O que está a acontecer quando os fundos indexados eliminam empresas que detêm Bitcoin?

Em outubro, o grupo de serviços financeiros dos EUA MSCI começou a consultar sobre a questão “empresas detentoras de ativos digitais”. Esta discussão foi iniciada quando as abordagens para obter exposição ao Bitcoin começaram a divergir claramente.

Até meados de 2025, existem três canais principais que direcionam o fluxo de capital institucional para o BTC: fundos ETF de Bitcoin à vista com ativos sob gestão superiores a 100 bilhões de USD, empresas de mineração de marca com operações integradas de Bitcoin, e um grupo emergente de empresas públicas com tesouraria de criptoativos como atividade principal. A MSCI concentra-se no terceiro grupo, questionando se essas empresas são realmente operacionais ou apenas fundos encapsulados por uma fachada corporativa.

Novas regras da MSCI criam instabilidade

A proposta da MSCI é bastante clara: remover dos Índices de Mercado Global qualquer empresa que possua ativos digitais superiores a 50% do total de ativos. A MSCI também solicita feedback do mercado sobre se empresas que se autodenominam “tesourarias de ativos digitais” ou que principalmente levantam fundos para acumular Bitcoin devem ser tratadas de forma semelhante.

O cronograma para essa mudança está bem definido: consulta termina em 31 de dezembro, a decisão final está prevista para 15 de janeiro, e a implementação ocorrerá na revisão do índice de fevereiro de 2026.

JPMorgan simula impacto da exclusão

Analistas do JPMorgan responderam analisando todo o cenário. Segundo suas estimativas de novembro, a capitalização de mercado da Strategy (MSTR) está em torno de 59 bilhões de USD, com cerca de 9 bilhões de USD em ativos detidos por fundos passivos que seguem grandes índices.

Se apenas a MSCI implementar o plano de exclusão da Strategy, aproximadamente 2,8 bilhões de USD em ativos passivos terão que ser vendidos. No entanto, se Russell e outros provedores de índices também seguirem o exemplo, o fluxo de capital total pode chegar a 8,8-9 bilhões de USD, segundo cálculos do Barron’s.

Essa preocupação não é infundada — será o segundo choque de índice que a Strategy enfrentará após ser excluída do S&P 500 anteriormente, e o mercado reagiu fortemente. O JPMorgan foi criticado publicamente por supostamente realizar negociações antes da divulgação, estimulando chamadas ao boicote (boycott) ao banco e vendas a descoberto de suas ações.

Tensão mais profunda: Bitcoin beta entra em portfólios tradicionais

Por trás dessa controvérsia há um problema estrutural maior. Segundo o relatório de consultoria da DLA Piper de outubro, o setor de tesourarias de ativos digitais explodiu. Mais de 200 empresas públicas americanas adotaram essa estratégia até setembro de 2025, detendo cerca de 115 bilhões de USD em criptomoedas, com uma capitalização total de mercado de ações de aproximadamente 150 bilhões de USD — um aumento de 40 bilhões de USD em relação ao ano anterior.

Dessas, cerca de 190 empresas focam em Bitcoin, enquanto 10-20 possuem outros tokens. Com o Bitcoin atualmente cotado a 92,16K USD e representando 55,98% do valor total de mercado de cripto, a escolha é claramente justificada.

Para organizações limitadas por regulamentos que proíbem a posse direta de criptomoedas, essas ações oferecem uma alternativa conveniente: acompanhar o BTC por meio de exposição acionária sem violar restrições de conformidade. Mas essa conveniência tem um preço alto.

Lacuna estrutural no modelo de tesouraria

Muitas tesourarias mais recentes financiaram compras de Bitcoin por meio de títulos conversíveis e emissões privadas. Quando o preço de suas ações cai abaixo do valor do Bitcoin que possuem, o conselho de administração enfrenta pressão para vender moedas e recomprar ações — uma situação delicada.

As tesourarias de ativos digitais investiram cerca de 42,7 bilhões de USD em criptomoedas em 2025, com 22,6 bilhões de USD apenas no terceiro trimestre. Isso também enfrentou seus próprios desafios.

Considerando a Solana, com preço atual de 143,01 USD e capitalização de 80,74 bilhões de USD, as tesourarias focadas em SOL viram o valor líquido total de seus ativos diminuir de 3,5 bilhões de USD para 2,1 bilhões de USD — uma redução de 40%. Isso pode desencadear liquidações forçadas na faixa de 4,3-6,4 bilhões de USD se uma pequena parte das posições for liquidada.

ETFs de Bitcoin ganham protagonismo

Ao mesmo tempo, os ETFs de Bitcoin à vista ultrapassaram a marca de 100 bilhões de USD em ativos sob gestão em menos de um ano desde o lançamento. O ETF da BlackRock, por exemplo, detém mais de 100 bilhões de USD em Bitcoin e cerca de 6,8% da oferta circulante até o final de 2025.

Esses produtos oferecem uma exposição ao Bitcoin mais pura, sem os problemas de balanço patrimonial alavancado ou desconto NAV presentes em ETFs de tesouraria. O Ethereum também é acompanhado, com preço atual de 3,16K USD e capitalização de 381,56 bilhões de USD, embora o foco principal ainda seja o Bitcoin.

A consulta da MSCI acelera uma rotação de capital que já vinha ocorrendo: a exposição ao BTC está migrando de ações de tesourarias (os vendedores obrigatórios quando a avaliação despenca) para ETFs gerenciados.

Consequências mais amplas

Para o Bitcoin, essa rotação pode ser neutra ou até positiva se o fluxo de capital para ETFs compensar as vendas das tesourarias. Mas, para as ações, é claramente negativo em termos de liquidez. Para o domínio do BTC, essas mudanças podem reforçar a vantagem estrutural do Bitcoin: produtos nos quais as organizações migraram são quase exclusivamente BTC.

No entanto, algumas tesourarias já experimentaram com Solana, Ethereum e outros tokens, mostrando que nem todas essas ações são unidirecionais.

Enquanto isso, Russell e FTSE Russell ainda não iniciaram consultas oficiais sobre tesourarias de ativos digitais, mas o cenário de 8,8-9 bilhões de USD do JPMorgan assume que grandes provedores seguirão gradualmente a abordagem da MSCI ao longo do tempo.

O verdadeiro ponto: quem possuirá o Bitcoin?

A ação da MSCI força as organizações a decidirem: o Bitcoin deve estar incluído nos índices de ações ou em produtos cripto específicos? Essa consulta é metodológica, mas suas consequências são estruturais — ela decide se o BTC beta estará em ETFs e em algumas grandes tesourarias corporativas, ou em um ecossistema descentralizado de detentores com balanços menores, que se tornarão vendedores obrigatórios em uma reversão de mercado.

A resposta não apenas redefine os índices, mas também molda a concentração de propriedade do Bitcoin no futuro.

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