O Congresso dos EUA irá confiscar os 60 mil milhões de dólares em Bitcoin supostamente pertencentes à Venezuela? O presidente da SEC deixa a questão em aberto: "Aguardemos para ver"

Os comentários do presidente da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, Paul Atkins, numa entrevista televisiva, sobre se o governo americano confiscaria os supostos US$ 600 bilhões em Bitcoin detidos pela Venezuela, deram uma resposta ambígua e carregada de significado — “ainda a ser observado”.

美国证券交易委员会主席Paul Atkins

Estas declarações foram feitas logo após a prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro por parte das forças armadas dos EUA e sua extradição para os EUA, o que imediatamente provocou intensos debates no mercado sobre a “zona desconhecida” de apreensão de ativos digitais entre países. No entanto, analistas de blockchain geralmente não conseguem verificar a alegação de que o país possui uma quantidade tão grande de Bitcoin; os dados públicos na cadeia rastreiam apenas cerca de 240 BTC relacionados ao governo. Este evento colocou as criptomoedas na linha de frente do confronto entre geopolítica e sanções financeiras, e seu desdobramento pode estabelecer um precedente extremamente perigoso para a “governança por criptografia”.

Sinal ambíguo dos reguladores máximos: o que significa “ainda a ser observado”?

Na entrevista na Fox Business na segunda-feira, o apresentador Stuart Varney fez uma pergunta explosiva ao presidente da SEC, Paul Atkins: após a prisão do presidente Nicolás Maduro, os EUA “tomariam o Bitcoin deles”? A resposta de Atkins não foi uma negação definitiva nem uma afirmação clara, mas uma clássica expressão de diplomacia e ambiguidade estratégica: “ainda a ser observado”. Ele acrescentou ainda: “Deixei essa questão para outros no governo lidarem — não estou envolvido nisso.”

O peso dessa “ainda a ser observado” vai além de uma postura cautelosa de um regulador. Como um dos principais responsáveis pela supervisão dos mercados financeiros nos EUA, as palavras de Atkins representam uma discussão pública e séria sobre uma situação sem precedentes — a confiscação de reservas de criptomoedas de um país soberano. No mundo financeiro tradicional, congelar ou apreender ativos em dólares ou ouro de um governo estrangeiro exige procedimentos legais complexos e negociações diplomáticas, com precedentes estabelecidos. Contudo, para o Bitcoin, controlado por chaves privadas, que teoricamente pode ser armazenado em qualquer mídia física e atravessar fronteiras, não há precedentes internacionais. A ambiguidade de Atkins revela que o governo dos EUA também está avaliando e ponderando essa possibilidade, sem uma conclusão definitiva.

Sua resposta também evita confirmar os rumores. Quando questionado se a Venezuela realmente possui até 600 mil BTC (valor na época de cerca de US$ 60 bilhões), Atkins não endossou esse número. Na verdade, várias empresas de análise de blockchain e plataformas de inteligência posteriormente afirmaram que não conseguiram rastrear na cadeia pública de Bitcoin uma quantidade tão grande de ativos pertencentes ao país. Essa separação entre “possibilidade de ação” e “base factual” na resposta preserva todas as opções futuras, ao mesmo tempo em que evita dar respaldo oficial a rumores não confirmados, demonstrando habilidade em relações públicas e política. O momento dessa declaração também é delicado, ocorrendo poucos dias antes de uma audiência crucial do Comitê de Bancos do Senado dos EUA sobre a “Lei de Clareza do Mercado de Ativos Digitais”, reforçando indiretamente a urgência de uma estrutura regulatória clara e forte para criptomoedas no âmbito da segurança nacional.

A verdadeira posição da Venezuela em Bitcoin: US$ 60 bilhões ou US$ 15 milhões?

O núcleo do episódio é um número surpreendente, amplificado na mídia e nas redes sociais, mas difícil de verificar na cadeia: US$ 600 bilhões. O rumor afirma que o governo Maduro estaria secretamente acumulando até 600 mil BTC, além de possíveis stablecoins como USDT, como um “cofre secreto” para evitar as sanções financeiras severas dos EUA e aliados.

Reserva de Bitcoin da Venezuela: rumores versus dados de verificação na cadeia

Dados não confirmados (rumores):

  • Ativos: aproximadamente 600 mil BTC e possivelmente stablecoins como USDT.
  • Valor total: cerca de US$ 600 bilhões.
  • Fontes: relatos de mídia e especulações de analistas de mercado.
  • Status de verificação: não verificável na cadeia pública. Diversas empresas de análise (como Chainalysis, Elliptic) afirmam não encontrar evidências na cadeia que suportem esse volume.

Dados verificáveis na cadeia:

  • Ativos confirmados: cerca de 240 BTC.
  • Valor atual: aproximadamente US$ 15 milhões (com preço unitário de cerca de US$ 91 mil).
  • Fontes: endereços na blockchain rastreáveis e associados ao governo ou entidades estatais venezuelanas.
  • Status de verificação: verificado. Os movimentos desses endereços são transparentes e auditáveis.

Porém, ao analisar o livro-razão público do Bitcoin, especialistas descobrem que a evidência de posse de uma quantidade tão grande de BTC por parte do governo venezuelano é bastante distante do rumor. Atualmente, a quantidade atribuída com certeza ao governo ou entidades relacionadas é de aproximadamente 240 BTC, avaliada em cerca de US$ 15 milhões. Essa discrepância de seis ordens de magnitude evidencia a névoa de percepção em torno das reservas nacionais de criptomoedas.

Por que essa diferença tão grande? Especialistas sugerem algumas possibilidades: primeiro, que o rumor exagera ou interpreta mal as informações, confundindo reservas nacionais, ativos de estatais ou até de indivíduos ligados ao governo. Segundo, que esses ativos estejam dispersos em milhares de endereços altamente anônimos, usando mixers, moedas de privacidade ou pontes entre blockchains, dificultando o rastreamento convencional. Terceiro, e mais preocupante, que esses ativos simplesmente não existam na cadeia pública de Bitcoin ou Ethereum, estando armazenados em redes privadas, consórcios autorizados ou em armazenamento frio offline, completamente fora do alcance da transparência pública. Seja qual for o cenário, fica claro que avaliar a exposição real de um país em criptomoedas é muito mais difícil do que consultar suas reservas de ouro ou divisas.

Ponto de ignição geopolítico: da prisão de Maduro à narrativa de “evasão de sanções por criptografia”

A declaração de Atkins não surge do nada; ela é alimentada por uma crise geopolítica entre EUA e Venezuela que se intensificou recentemente. Na semana passada, sob ordens do presidente Trump, as forças armadas dos EUA prenderam Nicolás Maduro e o transferiram para Nova York, onde enfrenta uma série de acusações criminais. Essa ação sem precedentes elevou ao máximo a tensão entre os dois países. Nesse contexto, qualquer menção de que a Venezuela possa usar recursos financeiros para manter o regime e contornar sanções tornou-se foco de atenção dos formuladores de política americana.

Historicamente, o Departamento do Tesouro dos EUA acusou o regime de Maduro de usar redes financeiras globais complexas, incluindo criptomoedas, para burlar sanções internacionais que visam cortar suas fontes de financiamento. As sanções tradicionais, por meio do sistema SWIFT e de bancos intermediários, dificultam transações transfronteiriças após a inclusão na lista de sanções. A criptomoeda, com suas características ponto a ponto, transfronteiriças e autossuficientes, é vista por analistas como uma potencial “via de fuga” para regimes sancionados.

Porém, a prática de usar criptomoedas em grande escala enfrenta obstáculos enormes. Primeiramente, converter centenas de bilhões de dólares em criptomoedas sem ser detectado requer infiltração ou evasão das principais exchanges globais, com suas regras de “conheça seu cliente” e combate à lavagem de dinheiro. Em segundo lugar, mesmo que o regime consiga manter uma quantidade significativa de BTC, usá-lo para comprar bens ou serviços sem gerar alertas na cadeia ou causar movimentos de mercado é quase impossível. O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Tesouro já sancionou várias carteiras de BTC relacionadas ao governo venezuelano e trabalha em parceria com empresas como Chainalysis para rastrear transações. Assim, embora a narrativa de “criptomoedas para evasão de sanções” seja forte e mobilize a opinião pública, sua escala e eficácia podem estar superestimadas. A resposta de Atkins também funciona como uma mensagem de dissuasão, indicando que os EUA estão atentos e possuem opções de resposta.

“Zona cinzenta” de leis e tecnologia: seria possível confiscar reservas nacionais de Bitcoin?

Suponhamos, apenas por hipótese, que o rumor de US$ 600 bilhões em Bitcoin seja verdadeiro e que o governo dos EUA decida confiscá-los. Quais seriam os desafios? A resposta de Atkins, “ainda a ser observado”, revela uma “zona cinzenta” que atravessa aspectos jurídicos, tecnológicos e diplomáticos.

Dilema legal e de soberania: Confiscar reservas de um país soberano é uma medida extremamente severa, geralmente reservada a guerras ou hostilidades extremas. Os EUA já congelaram ativos de bancos centrais de países como Irã e Afeganistão, mas sob resoluções da ONU ou leis de emergência internas. Confiscar Bitcoin, embora seja um ativo virtual, equivale a confiscar ouro ou divisas estrangeiras, criando um precedente perigoso que pode desencadear retaliações e acelerar a desdolarização global e a construção de infraestruturas financeiras não americanas. Legalmente, os EUA precisariam de uma base sólida na legislação doméstica (como a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional) e estariam sujeitos a processos internacionais longos.

Desafios técnicos de execução: Diferente de congelar contas bancárias, confiscar Bitcoin exige obter controle de uma ou mais chaves privadas. Isso é muito mais complexo do que emitir uma ordem judicial. As chaves podem estar divididas em múltiplos endereços, armazenadas em hardware desconectado, criptografadas ou fragmentadas. Obter acesso às chaves pode envolver: 1) coerção ou negociação com custodiante ou detentores; 2) ataques cibernéticos sofisticados ou operações físicas de captura; 3) uso de computação quântica futura para quebrar criptografia. Cada caminho é incerto e pode fracassar, deixando os ativos inacessíveis na cadeia, sem benefício algum.

Risco diplomático e estratégico: Uma ação tão radical mudaria a noção de soberania digital. Seria uma declaração de que o governo americano pretende estender sua jurisdição ao próprio Bitcoin, uma rede descentralizada. Isso provavelmente aceleraria o desenvolvimento de moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) por outros países, além de estimular a criação de reservas alternativas fora do controle dos EUA. Do ponto de vista estratégico, é uma jogada de “matar um inimigo e se ferir”, que, embora possa prejudicar adversários, também enfraqueceria a autoridade moral dos EUA na arena financeira e tecnológica, incentivando a inovação soberana global.

Assim, a postura ambígua de Atkins talvez seja a “resposta padrão” mais alinhada aos interesses atuais dos EUA. Ela mantém uma dissuasão suficiente, evita promessas irrealizáveis e deixa todas as opções em aberto, ao mesmo tempo em que transfere a complexidade do problema para os setores diplomático, jurídico e de defesa. No cenário de criptomoedas cada vez mais integrado às disputas de poder, essa “ambiguidade estratégica” é uma ferramenta política cuidadosamente calculada.

Criptomoedas e sanções financeiras: o novo campo de batalha

Sanções financeiras são instrumentos não militares usados na política internacional para pressionar governos, entidades ou indivíduos, restringindo seu acesso ao sistema financeiro global. Tradicionalmente, o controle das instituições bancárias é o núcleo, pois a maioria das transações internacionais passa por bancos e pelo sistema SWIFT. Com o dólar como reserva mundial e Nova York como centro financeiro, os EUA detêm vantagem assimétrica.

Desafios trazidos pelas criptomoedas: Bitcoin e similares criaram uma rede financeira paralela, descentralizada, que não depende de bancos intermediários. Ela oferece possibilidades como:

  1. Reserva de valor: transferir riqueza para Bitcoin para evitar congelamentos em contas no exterior.
  2. Pagamentos transfronteiriços: enviar BTC diretamente a fornecedores ou parceiros.
  3. Disfarce e pseudonimato: usar mixers, moedas de privacidade ou pontes entre blockchains para dificultar rastreamento.

Resposta dos EUA e “sanções 2.0”: as autoridades americanas vêm adotando estratégias múltiplas:

  • Regulamentação mais rígida: obrigar exchanges a cumprir sanções, congelando contas.
  • Análise de cadeia: financiar e colaborar com empresas como Chainalysis para rastrear fluxos.
  • Ações legais: processar e punir exchanges ou indivíduos que prestem serviços a sancionados.
  • Capacidades técnicas: demonstrar que podem monitorar e até interferir em transações específicas (embora com limites).

Essa “guerra de gato e rato” continua. Os sancionados buscam novas brechas (exchanges descentralizadas, protocolos de privacidade), enquanto as autoridades atualizam regras e tecnologias. O caso da Venezuela mostra que essa disputa já é de nível geopolítico.

Reservas soberanas em criptomoedas: riscos, oportunidades e mudanças globais

Incluir criptomoedas nas reservas internacionais deixou de ser uma ideia futurista para se tornar uma possibilidade real para alguns países. Essa tendência tem motivações complexas e riscos elevados.

Primeiros exemplos e motivações:

  • El Salvador (2021): adotou o Bitcoin como moeda legal, comprando regularmente para a reserva do Estado, buscando inclusão financeira, redução de custos de remessas e diferenciação de marca.
  • República Centro-Africana (2022): tentou fazer do Bitcoin moeda legal, mas recuou por dificuldades.
  • Rússia: após sanções severas, há discussões sobre usar criptomoedas para comércio exterior.
  • Países pequenos: veem no Bitcoin uma proteção contra inflação ou risco soberano.

Oportunidades potenciais:

  1. Diversificação de ativos, além de dólares, ouro e euros.
  2. Soberania tecnológica, participando do ecossistema de criptoativos.
  3. Contrapeso geopolítico, criando alternativas ao sistema financeiro controlado pelos EUA.

Riscos e desafios:

  1. Volatilidade: oscilações drásticas podem prejudicar a estabilidade fiscal.
  2. Segurança de armazenamento: proteger chaves privadas de grandes quantidades é complexo.
  3. Incerteza regulatória: mudanças de regras podem transformar a situação de um dia para o outro.
  4. Liquidez: transformar grandes volumes sem impacto de mercado é difícil.
  5. Risco diplomático: pode ser usado como argumento contra o país ou alvo de ataques.

Perspectivas futuras: é improvável que as criptomoedas substituam totalmente reservas tradicionais em curto prazo, mas podem ser uma parcela de portfólios de países com maior risco ou sob sanções. Sua evolução dependerá de regulações internacionais, avanços tecnológicos e do cenário geopolítico. Os rumores envolvendo a Venezuela ilustram bem os riscos e as complexidades dessa estratégia.

BTC1,56%
Ver original
Esta página pode conter conteúdos de terceiros, que são fornecidos apenas para fins informativos (sem representações/garantias) e não devem ser considerados como uma aprovação dos seus pontos de vista pela Gate, nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Declaração de exoneração de responsabilidade para obter mais informações.
  • Recompensa
  • Comentar
  • Republicar
  • Partilhar
Comentar
0/400
Nenhum comentário
  • Fixar

Negocie cripto em qualquer lugar e a qualquer hora
qrCode
Digitalizar para transferir a aplicação Gate
Novidades
Português (Portugal)
  • 简体中文
  • English
  • Tiếng Việt
  • 繁體中文
  • Español
  • Русский
  • Français (Afrique)
  • Português (Portugal)
  • Bahasa Indonesia
  • 日本語
  • بالعربية
  • Українська
  • Português (Brasil)