No mundo da análise de dados, muitas vezes somos atraídos por modelos complexos de aprendizagem de máquina e arquiteturas de deep learning, mas esquecemos uma ferramenta discreta porém poderosa: a regressão linear. Hoje, vamos partir de um cenário real para ver como ela pode mudar nossa compreensão dos resultados de testes A/B.
Cenário: Teste de banner em plataforma de e-commerce
Imagine que uma loja online lançou um novo design de banner na página, com o objetivo de avaliar seu impacto na duração média da sessão dos usuários. Eles realizaram um experimento e coletaram dados. Agora, a questão é: usar o teste t ou a regressão linear para analisar esses resultados?
Resposta do teste t
Com a ferramenta tradicional de teste t, obtemos números que parecem bastante promissores:
A estimativa do efeito incremental é de 0,56 minutos (ou seja, os usuários gastam em média 33 segundos a mais). Essa diferença é entre as médias das amostras do grupo de controle e do grupo de tratamento. Parece bem claro.
Descoberta interessante: a regressão linear diz a mesma coisa
Mas e se usarmos a regressão linear para fazer a mesma análise, considerando se o banner foi exibido como variável independente e a duração média da sessão como variável dependente, o que acontece?
O resultado é surpreendente: o coeficiente da variável de tratamento é exatamente 0,56— totalmento consistente com o teste t.
Isso não é coincidência. Os dois métodos partem da mesma hipótese nula, portanto, ao calcular o estatístico t e o p-valor, obtemos resultados idênticos.
Porém, há um ponto importante a notar: o R² é apenas 0,008, o que significa que nosso modelo explica menos de 1% da variância. Ainda há muita coisa que não capturamos.
O poder oculto: viés de seleção e covariáveis
Aqui está o ponto crucial: apenas explicar o comportamento do usuário com a variável de tratamento pode ser simplista demais.
Em testes A/B reais, pode haver viés de seleção—ou seja, diferenças sistemáticas entre os grupos que não são causadas pelo experimento aleatório. Por exemplo:
Usuários antigos veem o novo banner com mais frequência do que novos clientes
Alguns grupos de usuários naturalmente gastam mais tempo na plataforma
Embora a alocação aleatória ajude a mitigar esse problema, é difícil eliminá-lo completamente.
Modelo ajustado: inclusão de covariáveis
E se adicionarmos uma covariável—por exemplo, a duração média da sessão antes do experimento—como isso afetaria?
O desempenho do modelo melhora drasticamente. O R² sobe para 0,86, agora explicando 86% da variância. O efeito do tratamento passa a ser de 0,47 minutos.
Essa diferença é significativa. Nos dados simulados, o efeito real do tratamento é de 0,5 minutos. Assim, o modelo com covariáveis (0,47) está mais próximo da verdade do que o modelo simples (0,56).
Esse fenômeno às vezes é chamado de efeito “snowballing”—variáveis ocultas iniciais podem amplificar ou atenuar a estimativa, desviando o resultado inicial da realidade.
Por que escolher a regressão linear
Então, entre 0,47 e 0,56, qual é a resposta correta?
Quando conhecemos o efeito verdadeiro, um modelo de regressão linear com covariáveis adequadas geralmente fornece uma estimativa mais precisa. Isso porque:
Oferece uma visão completa do ajuste do modelo: o R² indica quanto da variância é explicada, ajudando a avaliar a confiabilidade
Permite controlar variáveis de confusão: ao incluir covariáveis, podemos isolar o efeito real do tratamento, reduzindo o viés de seleção
Aumenta a precisão da estimativa: especialmente em cenários do mundo real com diferenças sistemáticas
Reflexões adicionais
Esse princípio não se aplica apenas ao teste t. Você também pode estender o uso da regressão linear para o teste de Welch, teste do qui-quadrado e outros métodos estatísticos—embora cada um exija ajustes técnicos específicos.
A lição principal é: não se deixe enganar por resultados aparentemente simples. Aprofunde-se nos dados, identifique variáveis que podem estar escondidas na “bola de neve”, e assim encontrará uma verdade mais precisa.
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Por que os seus resultados de testes A/B podem estar escondendo a verdade devido ao "Efeito Bola de Neve"
No mundo da análise de dados, muitas vezes somos atraídos por modelos complexos de aprendizagem de máquina e arquiteturas de deep learning, mas esquecemos uma ferramenta discreta porém poderosa: a regressão linear. Hoje, vamos partir de um cenário real para ver como ela pode mudar nossa compreensão dos resultados de testes A/B.
Cenário: Teste de banner em plataforma de e-commerce
Imagine que uma loja online lançou um novo design de banner na página, com o objetivo de avaliar seu impacto na duração média da sessão dos usuários. Eles realizaram um experimento e coletaram dados. Agora, a questão é: usar o teste t ou a regressão linear para analisar esses resultados?
Resposta do teste t
Com a ferramenta tradicional de teste t, obtemos números que parecem bastante promissores:
A estimativa do efeito incremental é de 0,56 minutos (ou seja, os usuários gastam em média 33 segundos a mais). Essa diferença é entre as médias das amostras do grupo de controle e do grupo de tratamento. Parece bem claro.
Descoberta interessante: a regressão linear diz a mesma coisa
Mas e se usarmos a regressão linear para fazer a mesma análise, considerando se o banner foi exibido como variável independente e a duração média da sessão como variável dependente, o que acontece?
O resultado é surpreendente: o coeficiente da variável de tratamento é exatamente 0,56— totalmento consistente com o teste t.
Isso não é coincidência. Os dois métodos partem da mesma hipótese nula, portanto, ao calcular o estatístico t e o p-valor, obtemos resultados idênticos.
Porém, há um ponto importante a notar: o R² é apenas 0,008, o que significa que nosso modelo explica menos de 1% da variância. Ainda há muita coisa que não capturamos.
O poder oculto: viés de seleção e covariáveis
Aqui está o ponto crucial: apenas explicar o comportamento do usuário com a variável de tratamento pode ser simplista demais.
Em testes A/B reais, pode haver viés de seleção—ou seja, diferenças sistemáticas entre os grupos que não são causadas pelo experimento aleatório. Por exemplo:
Embora a alocação aleatória ajude a mitigar esse problema, é difícil eliminá-lo completamente.
Modelo ajustado: inclusão de covariáveis
E se adicionarmos uma covariável—por exemplo, a duração média da sessão antes do experimento—como isso afetaria?
O desempenho do modelo melhora drasticamente. O R² sobe para 0,86, agora explicando 86% da variância. O efeito do tratamento passa a ser de 0,47 minutos.
Essa diferença é significativa. Nos dados simulados, o efeito real do tratamento é de 0,5 minutos. Assim, o modelo com covariáveis (0,47) está mais próximo da verdade do que o modelo simples (0,56).
Esse fenômeno às vezes é chamado de efeito “snowballing”—variáveis ocultas iniciais podem amplificar ou atenuar a estimativa, desviando o resultado inicial da realidade.
Por que escolher a regressão linear
Então, entre 0,47 e 0,56, qual é a resposta correta?
Quando conhecemos o efeito verdadeiro, um modelo de regressão linear com covariáveis adequadas geralmente fornece uma estimativa mais precisa. Isso porque:
Reflexões adicionais
Esse princípio não se aplica apenas ao teste t. Você também pode estender o uso da regressão linear para o teste de Welch, teste do qui-quadrado e outros métodos estatísticos—embora cada um exija ajustes técnicos específicos.
A lição principal é: não se deixe enganar por resultados aparentemente simples. Aprofunde-se nos dados, identifique variáveis que podem estar escondidas na “bola de neve”, e assim encontrará uma verdade mais precisa.