvo potencial de um confisco criminal pelo Departamento de Justiça dos EUA; se um tribunal do estado de Nova Iorque declarasse propriedade privada, isso poderia colidir com os procedimentos paralelos. Além disso, Cohen invoca a lei do estado de Nova Iorque de 2022 sobre bens abandonados, apontando que o legislativo criou um caminho para transferir criptoativos inativos para o controlador de contas do estado, em vez de permitir reivindicações privadas. Na ausência de chaves privadas, qualquer decisão declarativa não pode ser executada na rede do bitcoin.

Perguntas frequentes

Porque é que a lei de bens perdidos do estado de Nova Iorque é considerada inaplicável às carteiras de bitcoin?

De acordo com a contestação de Cohen, a base jurídica da lei de bens perdidos parte da suposição de que quem encontra tem posse física real de um bem tangível perdido. Os endereços de carteiras de bitcoin são publicamente visíveis na blockchain e nunca foram «encontrados» ou «detidos» por ninguém. Cohen acrescenta ainda que o legislativo do estado em 2022 alterou a lei de bens abandonados, estabelecendo um mecanismo para transferir criptomoedas inativas para o controlador de contas do estado, o que indica que o legislador considerou que a lei de bens perdidos não se aplicaria a este tipo de ativos.

O que significam as transferências de bitcoin on-chain suscitadas pelo processo?

Após a divulgação do processo, várias carteiras de arguido indicadas apresentaram atividade on-chain: um endereço que não se movia desde 17 de junho de 2011 transferiu 47,26 bitcoins em 6 de junho, e outra carteira que estava inativa desde março de 2011 transferiu 35,55 bitcoins em 2 de junho. Estes movimentos sugerem que, apesar de alegadamente terem «renunciado» aos seus bitcoins, alguns dos detentores das carteiras continuam a ter e a conseguir aceder às suas chaves privadas, minando diretamente uma das principais alegações do autor de que «essas carteiras foram abandonadas».

O autor tenta obter propriedade declarativa, mas qual o significado prático de tal decisão judicial sem chaves privadas?

A contestação de Cohen afirma claramente que, se o tribunal declarasse que Noah Doe tem propriedade sobre estas carteiras, mas Noah Doe não detém quaisquer chaves privadas relevantes, então essa decisão «não tem qualquer força executória na rede do bitcoin», porque a arquitetura descentralizada do bitcoin impede que a rede seja estruturalmente afetada por decisões judiciais. Cohen alerta também que tal declaração poderá induzir em erro bolsas, custodians e contrapartes institucionais, levando-os a acreditar que o autor tem uma propriedade executável.

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