## Stablecoins: Seis Anos de Correnteza Subterrânea — Da Fronteira dos Pagamentos à Infraestrutura Financeira



A bomba de 2019 mudou tudo. Quando os gigantes tecnológicos anunciaram planos de stablecoins, as instituições financeiras tradicionais passaram de observadoras a participantes. E, sob a superfície dessa transformação, a verdadeira história mal começou.

Profissionais experientes no setor de pagamentos testemunharam os limites do sistema financeiro convencional. Transferências bancárias exigem T+2 de liquidação, remessas internacionais passam por múltiplos intermediários, e o fluxo de fundos fica completamente parado em "tempo morto" — essas operações, que parecem óbvias, parecem ineficientes sob a ótica do blockchain.

A emergência das stablecoins reescreveu as regras do jogo. Não são mais brinquedos de uma nova tecnologia, mas ferramentas capazes de resolver problemas comerciais reais.

## De trás para frente, não impulsionado por tecnologia

Muitos entendem blockchain começando pela tecnologia, mas inovadores no setor de pagamentos fazem o oposto — primeiro identificam o problema, depois escolhem a tecnologia.

As redes de pagamento tradicionais enfrentam um dilema inevitável: o limite de eficiência na circulação de fundos. Tomemos a Visa, por exemplo, cujo sistema depende de infraestrutura bancária e de uma pilha tecnológica de décadas. Quando um cliente precisa de liquidação internacional, processos longos obrigam as empresas a manter grandes reservas de fundos bloqueados nos bancos, recursos que poderiam gerar rendimento.

Alguém já calculou: se fosse possível realizar liquidações em segundos, em vez de T+2, a eficiência financeira aumentaria drasticamente. Fechar às 17h não seria mais desculpa, e as liquidações de fim de semana também seriam possíveis — esses melhorias simples representam bilhões de dólares em ganhos de eficiência.

Assim, alguns profissionais começaram a testar na blockchain. No primeiro teste de liquidação com USDC na Ethereum, os fundos foram transferidos em poucos segundos. Naquele momento, percebeu-se que stablecoins não são apenas ativos criptográficos, mas uma nova mecânica de liquidação de pagamentos.

## Infraestrutura em crise e ecossistema fragmentado

Porém, à medida que as aplicações se aprofundam, surgem novos problemas — a imaturidade da infraestrutura.

A experiência ideal de pagamento deve ser totalmente transparente. Usuários comprando café com cartão não precisam saber quantas interações, verificações ou etapas de liquidação ocorrem nos bastidores. Da mesma forma, a blockchain deve ser completamente abstraída, permitindo que desenvolvedores usem stablecoins como uma API.

Para isso, algumas equipes criaram plataformas de infraestrutura voltadas para desenvolvedores. Mas, à medida que clientes de grandes remessas tradicionais e neobancos emergentes se juntam, surge um paradoxo:

Blockchains como Solana e Polygon, embora rápidas, são fragmentadas; a Ethereum, com seu ecossistema mais forte (com maior concentração de desenvolvedores e liquidez), sofre com custos elevados devido à congestão. Nenhuma cadeia consegue resolver perfeitamente o dilema de "performance e ecossistema".

Por isso, as novas blockchains de alto desempenho e compatíveis com EVM tornam-se uma necessidade — não por mais opções, mas por preencher uma demanda real do mercado. O que mais importa no setor de pagamentos não é uma narrativa grandiosa, mas a economia fria: custo por transação, tempo de confirmação, profundidade de liquidez.

## Mudança radical no modelo de negócios

A atualização do quadro regulatório dos EUA em 2024 trouxe uma diferenciação entre emissores de stablecoins.

A lógica da primeira geração de emissores era simples: usuários depositam fundos, a emissão compra títulos do Tesouro dos EUA, e os juros ficam com o emissor. Esse modelo criou uma barreira competitiva em dois anos.

Mas a nova geração de players mudou as regras. Eles começam a transferir os juros gerados pelos ativos subjacentes diretamente para usuários e destinatários. Não é apenas uma redistribuição de lucros, mas a criação de uma nova linguagem financeira.

Nos bancos tradicionais, depósitos rendem juros, mas as transferências deixam o dinheiro em "tempo morto". O stablecoin rompe essa limitação — o dinheiro, durante pagamentos, negociações rápidas e circulação, continua gerando rendimento. A ideia de "circulação que também rende" implica uma reformulação de toda a infraestrutura financeira.

Alguns times até exploram modelos mais radicais: tornar a gestão de títulos do Tesouro totalmente transparente, prometendo transferir 100% dos juros, e lucrar com serviços de valorização ligados ao stablecoin. Transações aparentemente perdedoras são, na verdade, investimentos na ecologia toda.

## Desfazendo fronteiras bancárias globais e geográficas

O gene das fintechs tradicionais determina seu destino: Nubank atende ao Brasil, Chime foca nos EUA, cada uma presa à infraestrutura bancária local, incapaz de cruzar fronteiras.

Mas os produtos construídos com stablecoins e blockchain eliminam essas fronteiras. Os fundadores podem partir do primeiro código, com o objetivo de atender usuários globais. Não mais uma "fintech de um país", mas um banco nativo global.

É um passo sem precedentes na história financeira. Fintechs tradicionais precisam expandir para cada mercado, enfrentando regulações, infraestrutura e parcerias bancárias. Os bancos de stablecoin de nova geração contornam esses obstáculos, começando diretamente na órbita de pagamentos global.

Quando grandes empresas de tecnologia começam a unificar investimentos, depósitos, pagamentos e empréstimos em uma única experiência de conta, a fusão de produtos impulsiona a necessidade de inovação na infraestrutura. Transações DeFi, transferências de stablecoins, geração de rendimento — tudo deve acontecer em uma interface unificada e sem esforço.

## Agentes de pagamento e a era da finança algorítmica

Nos próximos três a cinco anos, o que realmente vale a pena esperar é a combinação de agentes de IA com stablecoins.

A IA já começa a gerenciar fundos na blockchain de forma autônoma — há projetos que conectam plataformas de delivery com pagamentos na blockchain, com agentes executando pagamentos em uma velocidade que a mente humana não consegue acompanhar. Não é só mais rápido, é uma evolução no fluxo de trabalho: de eficiência humana para eficiência algorítmica, rumo à eficiência de agentes.

De milissegundos para microssegundos, essa mudança de escala exige que as redes principais tenham desempenho absoluto.

Ao mesmo tempo, a forma de contas dos usuários está se fundindo. Os limites entre contas de investimento e pagamento estão se tornando indistintos — já que ambos gerenciam fundos, por que separá-los? Grandes plataformas tecnológicas estão construindo "aplicativos universais", unificando todas as ações financeiras em um único ecossistema.

O que realmente empolga é que a engenharia de alta frequência, antes exclusiva de Wall Street, está migrando para cenários comerciais reais. Imagine um responsável financeiro gerenciando fundos dispersos em múltiplos bancos, envolvendo complexas operações de câmbio — antes, tudo demandava muita intervenção manual. Com IA e blockchain de alto desempenho, sistemas podem automatizar negociações em escala e otimizar a alocação de fundos, maximizando o retorno de cada centavo.

A capacidade de alta frequência deixa de ser privilégio de Wall Street e passa a ser uma ferramenta universal, ajudando empresas a otimizar a gestão de fundos em microssegundos.

## O "Email" das stablecoins

O futuro dos pagamentos está desenhando um cenário familiar — a circulação de valor na velocidade da internet.

Quando o email surgiu, escrever cartas ficou mais rápido, e a comunicação humana foi transformada, de dias para segundos. As stablecoins e o blockchain estão reencenando essa história no setor financeiro: transportar valor na velocidade da internet, uma capacidade nunca antes vista na civilização.

Revoluções na cadeia de suprimentos global, custos de remessa zerados, fluxo de fundos em tempo real — todas essas possibilidades ainda estão em gestação. Mas o verdadeiro começo acontecerá no momento em que a integração tecnológica for imperceptível — quando o usuário não perceber a blockchain, mas desfrutar de uma circulação de valor na velocidade da internet.

Naquele momento, as stablecoins deixarão de ser apenas ativos criptográficos e se tornarão a infraestrutura básica do cotidiano financeiro.
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