## Criptomoedas como meio de pagamento em comércio internacional: uma nova tentativa de exportação militar do Irã
O Irã está explorando o uso de criptomoedas como uma alternativa de pagamento nas transações de bens militares. O site do Centro de Exportação do Ministério da Defesa do Irã (Mindex) atualizou recentemente a seção de perguntas frequentes, indicando que é possível aceitar "criptomoedas acordadas em contrato" como forma de pagamento na compra de equipamentos militares. Essa iniciativa reflete os esforços contínuos do Irã, em um contexto de sanções internacionais de longa duração, para diversificar os meios de liquidação comercial.
## Por que o Irã está migrando para as criptomoedas
Diante de sanções de múltiplos países, incluindo EUA, Reino Unido, França e Alemanha, o Irã consolidou as criptomoedas como uma ferramenta importante para o comércio transfronteiriço. Segundo Andrew Freedman, responsável pelo departamento de segurança nacional da Chainalysis, as criptomoedas tornaram-se um canal alternativo para facilitar transações internacionais e remessas.
As Forças Revolucionárias do Irã e suas redes de proxy recentemente ampliaram o uso de criptomoedas para transferência de fundos, vendas ilegais de petróleo, aquisição de material militar e comércio de bens. Dados rastreáveis indicam que o volume total dessas transações já ultrapassa US$ 2 bilhões. Freedman também destacou que organizações como o Hezbollah, Hamas e os Houthis usam criptomoedas em uma escala sem precedentes.
## Como funciona na prática a plataforma Mindex
Embora o Irã declare publicamente aceitar pagamentos em criptomoedas, especialistas duvidam da praticidade da plataforma como um local de transações reais. A empresa de segurança TRM Labs, representada por Ali Redbod, realizou uma análise detalhada das funcionalidades da plataforma.
Ele apontou que o site do Mindex carece de elementos típicos de comércio eletrônico — não há carrinho de compras, processo de checkout, confirmação de pedido ou infraestrutura de pagamento integrada. Ao clicar nos produtos, os visitantes não veem a opção de "comprar", apenas um botão de "adicionar ao termo de intenção". Essa ação redireciona para um formulário de termo de intenção, solicitando informações pessoais, nacionalidade, nome da empresa, contatos e fonte de recomendação. Em todo o processo, não há solicitação de informações de pagamento.
Os produtos listados incluem mísseis, aviões, tanques, embarcações, além de armas, munições, serviços de processamento de dados e equipamentos de comunicação. Contudo, nessas páginas não há preços, quantidade em estoque, cronogramas de entrega ou detalhes logísticos. Também faltam carteiras de criptomoedas, chaves públicas, contratos inteligentes ou trilhas de liquidação em blockchain.
## Declarações legais e o significado prático dos métodos de pagamento
Redbod enfatizou que as criptomoedas no site do Mindex são apenas mencionadas como uma das possíveis formas de liquidação "acordadas em contrato", ao lado de trocas comerciais e outros termos negociados. Essa formulação indica que o pagamento em criptomoedas não é uma opção automática de transação, mas algo que pode ser adotado com base em negociações específicas.
Ele acredita que o Mindex funciona mais como um "mecanismo de coleta de informações e envio de sinais", do que uma loja online com "funções de criptografia" reais. A transferência de armas estratégicas geralmente envolve processos políticos complexos, incluindo aprovação de licenças, garantias ao usuário final, auditorias de conformidade, logística, suporte de treinamento e garantias logísticas de longo prazo — tarefas que dificilmente podem ser realizadas por uma simples interação em um site.
## O paradoxo entre criptomoedas e transparência regulatória
Apesar de o Irã e suas forças proxy investirem pesadamente em transações com criptomoedas, essas atividades também aumentam a capacidade de rastreamento das autoridades. Em setembro do ano passado, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA (OFAC) acusou duas pessoas iranianas e uma rede de empresas fantasmas com sede em Hong Kong e nos Emirados Árabes Unidos de realizar transações com criptomoedas, com o objetivo de lavar cerca de US$ 100 milhões em receitas de vendas de petróleo. Esses fundos acabaram sendo direcionados às Forças Quds, uma divisão das Forças Revolucionárias do Irã, e ao apoio de defesa e logística do país.
Freedman da Chainalysis afirmou que essa rede complexa, que atravessa várias jurisdições e combina empresas fantasmas tradicionais com criptomoedas, evidencia a complexidade das estratégias modernas de evasão de sanções. No entanto, a transparência inerente ao blockchain também fornece às autoridades uma ferramenta sem precedentes para identificar e desmantelar redes sofisticadas de evasão de sanções que movimentam centenas de milhões de dólares.
## Resumo
A abertura do Irã para aceitar criptomoedas como método de pagamento na plataforma Mindex é mais uma mudança simbólica de política do que uma alteração real na estrutura do comércio militar. Na prática, as transferências militares estratégicas continuam a ocorrer principalmente por canais diplomáticos tradicionais. Ainda assim, o uso de criptomoedas para contornar sanções internacionais está acelerando, representando um desafio contínuo para o sistema global de regulação financeira.
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## Criptomoedas como meio de pagamento em comércio internacional: uma nova tentativa de exportação militar do Irã
O Irã está explorando o uso de criptomoedas como uma alternativa de pagamento nas transações de bens militares. O site do Centro de Exportação do Ministério da Defesa do Irã (Mindex) atualizou recentemente a seção de perguntas frequentes, indicando que é possível aceitar "criptomoedas acordadas em contrato" como forma de pagamento na compra de equipamentos militares. Essa iniciativa reflete os esforços contínuos do Irã, em um contexto de sanções internacionais de longa duração, para diversificar os meios de liquidação comercial.
## Por que o Irã está migrando para as criptomoedas
Diante de sanções de múltiplos países, incluindo EUA, Reino Unido, França e Alemanha, o Irã consolidou as criptomoedas como uma ferramenta importante para o comércio transfronteiriço. Segundo Andrew Freedman, responsável pelo departamento de segurança nacional da Chainalysis, as criptomoedas tornaram-se um canal alternativo para facilitar transações internacionais e remessas.
As Forças Revolucionárias do Irã e suas redes de proxy recentemente ampliaram o uso de criptomoedas para transferência de fundos, vendas ilegais de petróleo, aquisição de material militar e comércio de bens. Dados rastreáveis indicam que o volume total dessas transações já ultrapassa US$ 2 bilhões. Freedman também destacou que organizações como o Hezbollah, Hamas e os Houthis usam criptomoedas em uma escala sem precedentes.
## Como funciona na prática a plataforma Mindex
Embora o Irã declare publicamente aceitar pagamentos em criptomoedas, especialistas duvidam da praticidade da plataforma como um local de transações reais. A empresa de segurança TRM Labs, representada por Ali Redbod, realizou uma análise detalhada das funcionalidades da plataforma.
Ele apontou que o site do Mindex carece de elementos típicos de comércio eletrônico — não há carrinho de compras, processo de checkout, confirmação de pedido ou infraestrutura de pagamento integrada. Ao clicar nos produtos, os visitantes não veem a opção de "comprar", apenas um botão de "adicionar ao termo de intenção". Essa ação redireciona para um formulário de termo de intenção, solicitando informações pessoais, nacionalidade, nome da empresa, contatos e fonte de recomendação. Em todo o processo, não há solicitação de informações de pagamento.
Os produtos listados incluem mísseis, aviões, tanques, embarcações, além de armas, munições, serviços de processamento de dados e equipamentos de comunicação. Contudo, nessas páginas não há preços, quantidade em estoque, cronogramas de entrega ou detalhes logísticos. Também faltam carteiras de criptomoedas, chaves públicas, contratos inteligentes ou trilhas de liquidação em blockchain.
## Declarações legais e o significado prático dos métodos de pagamento
Redbod enfatizou que as criptomoedas no site do Mindex são apenas mencionadas como uma das possíveis formas de liquidação "acordadas em contrato", ao lado de trocas comerciais e outros termos negociados. Essa formulação indica que o pagamento em criptomoedas não é uma opção automática de transação, mas algo que pode ser adotado com base em negociações específicas.
Ele acredita que o Mindex funciona mais como um "mecanismo de coleta de informações e envio de sinais", do que uma loja online com "funções de criptografia" reais. A transferência de armas estratégicas geralmente envolve processos políticos complexos, incluindo aprovação de licenças, garantias ao usuário final, auditorias de conformidade, logística, suporte de treinamento e garantias logísticas de longo prazo — tarefas que dificilmente podem ser realizadas por uma simples interação em um site.
## O paradoxo entre criptomoedas e transparência regulatória
Apesar de o Irã e suas forças proxy investirem pesadamente em transações com criptomoedas, essas atividades também aumentam a capacidade de rastreamento das autoridades. Em setembro do ano passado, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA (OFAC) acusou duas pessoas iranianas e uma rede de empresas fantasmas com sede em Hong Kong e nos Emirados Árabes Unidos de realizar transações com criptomoedas, com o objetivo de lavar cerca de US$ 100 milhões em receitas de vendas de petróleo. Esses fundos acabaram sendo direcionados às Forças Quds, uma divisão das Forças Revolucionárias do Irã, e ao apoio de defesa e logística do país.
Freedman da Chainalysis afirmou que essa rede complexa, que atravessa várias jurisdições e combina empresas fantasmas tradicionais com criptomoedas, evidencia a complexidade das estratégias modernas de evasão de sanções. No entanto, a transparência inerente ao blockchain também fornece às autoridades uma ferramenta sem precedentes para identificar e desmantelar redes sofisticadas de evasão de sanções que movimentam centenas de milhões de dólares.
## Resumo
A abertura do Irã para aceitar criptomoedas como método de pagamento na plataforma Mindex é mais uma mudança simbólica de política do que uma alteração real na estrutura do comércio militar. Na prática, as transferências militares estratégicas continuam a ocorrer principalmente por canais diplomáticos tradicionais. Ainda assim, o uso de criptomoedas para contornar sanções internacionais está acelerando, representando um desafio contínuo para o sistema global de regulação financeira.