A verdadeira notícia não vem da Nasdaq, mas da SEC
Em 11 de dezembro de 2025, horário da costa leste dos EUA, a SEC emitiu uma “No-Action Letter (NAL)” à DTCC, o gigante da custódia centralizada dos Estados Unidos. Enquanto os mercados se dividem sobre os detalhes do Formulário 19b-4 da Nasdaq (relativo à expansão dos horários de negociação), esta carta representa o primeiro passo concreto em direção à tokenização das ações americanas.
Muitos investidores interpretaram o documento como uma aprovação total do uso de blockchain no mercado de ações dos EUA. A realidade é mais sutil, mas igualmente significativa para o futuro das finanças.
Quem realmente controla o mercado de ações: DTCC e DTC
Para entender o significado desta carta, é preciso conhecer os principais atores.
DTC (Depository Trust Company) é uma subsidiária da DTCC (Depository Trust & Clearing Corporation), o colosso que gerencia a custódia, compensação e liquidação de ações e títulos nos Estados Unidos. Atualmente, a DTC administra títulos por mais de 100 trilhões de dólares, operando essencialmente como o livro razão centralizado de todo o mercado de ações dos EUA. Cada compra, venda e transferência passa pelos sistemas da DTC.
Se Wall Street tivesse um “banco de dados central”, seria a DTC.
O que realmente é esta No-Action Letter?
A SEC não concedeu uma aprovação legal no sentido estrito, mas comunicou que não tomará ações legais contra a DTC durante o período piloto de tokenização, desde que sejam respeitados parâmetros específicos.
Essa distinção é crucial: a NAL não altera as regras dos títulos, nem legaliza a blockchain em geral no mercado de ações. Trata-se, antes, de uma isenção processual temporária da Seção 19(b) do Securities Exchange Act, que normalmente exige aprovações longas (de até 240 dias) para qualquer mudança regulatória. Para experimentar a tokenização sem paralisar os processos, a DTC solicitou e obteve uma isenção durante o período piloto.
Como funcionará a tokenização segundo o plano da DTC
De acordo com o documento da SEC, aqui está o processo operacional:
Fase 1 - Emissão de tokens: Quando um corretor deseja tokenizar suas ações, ele as transfere de uma conta tradicional para um pool centralizado na DTC. A DTC então gera tokens na blockchain e os transfere para uma carteira registrada e aprovada.
Fase 2 - Circulação: Esses tokens podem circular diretamente entre corretores sem passar pelo sistema centralizado da DTC a cada transação, aumentando significativamente a velocidade.
Fase 3 - Monitoramento: Todos os movimentos são registrados em tempo real por um sistema off-chain chamado LedgerScan, que permanece como o livro razão oficial. A DTC mantém controle total: pode transferir ou destruir tokens em circunstâncias específicas, e as carteiras aprovadas são limitadas apenas aos participantes autorizados do mercado.
Fase 4 - Detokenização: Sempre que necessário, o corretor pode converter os tokens de volta em ações tradicionais no sistema centralizado.
Na prática, o sistema permanece centralizado e controlado, mas com uma “sobreposição tokenizada” para melhorar a eficiência operacional. A natureza legal das ações não muda, apenas a tecnologia de back-office evolui.
Duas vias paralelas rumo ao futuro
A tokenização das ações dos EUA não seguirá um único caminho:
Caminho oficial (DTCC/DTC): Desenvolvido principalmente pelas infraestruturas institucionais, invisível aos investidores finais. As ações continuam ações, mas os sistemas de compensação e reconciliação tornam-se mais rápidos. Público-alvo: instituições e traders por atacado.
Caminho do front-end (corretores e plataformas): Robinhood, MSX e outras plataformas de trading podem atuar como interface para os investidores de varejo, integrando trading fracionado, horários estendidos e novas formas de ativos digitais. Para eles, a tokenização é uma extensão natural da experiência de investimento, não uma revolução.
Ambos os cenários dependem de uma estrutura regulatória mais clara nos próximos meses.
O que essa carta significa para os mercados?
Do ponto de vista legal, a NAL é uma comunicação oficial, mas não vinculativa. Nos ordenamentos sobre títulos dos EUA, não há uma disposição que “proíba” a blockchain, mas regulamentos que exigem conformidade com sistemas de custódia, gestão de risco e responsabilidade.
O que a SEC comunicou essencialmente é: “A tokenização pode avançar se manter os limites legais e de segurança atuais.”
Simbolicamente, esta carta representa um momento de virada. Uma instituição de importância sistêmica como a DTCC não teria pedido uma isenção processual se não visse a tokenização como uma infraestrutura futura de longo prazo. E a SEC não teria respondido positivamente se considerasse a tecnologia incompatível com a regulatória de títulos.
O verdadeiro significado: da era da incerteza para a era do ajuste
A tokenização das ações americanas não revolucionará Wall Street na hora leste dos EUA nos próximos meses, mas marca a transição de um debate teórico para uma experimentação controlada.
A discussão passou de “é legal?” para “como implementar com segurança?” — uma transição fundamental.
No curto prazo, os benefícios envolverão principalmente os tempos de liquidação (T+1 ou até mesmo T+0), custos operacionais reduzidos e integração entre mercados. No médio prazo, podem surgir novos modelos de custódia e circulação de ativos. No longo prazo, essa infraestrutura pode se tornar a base para um mercado de títulos mais eficiente e interconectado.
Para investidores e participantes do mercado, a mensagem é clara: a tokenização das ações dos EUA não é mais uma possibilidade distante, mas um projeto já na agenda das autoridades reguladoras. Acompanhar os desdobramentos não é opcional, é necessário.
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Mudança regulatória: a SEC autoriza o DTC a experimentar a tokenização de ações dos EUA na hora do leste
A verdadeira notícia não vem da Nasdaq, mas da SEC
Em 11 de dezembro de 2025, horário da costa leste dos EUA, a SEC emitiu uma “No-Action Letter (NAL)” à DTCC, o gigante da custódia centralizada dos Estados Unidos. Enquanto os mercados se dividem sobre os detalhes do Formulário 19b-4 da Nasdaq (relativo à expansão dos horários de negociação), esta carta representa o primeiro passo concreto em direção à tokenização das ações americanas.
Muitos investidores interpretaram o documento como uma aprovação total do uso de blockchain no mercado de ações dos EUA. A realidade é mais sutil, mas igualmente significativa para o futuro das finanças.
Quem realmente controla o mercado de ações: DTCC e DTC
Para entender o significado desta carta, é preciso conhecer os principais atores.
DTC (Depository Trust Company) é uma subsidiária da DTCC (Depository Trust & Clearing Corporation), o colosso que gerencia a custódia, compensação e liquidação de ações e títulos nos Estados Unidos. Atualmente, a DTC administra títulos por mais de 100 trilhões de dólares, operando essencialmente como o livro razão centralizado de todo o mercado de ações dos EUA. Cada compra, venda e transferência passa pelos sistemas da DTC.
Se Wall Street tivesse um “banco de dados central”, seria a DTC.
O que realmente é esta No-Action Letter?
A SEC não concedeu uma aprovação legal no sentido estrito, mas comunicou que não tomará ações legais contra a DTC durante o período piloto de tokenização, desde que sejam respeitados parâmetros específicos.
Essa distinção é crucial: a NAL não altera as regras dos títulos, nem legaliza a blockchain em geral no mercado de ações. Trata-se, antes, de uma isenção processual temporária da Seção 19(b) do Securities Exchange Act, que normalmente exige aprovações longas (de até 240 dias) para qualquer mudança regulatória. Para experimentar a tokenização sem paralisar os processos, a DTC solicitou e obteve uma isenção durante o período piloto.
Como funcionará a tokenização segundo o plano da DTC
De acordo com o documento da SEC, aqui está o processo operacional:
Fase 1 - Emissão de tokens: Quando um corretor deseja tokenizar suas ações, ele as transfere de uma conta tradicional para um pool centralizado na DTC. A DTC então gera tokens na blockchain e os transfere para uma carteira registrada e aprovada.
Fase 2 - Circulação: Esses tokens podem circular diretamente entre corretores sem passar pelo sistema centralizado da DTC a cada transação, aumentando significativamente a velocidade.
Fase 3 - Monitoramento: Todos os movimentos são registrados em tempo real por um sistema off-chain chamado LedgerScan, que permanece como o livro razão oficial. A DTC mantém controle total: pode transferir ou destruir tokens em circunstâncias específicas, e as carteiras aprovadas são limitadas apenas aos participantes autorizados do mercado.
Fase 4 - Detokenização: Sempre que necessário, o corretor pode converter os tokens de volta em ações tradicionais no sistema centralizado.
Na prática, o sistema permanece centralizado e controlado, mas com uma “sobreposição tokenizada” para melhorar a eficiência operacional. A natureza legal das ações não muda, apenas a tecnologia de back-office evolui.
Duas vias paralelas rumo ao futuro
A tokenização das ações dos EUA não seguirá um único caminho:
Caminho oficial (DTCC/DTC): Desenvolvido principalmente pelas infraestruturas institucionais, invisível aos investidores finais. As ações continuam ações, mas os sistemas de compensação e reconciliação tornam-se mais rápidos. Público-alvo: instituições e traders por atacado.
Caminho do front-end (corretores e plataformas): Robinhood, MSX e outras plataformas de trading podem atuar como interface para os investidores de varejo, integrando trading fracionado, horários estendidos e novas formas de ativos digitais. Para eles, a tokenização é uma extensão natural da experiência de investimento, não uma revolução.
Ambos os cenários dependem de uma estrutura regulatória mais clara nos próximos meses.
O que essa carta significa para os mercados?
Do ponto de vista legal, a NAL é uma comunicação oficial, mas não vinculativa. Nos ordenamentos sobre títulos dos EUA, não há uma disposição que “proíba” a blockchain, mas regulamentos que exigem conformidade com sistemas de custódia, gestão de risco e responsabilidade.
O que a SEC comunicou essencialmente é: “A tokenização pode avançar se manter os limites legais e de segurança atuais.”
Simbolicamente, esta carta representa um momento de virada. Uma instituição de importância sistêmica como a DTCC não teria pedido uma isenção processual se não visse a tokenização como uma infraestrutura futura de longo prazo. E a SEC não teria respondido positivamente se considerasse a tecnologia incompatível com a regulatória de títulos.
O verdadeiro significado: da era da incerteza para a era do ajuste
A tokenização das ações americanas não revolucionará Wall Street na hora leste dos EUA nos próximos meses, mas marca a transição de um debate teórico para uma experimentação controlada.
A discussão passou de “é legal?” para “como implementar com segurança?” — uma transição fundamental.
No curto prazo, os benefícios envolverão principalmente os tempos de liquidação (T+1 ou até mesmo T+0), custos operacionais reduzidos e integração entre mercados. No médio prazo, podem surgir novos modelos de custódia e circulação de ativos. No longo prazo, essa infraestrutura pode se tornar a base para um mercado de títulos mais eficiente e interconectado.
Para investidores e participantes do mercado, a mensagem é clara: a tokenização das ações dos EUA não é mais uma possibilidade distante, mas um projeto já na agenda das autoridades reguladoras. Acompanhar os desdobramentos não é opcional, é necessário.