O que aconteceu no mundo das criptomoedas esta semana? Resumo em uma frase: o quadro regulatório está se expandindo globalmente, os bancos estão começando a explorar a blockchain, e as verdadeiras oportunidades podem não estar na tokenização em si, mas na camada de derivativos.
📊 Dados que falam: stablecoins já não são mais “de margem”
Volume de negócios mensal ultrapassa 2 trilhões de dólares, o que isso indica? Significa que as stablecoins deixaram de ser uma ferramenta de nicho, tornando-se parte fundamental da infraestrutura de pagamentos global.
O cenário de mercado atual é bem claro:
Valor de mercado total: 308,174 bilhões de dólares, com crescimento semanal de 25,55 bilhões
Domínio do USDT: ainda mantém firme 60,20% de participação de mercado, dificultando a concorrência
USDC vem logo atrás: 77,641 bilhões de dólares, representando 25,19%, sendo o único competidor relevante
A distribuição na cadeia também é interessante: Ethereum, apesar de antigo, é o mais forte em captação de recursos (167,3 bilhões de dólares); Tron, embora discreto, acumulou silenciosamente 80,105 bilhões de dólares; Solana, com 156,16 bilhões, parece menor, mas apresenta um crescimento agressivo.
Qual é a verdade por trás disso? O efeito de rede do dólar no sistema financeiro global está cada vez mais forte. Apesar de os países clamarem por “desdolarização”, na hora do pagamento, ainda precisam usar stablecoins lastreadas em USD. É por isso que os governos estão inquietos — ou emitem suas próprias stablecoins, ou ficam presos ao ecossistema do dólar.
🏛️ Grande mudança regulatória: de “proibir” para “estruturar”
EUA: FDIC começa a definir regras
A maior notícia desta semana foi o anúncio do FDIC de que irá lançar um quadro regulatório formal para stablecoins. Isso não é apenas uma notícia, é uma virada histórica — o governo dos EUA passou de “estamos estudando” para “estabeleceremos regras”.
De acordo com a lei GENIUS, que entrou em vigor em julho deste ano, o Federal Reserve regula a estabilidade macroeconômica, o OCC emite licenças, e o FDIC agora terá supervisão direta sobre os emissores de stablecoins. Eles disseram nesta semana: o primeiro documento de solicitação será lançado ainda neste mês, e em 2026 serão divulgados padrões detalhados de capital, liquidez e reservas.
A grande questão: bancos emitirão stablecoins ou “depósitos tokenizados”? Parecem iguais, mas na prática são completamente diferentes.
Stablecoins = mercado aberto, qualquer um pode emitir, 100% de reservas em dinheiro, fundos totalmente bloqueados, multiplicador de crédito bancário eliminado. Para os bancos, isso é um pesadelo — a margem de lucro (NIM) é comprimida.
Depósitos tokenizados = ainda exclusivos dos bancos, continuam sendo passivos bancários, podem participar de criação de crédito e ganhar juros. A diferença é que a liquidação passa de T+1 para segundos. Para os bancos, é uma atualização defensiva, preservando a capacidade de lucrar.
Por que os bancos preferem depósitos tokenizados? Porque querem proteger a NIM. Essa é a lógica central — qualquer reforma digital que possa reduzir suas margens é vista como uma ameaça, por isso eles resistem.
Num panorama mais amplo, os EUA estão construindo uma arquitetura de três camadas com essas ferramentas: na base, depósitos tokenizados suportam liquidação em tempo real e gestão de liquidez; no meio, um livro-razão compartilhado entre bancos permite interoperabilidade; na camada superior, stablecoins conectam o ecossistema financeiro aberto. É uma tentativa de “institucionalizar o DeFi”.
( Europa: emissão conjunta de moeda
Dez grandes bancos europeus (BNP Paribas, ING, UniCredit, entre outros) uniram-se na aliança Qivalis, com planos de lançar uma stablecoin em euros até o segundo semestre de 2026.
Parece simples, mas o peso por trás é grande: a Europa não pode deixar a stablecoin do dólar dominar o mercado. Embora o mercado de stablecoins em euros seja pequeno — apenas 6,7 milhões de dólares —, essa é uma questão política, não de mercado. A aliança pretende criar uma infraestrutura de pagamentos on-chain de liquidação atômica 24/7, sem precisar de bancos intermediários tradicionais ou pools de liquidez dispersos — uma ameaça direta ao sistema americano.
) Ásia: esforços coordenados
Coreia do Sul: a legislação deve ser submetida até janeiro, com foco em “stablecoins localizadas”, com participação de bancos acima de 50%. A preocupação é clara — evitar ficar preso ao ecossistema do dólar.
Canadá: também busca regulamentar stablecoins em dólares canadenses, com o objetivo de melhorar a liquidação 24/7 e aumentar a eficiência dos pagamentos.
Israel: adotando uma abordagem de duplo trilho — regulando estritamente stablecoins privadas e promovendo o shekel digital. Uma estratégia inteligente, que evita fechamento completo ou abertura total.
Uma tendência clara: os bancos centrais globais estão usando stablecoins para redefinir a “soberania monetária”. Não é uma proibição, mas uma postura de “se você emitir, eu vou te segurar pelo pescoço”.
🚀 O verdadeiro cavalo de batalha do RWA: derivativos sintéticos são o futuro
Nesta semana, a Coinbase Ventures apresentou um conceito: “The Perpification of Everything”. Essa expressão, embora simples, representa a segunda curva de crescimento no setor de RWA.
Qual é a primeira curva? Tokenização, que transfere ativos para a blockchain, transformando-os em NFTs e mantendo a propriedade. A Amundi, maior gestora de ativos da Europa, tokenizou fundos de moeda na Ethereum nesta semana. Parece inovador, mas na prática é apenas transferir o sistema existente para outro local.
E a segunda? Derivativos sintéticos. Sem precisar tokenizar ativos de verdade, basta trazer informações de preço para a blockchain, permitindo que as pessoas negociem contratos perpétuos (###Perps###) com esses preços.
Imagine: você não precisa realmente possuir ações da Tesla, nem esperar que um custodiante transfira ações para a blockchain. Agora, você pode fazer trading de preços de Tesla, Apple, ouro ou ações de empresas privadas na Injective ou Hyperliquid usando USDC com alavancagem. Tudo de forma rápida, sem precisar de posse real.
Por que isso é tão importante?
Velocidade: sem esperar definição legal de ativos, o mercado se constrói instantaneamente
Liquidez: 99% dos traders não querem possuir ativos, apenas apostar em preços, volatilidade e correlações
Escala: o mercado de derivativos OTC nos EUA movimenta cerca de 10 trilhões de dólares por ano, e está sendo migrado para a blockchain
Dados: Hyperliquid já responde por mais de 80% do volume de Perps na cadeia, Injective permite negociar preços de Apple, Circle, Nvidia, e o Trove até adicionou cartas do Pokémon ao sistema de contratos perpétuos.
Aplicações mais avançadas? Um projeto chamado Ostium usa Perps de RWA para investimentos transfronteiriços — investidores não americanos querem acessar o mercado de ações dos EUA, mas o caminho tradicional é complexo (múltiplos intermediários, custodiante, corretoras, custos altos e lentidão). Ostium transmite sinais de preço via contratos perpétuos para investidores globais, de forma transparente, 24/7, com liquidação em segundos, e autogerenciado por contratos inteligentes. É uma espécie de “bypass” técnico e legal, redefinindo o papel dos corretores.
Qual é o núcleo do que os derivativos de RWA fazem? Transformam “preço” em infraestrutura de protocolo, usando garantias criptográficas para criar uma rede de liquidez global, conectando sinais do mercado americano e pools de investidores ao redor do mundo. Uma reconstrução do sistema de precificação financeira usando blockchain.
Isso explica por que o mercado de RWA cresceu quase 300% neste ano: a oportunidade real não está em “transferir ações para a blockchain”, mas em “usar derivativos para criar uma rede de liquidez global para qualquer preço”.
💰 Onda de financiamento: quem está apostando
As captações desta semana representam bem o setor:
Ostium (Perps de RWA): 240 milhões de dólares, liderada por General Catalyst e Jump Crypto. Volume de negociação já soma 2,5 bilhões de dólares, ameaçando o setor de CFDs (que movimenta cerca de 10 trilhões de dólares ao ano).
Fin (antigo TipLink, fundado por ex-funcionários da Citadel): 170 milhões de dólares, liderada pela Pantera, com participação da Sequoia e Samsung Next. Foca em transferências internacionais de alto valor, suportando operações de dezenas de milhões a bilhões de dólares — uma substituição direta ao SWIFT.
Axis: 5 milhões de dólares, liderada pela Galaxy Ventures. Protocola rendimentos on-chain, já em fase de testes com 100 milhões de dólares, usando estratégias delta-neutras com Sharpe ratio de 4,9. Uma tentativa de trazer a lógica de hedge funds de Wall Street para a blockchain.
N3XT (ex-gerente do Signature Bank): 72 milhões de dólares, apoiada por Paradigm, HACK VC e Winklevoss Capital. Modelo de “narrow bank” — reservas completas, liquidação atômica 24/7, automação por contratos inteligentes. Uma redefinição do conceito bancário.
Por que esses financiamentos apontam na mesma direção? Porque todo o setor está construindo algo grande: reconstruir a infraestrutura financeira usando blockchain, substituindo bancos, clearing, derivativos e investimentos, em toda a cadeia.
🌍 Novas aplicações: de ferramenta a infraestrutura
Por fim, uma tendência que muitas vezes passa despercebida, mas é fundamental: stablecoins e infraestrutura blockchain estão entrando em cenários que exigem máxima “confiança”.
Caso Cobo e Cruz Vermelha de Hong Kong: auxílio em incêndio em Taiwan, usando uma carteira de caridade blockchain desenvolvida especialmente, suportando 13 blockchains e várias criptomoedas, com todas as taxas cobertas pela Cobo, garantindo que 100% das doações vão para o socorro. Já arrecadaram 2,32 milhões de dólares de Hong Kong, totalmente rastreáveis na cadeia.
Fundo de caridade da Circle: compromisso de 1% de ações, com os primeiros fundos destinados a instituições financeiras de desenvolvimento comunitário nos EUA ((CDFIs)), focadas em financiamento de pequenas empresas e inclusão financeira. Já atuam na Ucrânia e na Venezuela, usando USDC para ajuda humanitária.
O que isso significa? De uma ferramenta de pagamento para uma infraestrutura social. Não é mais apenas “usar stablecoins para ganhar dinheiro”, mas “usar stablecoins e transparência na cadeia para resolver problemas de confiança”. Essa adoção institucional vai impulsionar a conformidade e a estabilidade de todo o ecossistema.
Conclusão: duas tendências certas
Quadro regulatório formalizado = stablecoins deixam de ser uma área cinzenta para se tornarem parte do sistema. Países estão disputando a narrativa, mas o caminho é claro: se você quer emitir, precisa aceitar uma supervisão rigorosa.
Explosão de derivativos de RWA = o crescimento real não está na propriedade de ativos tokenizados, mas na criação de uma rede de liquidez global via derivativos. Isso está movendo um mercado de mais de 10 trilhões de dólares de volume anual.
Os demais detalhes são secundários. O mais importante: bancos, bancos centrais e investidores institucionais estão levando isso a sério. A mudança de “proibir” para “participar” está acontecendo mais rápido do que muitos imaginam.
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Stablecoins ultrapassaram os 20 trilhões de dólares, o início de uma era de grande fusão entre bancos e DeFi
O que aconteceu no mundo das criptomoedas esta semana? Resumo em uma frase: o quadro regulatório está se expandindo globalmente, os bancos estão começando a explorar a blockchain, e as verdadeiras oportunidades podem não estar na tokenização em si, mas na camada de derivativos.
📊 Dados que falam: stablecoins já não são mais “de margem”
Volume de negócios mensal ultrapassa 2 trilhões de dólares, o que isso indica? Significa que as stablecoins deixaram de ser uma ferramenta de nicho, tornando-se parte fundamental da infraestrutura de pagamentos global.
O cenário de mercado atual é bem claro:
A distribuição na cadeia também é interessante: Ethereum, apesar de antigo, é o mais forte em captação de recursos (167,3 bilhões de dólares); Tron, embora discreto, acumulou silenciosamente 80,105 bilhões de dólares; Solana, com 156,16 bilhões, parece menor, mas apresenta um crescimento agressivo.
Qual é a verdade por trás disso? O efeito de rede do dólar no sistema financeiro global está cada vez mais forte. Apesar de os países clamarem por “desdolarização”, na hora do pagamento, ainda precisam usar stablecoins lastreadas em USD. É por isso que os governos estão inquietos — ou emitem suas próprias stablecoins, ou ficam presos ao ecossistema do dólar.
🏛️ Grande mudança regulatória: de “proibir” para “estruturar”
EUA: FDIC começa a definir regras
A maior notícia desta semana foi o anúncio do FDIC de que irá lançar um quadro regulatório formal para stablecoins. Isso não é apenas uma notícia, é uma virada histórica — o governo dos EUA passou de “estamos estudando” para “estabeleceremos regras”.
De acordo com a lei GENIUS, que entrou em vigor em julho deste ano, o Federal Reserve regula a estabilidade macroeconômica, o OCC emite licenças, e o FDIC agora terá supervisão direta sobre os emissores de stablecoins. Eles disseram nesta semana: o primeiro documento de solicitação será lançado ainda neste mês, e em 2026 serão divulgados padrões detalhados de capital, liquidez e reservas.
A grande questão: bancos emitirão stablecoins ou “depósitos tokenizados”? Parecem iguais, mas na prática são completamente diferentes.
Stablecoins = mercado aberto, qualquer um pode emitir, 100% de reservas em dinheiro, fundos totalmente bloqueados, multiplicador de crédito bancário eliminado. Para os bancos, isso é um pesadelo — a margem de lucro (NIM) é comprimida.
Depósitos tokenizados = ainda exclusivos dos bancos, continuam sendo passivos bancários, podem participar de criação de crédito e ganhar juros. A diferença é que a liquidação passa de T+1 para segundos. Para os bancos, é uma atualização defensiva, preservando a capacidade de lucrar.
Por que os bancos preferem depósitos tokenizados? Porque querem proteger a NIM. Essa é a lógica central — qualquer reforma digital que possa reduzir suas margens é vista como uma ameaça, por isso eles resistem.
Num panorama mais amplo, os EUA estão construindo uma arquitetura de três camadas com essas ferramentas: na base, depósitos tokenizados suportam liquidação em tempo real e gestão de liquidez; no meio, um livro-razão compartilhado entre bancos permite interoperabilidade; na camada superior, stablecoins conectam o ecossistema financeiro aberto. É uma tentativa de “institucionalizar o DeFi”.
( Europa: emissão conjunta de moeda
Dez grandes bancos europeus (BNP Paribas, ING, UniCredit, entre outros) uniram-se na aliança Qivalis, com planos de lançar uma stablecoin em euros até o segundo semestre de 2026.
Parece simples, mas o peso por trás é grande: a Europa não pode deixar a stablecoin do dólar dominar o mercado. Embora o mercado de stablecoins em euros seja pequeno — apenas 6,7 milhões de dólares —, essa é uma questão política, não de mercado. A aliança pretende criar uma infraestrutura de pagamentos on-chain de liquidação atômica 24/7, sem precisar de bancos intermediários tradicionais ou pools de liquidez dispersos — uma ameaça direta ao sistema americano.
) Ásia: esforços coordenados
Coreia do Sul: a legislação deve ser submetida até janeiro, com foco em “stablecoins localizadas”, com participação de bancos acima de 50%. A preocupação é clara — evitar ficar preso ao ecossistema do dólar.
Canadá: também busca regulamentar stablecoins em dólares canadenses, com o objetivo de melhorar a liquidação 24/7 e aumentar a eficiência dos pagamentos.
Israel: adotando uma abordagem de duplo trilho — regulando estritamente stablecoins privadas e promovendo o shekel digital. Uma estratégia inteligente, que evita fechamento completo ou abertura total.
Uma tendência clara: os bancos centrais globais estão usando stablecoins para redefinir a “soberania monetária”. Não é uma proibição, mas uma postura de “se você emitir, eu vou te segurar pelo pescoço”.
🚀 O verdadeiro cavalo de batalha do RWA: derivativos sintéticos são o futuro
Nesta semana, a Coinbase Ventures apresentou um conceito: “The Perpification of Everything”. Essa expressão, embora simples, representa a segunda curva de crescimento no setor de RWA.
Qual é a primeira curva? Tokenização, que transfere ativos para a blockchain, transformando-os em NFTs e mantendo a propriedade. A Amundi, maior gestora de ativos da Europa, tokenizou fundos de moeda na Ethereum nesta semana. Parece inovador, mas na prática é apenas transferir o sistema existente para outro local.
E a segunda? Derivativos sintéticos. Sem precisar tokenizar ativos de verdade, basta trazer informações de preço para a blockchain, permitindo que as pessoas negociem contratos perpétuos (###Perps###) com esses preços.
Imagine: você não precisa realmente possuir ações da Tesla, nem esperar que um custodiante transfira ações para a blockchain. Agora, você pode fazer trading de preços de Tesla, Apple, ouro ou ações de empresas privadas na Injective ou Hyperliquid usando USDC com alavancagem. Tudo de forma rápida, sem precisar de posse real.
Por que isso é tão importante?
Dados: Hyperliquid já responde por mais de 80% do volume de Perps na cadeia, Injective permite negociar preços de Apple, Circle, Nvidia, e o Trove até adicionou cartas do Pokémon ao sistema de contratos perpétuos.
Aplicações mais avançadas? Um projeto chamado Ostium usa Perps de RWA para investimentos transfronteiriços — investidores não americanos querem acessar o mercado de ações dos EUA, mas o caminho tradicional é complexo (múltiplos intermediários, custodiante, corretoras, custos altos e lentidão). Ostium transmite sinais de preço via contratos perpétuos para investidores globais, de forma transparente, 24/7, com liquidação em segundos, e autogerenciado por contratos inteligentes. É uma espécie de “bypass” técnico e legal, redefinindo o papel dos corretores.
Qual é o núcleo do que os derivativos de RWA fazem? Transformam “preço” em infraestrutura de protocolo, usando garantias criptográficas para criar uma rede de liquidez global, conectando sinais do mercado americano e pools de investidores ao redor do mundo. Uma reconstrução do sistema de precificação financeira usando blockchain.
Isso explica por que o mercado de RWA cresceu quase 300% neste ano: a oportunidade real não está em “transferir ações para a blockchain”, mas em “usar derivativos para criar uma rede de liquidez global para qualquer preço”.
💰 Onda de financiamento: quem está apostando
As captações desta semana representam bem o setor:
Ostium (Perps de RWA): 240 milhões de dólares, liderada por General Catalyst e Jump Crypto. Volume de negociação já soma 2,5 bilhões de dólares, ameaçando o setor de CFDs (que movimenta cerca de 10 trilhões de dólares ao ano).
Fin (antigo TipLink, fundado por ex-funcionários da Citadel): 170 milhões de dólares, liderada pela Pantera, com participação da Sequoia e Samsung Next. Foca em transferências internacionais de alto valor, suportando operações de dezenas de milhões a bilhões de dólares — uma substituição direta ao SWIFT.
Axis: 5 milhões de dólares, liderada pela Galaxy Ventures. Protocola rendimentos on-chain, já em fase de testes com 100 milhões de dólares, usando estratégias delta-neutras com Sharpe ratio de 4,9. Uma tentativa de trazer a lógica de hedge funds de Wall Street para a blockchain.
N3XT (ex-gerente do Signature Bank): 72 milhões de dólares, apoiada por Paradigm, HACK VC e Winklevoss Capital. Modelo de “narrow bank” — reservas completas, liquidação atômica 24/7, automação por contratos inteligentes. Uma redefinição do conceito bancário.
Por que esses financiamentos apontam na mesma direção? Porque todo o setor está construindo algo grande: reconstruir a infraestrutura financeira usando blockchain, substituindo bancos, clearing, derivativos e investimentos, em toda a cadeia.
🌍 Novas aplicações: de ferramenta a infraestrutura
Por fim, uma tendência que muitas vezes passa despercebida, mas é fundamental: stablecoins e infraestrutura blockchain estão entrando em cenários que exigem máxima “confiança”.
Caso Cobo e Cruz Vermelha de Hong Kong: auxílio em incêndio em Taiwan, usando uma carteira de caridade blockchain desenvolvida especialmente, suportando 13 blockchains e várias criptomoedas, com todas as taxas cobertas pela Cobo, garantindo que 100% das doações vão para o socorro. Já arrecadaram 2,32 milhões de dólares de Hong Kong, totalmente rastreáveis na cadeia.
Fundo de caridade da Circle: compromisso de 1% de ações, com os primeiros fundos destinados a instituições financeiras de desenvolvimento comunitário nos EUA ((CDFIs)), focadas em financiamento de pequenas empresas e inclusão financeira. Já atuam na Ucrânia e na Venezuela, usando USDC para ajuda humanitária.
O que isso significa? De uma ferramenta de pagamento para uma infraestrutura social. Não é mais apenas “usar stablecoins para ganhar dinheiro”, mas “usar stablecoins e transparência na cadeia para resolver problemas de confiança”. Essa adoção institucional vai impulsionar a conformidade e a estabilidade de todo o ecossistema.
Conclusão: duas tendências certas
Quadro regulatório formalizado = stablecoins deixam de ser uma área cinzenta para se tornarem parte do sistema. Países estão disputando a narrativa, mas o caminho é claro: se você quer emitir, precisa aceitar uma supervisão rigorosa.
Explosão de derivativos de RWA = o crescimento real não está na propriedade de ativos tokenizados, mas na criação de uma rede de liquidez global via derivativos. Isso está movendo um mercado de mais de 10 trilhões de dólares de volume anual.
Os demais detalhes são secundários. O mais importante: bancos, bancos centrais e investidores institucionais estão levando isso a sério. A mudança de “proibir” para “participar” está acontecendo mais rápido do que muitos imaginam.