Cada avanço surge de uma nova reestruturação cerebral,
e confere aos animais um conjunto de novas propriedades inteligentes.
A seguir, os factos centrais sobre como diferentes níveis de inteligência evoluem:
Primeiro avanço: mudança de orientação (buscar lucros e evitar danos)
Nível biológico: os primeiros animais bilateralmente simétricos há 5,5 bilhões de anos (como ancestrais semelhantes a nematóides).
Base anatómica: surgimento do primeiro cérebro (alguns centenas de neurónios) e corpo bilateralmente simétrico.
Características inteligentes:
Valência: dividir o mundo em “bom” e “mau”,
gerando decisões primitivas de aproximação ou evitação.
Navegação básica: capacidade de orientar-se por concentrações químicas,
evitar perigos (alta temperatura,
luz forte) e nadar em direção à comida.
Emoções primitivas: evolução de funções iniciais de dopamina e serotonina,
que representam sinais de “coisa boa chegando” e “coisa boa acontecendo”.
Segundo avanço: aprendizagem por reforço
Nível biológico: cerca de 5 bilhões de anos atrás, os primeiros peixes com vértebras (como peixes primitivos semelhantes a lampreias).
Base anatómica: formação das seis estruturas básicas do cérebro moderno (gânglios basais,
tálamo,
hipotálamo,
mesencéfalo,
cerebelo,
córtex primitivo).
Características inteligentes:
Aprendizagem por tentativa e erro: evolução dos gânglios basais,
utilizando dopamina como sinal de “diferença temporal”,
permitindo que os animais aprendam sequências complexas de ações por tentativa,
não apenas por reflexo.
Curiosidade: a surpresa em si torna-se um sinal de reforço,
impulsionando a exploração de novos ambientes.
Reconhecimento de padrões: surgimento do córtex primitivo,
permitindo ao cérebro reconhecer cheiros ou padrões visuais específicos,
não mais dependente de estímulos únicos.
Terceiro avanço: simulação e planeamento
Nível biológico: mamíferos primitivos (como pequenos mamíferos que viviam em cavernas na era dos dinossauros).
Base anatómica: surgimento do neocórtex.
Características inteligentes:
Simulação interna: o neocórtex confere aos animais a capacidade de “simular internamente” ações antes de executá-las,
ou seja, prever diferentes possibilidades na mente.
Pensamento lento: transição de comportamentos meramente reativos para planeamento,
capazes de ponderar diferentes resultados imaginados e fazer escolhas,
o que corresponde ao “Sistema 2” do pensamento na psicologia.
Quarto avanço: teoria da mente (mentalização)
Nível biológico: primatas.
Características inteligentes:
Simulação social: capacidade de simular intenções,
pensamentos e emoções de outros (ou seja, teoria da mente),
permitindo interações sociais complexas e “manipulação política”.
Aprendizagem por imitação: compreender as intenções por trás dos movimentos de outros,
aprendendo rapidamente habilidades por imitação,
sem precisar de tentativa e erro a cada momento.
Quinto avanço: linguagem e pensamento abstrato
Nível biológico: humanos.
Características inteligentes:
Sistema de símbolos: a linguagem não é apenas uma ferramenta de comunicação,
mas um sistema simbólico social,
que permite transmitir diretamente ideias ou modelos complexos.
Transmissão cultural: a linguagem faz o conhecimento transcender a experiência individual,
fazendo a evolução do pensamento escapar do ritmo lento da evolução biológica,
e impulsionando a civilização humana.
$GoogleA(GOOGL)$
Vozes críticas e limitações potenciais
Embora “Breve História da Inteligência” seja elogiada por sua visão abrangente e capacidade de integração interdisciplinar por estudiosos como Daniel Kahneman,
de uma perspetiva de biologia evolutiva,
neurociência e inteligência artificial (IA),
o livro também enfrenta algumas críticas e limitações potenciais:
Questionamento da simplificação do quadro das “cinco rupturas”
Críticos argumentam que,
Bennett simplificou uma história evolutiva complexa de 6 bilhões de anos em “cinco saltos”, o que facilita a divulgação,
mas possui forte conotação de teleologia.
A evolução não é uma escada: a comunidade de biologia evolutiva geralmente acredita que,
a evolução não é uma escada que sobe até alcançar “inteligência humana” como destino final,
mas uma árvore que se ramifica em várias direções.
Simplificação excessiva: o livro associa funções de áreas cerebrais complexas a fases evolutivas específicas (por exemplo, igualando completamente o neocórtex à simulação e planeamento),
o que pode ser considerado uma simplificação excessiva na neurociência.
Na realidade,
há uma cooperação altamente complexa entre áreas cerebrais antigas (como os gânglios basais) e novas (neocórtex),
não apenas uma “adição de módulos”.
Controvérsia sobre o caminho de “imitação da evolução” na IA
Bennett sugere no livro que,
para alcançar uma verdadeira inteligência artificial geral (AGI),
o desenvolvimento da IA deve reproduzir as cinco fases da evolução biológica (corpo,
aprendizagem por reforço,
simulação, etc.).
Questões de eficiência computacional: críticos apontam que,
a IA não precisa necessariamente imitar o caminho biológico para superar os humanos.
Assim como um avião pode voar mais alto sem bater asas,
arquiteturas baseadas em grandes volumes de dados, como Transformers (ex. GPT-4),
já demonstram capacidades de raciocínio e linguagem muito avançadas, sem passar por “cinco rupturas evolutivas”.
Ignorar vantagens não biológicas: há opiniões de que,
exagerar a origem biológica pode negligenciar vantagens específicas do silício (como alta capacidade de cálculo,
memória infinita e compartilhamento instantâneo de conhecimento),
limitando a imaginação sobre o potencial da IA.
Limitações da “linguagem” como última linha de defesa
O livro vê a linguagem e o pensamento abstrato como o auge e a última grande ruptura da inteligência humana.
Impacto dos LLMs: com o surgimento dos grandes modelos de linguagem (LLMs),
percebe-se que a capacidade linguística parece emergir de uma vasta quantidade de textos estatísticos,
sem necessidade de simulação social complexa ou teoria da mente, como os humanos.
Isso desafia o argumento do livro de que “a linguagem deve estar baseada na socialização e na simulação mental”.
Sacrifício da profundidade interdisciplinar
Por abranger paleontologia,
neuroanatomia,
psicologia e ciência da computação,
alguns especialistas de áreas específicas consideram que há falta de rigor em certos detalhes:
Detalhes anatómicos: neurobiólogos apontam que,
as descrições de algumas funções de áreas cerebrais no livro tendem a uma “teoria da localização funcional”,
desconsiderando a crescente importância das “redes distribuídas” na neurociência moderna.
Recorte da história da IA: para alinhar com a narrativa evolutiva,
há menos discussão sobre partes do desenvolvimento da IA que não se encaixam nessa lógica (como a lógica simbólica).
Preocupações com o antropocentrismo
Apesar de Bennett enfatizar a evolução da inteligência,
a narrativa do livro ainda é “de organismos simples a humanos complexos”,
o que alguns filósofos ecológicos criticam como “antropocentrismo”.
Essa visão pode levar os leitores a pensar que a inteligência de outros seres (como polvo ou corvos) é apenas um “produto intermediário” na jornada até a inteligência humana,
desconsiderando a sua própria especialização extrema em suas trajetórias evolutivas.
Resumo: “Breve História da Inteligência” é considerado uma excelente obra de “grande história”,
com grande sucesso na divulgação científica e na inspiração interdisciplinar.
Mas, para pesquisadores que buscam máxima precisão,
é mais uma “hipótese” perspicaz do que uma conclusão científica definitiva.
Seu maior valor reside em alertar os desenvolvedores de IA: inteligência não é apenas cálculo,
mas uma acumulação de soluções de sobrevivência ao longo do tempo em ambientes complexos.
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História da Inteligência: As Cinco Grandes Conquistas da Inteligência
Cada avanço surge de uma nova reestruturação cerebral,
e confere aos animais um conjunto de novas propriedades inteligentes.
A seguir, os factos centrais sobre como diferentes níveis de inteligência evoluem:
Primeiro avanço: mudança de orientação (buscar lucros e evitar danos)
Nível biológico: os primeiros animais bilateralmente simétricos há 5,5 bilhões de anos (como ancestrais semelhantes a nematóides).
Base anatómica: surgimento do primeiro cérebro (alguns centenas de neurónios) e corpo bilateralmente simétrico.
Características inteligentes:
Valência: dividir o mundo em “bom” e “mau”,
gerando decisões primitivas de aproximação ou evitação.
Navegação básica: capacidade de orientar-se por concentrações químicas,
evitar perigos (alta temperatura,
luz forte) e nadar em direção à comida.
Emoções primitivas: evolução de funções iniciais de dopamina e serotonina,
que representam sinais de “coisa boa chegando” e “coisa boa acontecendo”.
Segundo avanço: aprendizagem por reforço
Nível biológico: cerca de 5 bilhões de anos atrás, os primeiros peixes com vértebras (como peixes primitivos semelhantes a lampreias).
Base anatómica: formação das seis estruturas básicas do cérebro moderno (gânglios basais,
tálamo,
hipotálamo,
mesencéfalo,
cerebelo,
córtex primitivo).
Características inteligentes:
Aprendizagem por tentativa e erro: evolução dos gânglios basais,
utilizando dopamina como sinal de “diferença temporal”,
permitindo que os animais aprendam sequências complexas de ações por tentativa,
não apenas por reflexo.
Curiosidade: a surpresa em si torna-se um sinal de reforço,
impulsionando a exploração de novos ambientes.
Reconhecimento de padrões: surgimento do córtex primitivo,
permitindo ao cérebro reconhecer cheiros ou padrões visuais específicos,
não mais dependente de estímulos únicos.
Terceiro avanço: simulação e planeamento
Nível biológico: mamíferos primitivos (como pequenos mamíferos que viviam em cavernas na era dos dinossauros).
Base anatómica: surgimento do neocórtex.
Características inteligentes:
Simulação interna: o neocórtex confere aos animais a capacidade de “simular internamente” ações antes de executá-las,
ou seja, prever diferentes possibilidades na mente.
Pensamento lento: transição de comportamentos meramente reativos para planeamento,
capazes de ponderar diferentes resultados imaginados e fazer escolhas,
o que corresponde ao “Sistema 2” do pensamento na psicologia.
Quarto avanço: teoria da mente (mentalização)
Nível biológico: primatas.
Características inteligentes:
Simulação social: capacidade de simular intenções,
pensamentos e emoções de outros (ou seja, teoria da mente),
permitindo interações sociais complexas e “manipulação política”.
Aprendizagem por imitação: compreender as intenções por trás dos movimentos de outros,
aprendendo rapidamente habilidades por imitação,
sem precisar de tentativa e erro a cada momento.
Quinto avanço: linguagem e pensamento abstrato
Nível biológico: humanos.
Características inteligentes:
Sistema de símbolos: a linguagem não é apenas uma ferramenta de comunicação,
mas um sistema simbólico social,
que permite transmitir diretamente ideias ou modelos complexos.
Transmissão cultural: a linguagem faz o conhecimento transcender a experiência individual,
fazendo a evolução do pensamento escapar do ritmo lento da evolução biológica,
e impulsionando a civilização humana.
$GoogleA(GOOGL)$
Vozes críticas e limitações potenciais
Embora “Breve História da Inteligência” seja elogiada por sua visão abrangente e capacidade de integração interdisciplinar por estudiosos como Daniel Kahneman,
de uma perspetiva de biologia evolutiva,
neurociência e inteligência artificial (IA),
o livro também enfrenta algumas críticas e limitações potenciais:
Críticos argumentam que,
Bennett simplificou uma história evolutiva complexa de 6 bilhões de anos em “cinco saltos”, o que facilita a divulgação,
mas possui forte conotação de teleologia.
A evolução não é uma escada: a comunidade de biologia evolutiva geralmente acredita que,
a evolução não é uma escada que sobe até alcançar “inteligência humana” como destino final,
mas uma árvore que se ramifica em várias direções.
Simplificação excessiva: o livro associa funções de áreas cerebrais complexas a fases evolutivas específicas (por exemplo, igualando completamente o neocórtex à simulação e planeamento),
o que pode ser considerado uma simplificação excessiva na neurociência.
Na realidade,
há uma cooperação altamente complexa entre áreas cerebrais antigas (como os gânglios basais) e novas (neocórtex),
não apenas uma “adição de módulos”.
Bennett sugere no livro que,
para alcançar uma verdadeira inteligência artificial geral (AGI),
o desenvolvimento da IA deve reproduzir as cinco fases da evolução biológica (corpo,
aprendizagem por reforço,
simulação, etc.).
Questões de eficiência computacional: críticos apontam que,
a IA não precisa necessariamente imitar o caminho biológico para superar os humanos.
Assim como um avião pode voar mais alto sem bater asas,
arquiteturas baseadas em grandes volumes de dados, como Transformers (ex. GPT-4),
já demonstram capacidades de raciocínio e linguagem muito avançadas, sem passar por “cinco rupturas evolutivas”.
Ignorar vantagens não biológicas: há opiniões de que,
exagerar a origem biológica pode negligenciar vantagens específicas do silício (como alta capacidade de cálculo,
memória infinita e compartilhamento instantâneo de conhecimento),
limitando a imaginação sobre o potencial da IA.
O livro vê a linguagem e o pensamento abstrato como o auge e a última grande ruptura da inteligência humana.
Impacto dos LLMs: com o surgimento dos grandes modelos de linguagem (LLMs),
percebe-se que a capacidade linguística parece emergir de uma vasta quantidade de textos estatísticos,
sem necessidade de simulação social complexa ou teoria da mente, como os humanos.
Isso desafia o argumento do livro de que “a linguagem deve estar baseada na socialização e na simulação mental”.
Por abranger paleontologia,
neuroanatomia,
psicologia e ciência da computação,
alguns especialistas de áreas específicas consideram que há falta de rigor em certos detalhes:
Detalhes anatómicos: neurobiólogos apontam que,
as descrições de algumas funções de áreas cerebrais no livro tendem a uma “teoria da localização funcional”,
desconsiderando a crescente importância das “redes distribuídas” na neurociência moderna.
Recorte da história da IA: para alinhar com a narrativa evolutiva,
há menos discussão sobre partes do desenvolvimento da IA que não se encaixam nessa lógica (como a lógica simbólica).
Apesar de Bennett enfatizar a evolução da inteligência,
a narrativa do livro ainda é “de organismos simples a humanos complexos”,
o que alguns filósofos ecológicos criticam como “antropocentrismo”.
Essa visão pode levar os leitores a pensar que a inteligência de outros seres (como polvo ou corvos) é apenas um “produto intermediário” na jornada até a inteligência humana,
desconsiderando a sua própria especialização extrema em suas trajetórias evolutivas.
Resumo: “Breve História da Inteligência” é considerado uma excelente obra de “grande história”,
com grande sucesso na divulgação científica e na inspiração interdisciplinar.
Mas, para pesquisadores que buscam máxima precisão,
é mais uma “hipótese” perspicaz do que uma conclusão científica definitiva.
Seu maior valor reside em alertar os desenvolvedores de IA: inteligência não é apenas cálculo,
mas uma acumulação de soluções de sobrevivência ao longo do tempo em ambientes complexos.