Como o fundo BUIDL da BlackRock está a reinventar a ligação entre RWA e DeFi

Em março de 2024, quando a maior gestora de ativos do mundo, BlackRock, e a plataforma de tokenização Securitize anunciaram o lançamento do primeiro fundo tokenizado na Ethereum, o mercado de criptomoedas concentrou toda a atenção nisso. Isso não foi apenas uma notícia sobre o lançamento de um produto, mas um passo crucial na transição do sistema financeiro tradicional para o mundo cripto. Anteriormente, a BlackRock já havia introduzido ativos criptográficos no sistema financeiro tradicional por meio de ETFs de Bitcoin à vista; desta vez, o buidl, por sua vez, trouxe a normatização, segurança e rentabilidade do sistema financeiro tradicional para o mercado de criptomoedas, abrindo a porta para um novo mundo de RWA (ativos do mundo real) no DeFi.

A origem do buidl: uma declaração formal de entrada do sistema financeiro tradicional no mundo cripto

Se você já investiu em fundos tradicionais, deve ter passado por dificuldades como: esperar para comprar, esperar para resgatar. Os ciclos de liquidação de T+3, T+5 reduzem drasticamente a eficiência do capital. Mas o buidl da BlackRock mudou tudo isso.

O nome completo do buidl é “BlackRock USD Institutional Digital Liquidity Fund”, indicando que é um fundo criado sob medida para investidores institucionais. Sua lógica central é simples, mas profunda — investir 100% em títulos do governo dos EUA, dinheiro em espécie e outros ativos “tipo dólar”, e fazer a circulação desses ativos na Ethereum via tokenização, mantendo cada token buidl sempre com valor estável de 1 dólar.

Essa aparente simplicidade contém uma grande inovação. Em comparação com fundos tradicionais, o buidl realiza uma contabilidade unificada na blockchain, eliminando processos de reconciliação ineficientes entre múltiplas partes. O que isso significa? Que é possível comprar e resgatar a qualquer hora, 24 horas por dia, 365 dias por ano, com liquidação instantânea. Para o setor financeiro, isso representa uma inovação de marco.

Análise do mecanismo de funcionamento do buidl: de valores mobiliários a ativos líquidos

À primeira vista, o buidl parece uma stablecoin — mantém o valor de 1 dólar e pode ser transferido entre carteiras. Mas, na essência, o buidl é uma título. Essa identidade determina toda a sua arquitetura.

Estrutura legal do buidl

A BlackRock criou uma entidade de propósito específico (SPV) nas Ilhas Virgens Britânicas (BVI) para o buidl, e solicitou uma isenção Reg D à SEC, nos EUA. O que isso significa? Que o buidl só pode ser acessado por “investidores qualificados” (com investimento mínimo de 5 milhões de dólares), passando por rigorosos processos de KYC/AML.

Os participantes têm funções bem definidas:

  • BlackRock Financial: gestor do fundo, responsável pelas decisões de investimento
  • Securitize LLC: plataforma de tokenização, responsável pela lógica na cadeia e conversão de dados regulatórios
  • Bank of New York Mellon: custodiante e administrador de ativos
  • PwC: auditor

Essa estrutura, embora pareça complexa, é uma combinação perfeita entre o sistema regulatório financeiro tradicional e a tecnologia blockchain. Cada camada tem responsabilidades claras e isolamento de riscos, garantindo a segurança dos ativos.

Mecanismo de distribuição de lucros do buidl

Diferente de stablecoins comuns como USDC, que não geram juros, o buidl gera rendimentos. Esses rendimentos vêm dos ativos subjacentes — títulos do governo dos EUA, dinheiro em espécie e acordos de recompra overnight — que geram juros. A BlackRock distribui mensalmente esses lucros aos investidores na forma de novos tokens, por meio de um processo chamado “Rebase”.

Essa é a genialidade do buidl: manter o valor de 1 dólar (segurança do principal) e, ao mesmo tempo, gerar juros por meio do Rebase. Para investidores institucionais, isso equivale a obter a rentabilidade dos títulos do Tesouro Americano, mantendo a liquidez do capital.

O significado revolucionário da liquidação instantânea de 24 horas

No sistema financeiro tradicional, compras e resgates de fundos passam por várias etapas: confirmação do pedido → liquidação → reconciliação. Esse processo leva de T+3 a T+5+N dias. Cada dia adicional significa que o capital fica congelado, e a instituição perde uma oportunidade de rendimento.

Por outro lado, o buidl, por meio de contratos inteligentes e um livro-razão unificado, realiza liquidação atômica instantânea. Isso reduz custos de transação e traz uma nova característica ao mercado financeiro — precificação em tempo real, 24/7. Essa eficiência baseada em blockchain é o núcleo do conceito de Finternet (internet financeira).

Como o buidl se torna uma infraestrutura fundamental para o DeFi

Se o buidl é uma combinação de valores mobiliários e stablecoins, seu maior valor está na conexão.

Papel central do pool de liquidez USDC

Devido à sua natureza de título, o buidl não pode circular livremente entre todos — só pode ser transferido entre investidores verificados na “lista branca”. Isso limita sua liquidez.

A parceria entre BlackRock e Circle resolve esse problema. Circle criou um pool de liquidez controlado por contrato inteligente, permitindo a troca instantânea 24/7 entre buidl e USDC na proporção de 1:1. O que isso significa?

Que as instituições podem usar o USDC como intermediário para entrar ou sair do ecossistema buidl rapidamente. O buidl, por si só, não precisa circular entre diferentes investidores, mas sua liquidez é amplificada infinitamente por meio do USDC.

Primeira aplicação do ecossistema: a escolha da ONDO

A principal plataforma de RWA em títulos do Tesouro dos EUA, a ONDO Finance, tomou uma decisão crucial no final de março de 2024: aumentou sua reserva de buidl em US$ 95 milhões para seu fundo tokenizado OUSG.

Essa decisão resolveu uma dor de longa data dos usuários do OUSG — o atraso de T+2 no resgate de fundos tradicionais. Com a combinação do pool de liquidez USDC da Circle e a liquidação instantânea do buidl, a ONDO possibilitou compras e resgates em tempo real, 24/7/365. Essa foi a primeira adoção em larga escala do buidl no DeFi, acelerando a maturidade do ecossistema RWA.

O potencial de camadas de garantia institucional

O potencial do buidl vai muito além de uma simples stablecoin. Segundo o CEO da Securitize, Carlos Domingo, o buidl está construindo uma camada de garantia de ativos cripto de nível institucional.

Cenário 1: alocação de fundos para projetos Web3

Projetos Web3 que receberam grandes rodadas de financiamento geralmente possuem centenas de milhões de dólares em stablecoins. O problema central é: como alocar e guardar esses fundos de forma eficiente? As opções anteriores eram limitadas — deixar na exchange centralizada (risco elevado) ou manter sob controle próprio (baixa rentabilidade).

Agora, com o buidl, esses projetos podem converter facilmente seus fundos off-chain em tokens buidl na cadeia, obtendo segurança de grau de títulos do Tesouro e rendimento próximo de 5% ao ano. O mercado potencial é de dezenas de bilhões de dólares.

Cenário 2: fortalecimento de crédito para emissores de stablecoins

Tether (USDT), a maior stablecoin do mercado, sofre há anos com dúvidas sobre a transparência de seus ativos subjacentes. Se a Tether puder alocar a maior parte de seus ativos em buidl gerenciado pela BlackRock, o problema se resolve — seus ativos subjacentes deixam de ser uma caixa preta, passando a ser gerenciados pela maior gestora de ativos do mundo, a BlackRock.

A Circle, parceira do buidl, gerencia os ativos subjacentes do USDC. Novos projetos de stablecoins, como Mountain Protocol, também planejam usar o buidl. O mercado potencial é de centenas de bilhões de dólares.

Cenário 3: adoção massiva de stablecoins que geram juros

Atualmente, USDC e USDT não geram juros. E se esses stablecoins fossem encapsulados em um produto de stablecoin que gera juros, criando uma nova geração de stablecoins rentáveis?

A ONDO Finance já está experimentando isso com seu projeto USDY. Usando o buidl como ativo subjacente, eles estão lançando stablecoins que geram juros em várias blockchains, como Aptos e Solana. O potencial é enorme — o mercado de stablecoins movimenta trilhões de dólares, e grande parte dele é “zero rendimento”.

O buidl inaugura uma nova era de composabilidade no DeFi

No caso do MakerDAO, para obter exposição ao ETF de títulos do Tesouro dos EUA da BlackRock, o projeto gastou mais de US$ 1 milhão em estruturas complexas de aquisição e custódia. Agora, essa mesma necessidade pode ser atendida simplesmente abrindo uma conta de investidor qualificado na Securitize.

Essa simplificação representa uma mudança mais profunda: ativos do mundo real (RWA) estão se tornando componentes nativos do DeFi.

O buidl não é apenas um produto da BlackRock; é mais como um “adaptador” entre o sistema financeiro tradicional e o financeiro cripto. Por meio do buidl como interface, protocolos DeFi podem acessar diretamente exposição a títulos do Tesouro de nível institucional, sem precisar entender toda a complexidade do sistema financeiro tradicional. Isso abre uma nova dimensão de composabilidade no DeFi.

Imagine um futuro onde: protocolos de empréstimo DeFi usam o buidl como garantia, oferecendo taxas de juros baseadas em títulos do Tesouro; fundos na cadeia usam o buidl como posição principal, criando “fundos de títulos do Tesouro na cadeia”; pontes entre blockchains permitem que o buidl circule em múltiplas redes, tornando-se uma ferramenta de liquidação universal no ecossistema DeFi.

Essas não são fantasias. Com as características do buidl — liquidação instantânea 24/7, segurança de nível institucional, geração de juros — esses cenários são plenamente possíveis.

A reconstrução do sistema financeiro na blockchain já começou

O CEO da BlackRock, Larry Fink, já declarou claramente: a tokenização de ativos será a próxima estratégia da BlackRock. Em seu conceito, “cada ação, cada título será registrado em um livro-razão”.

Embora os fundos tokenizados na blockchain pública, como os da Franklin Templeton, tenham sido lançados antes, a entrada da BlackRock, como uma gigante do setor financeiro, gera um impacto de uma magnitude totalmente diferente.

Mais importante ainda, o pool de liquidez USDC fornecido pela Circle abre a porta para a composabilidade do DeFi. Isso faz do buidl mais do que um produto financeiro — uma infraestrutura fundamental para todo o ecossistema RWA: seguro, eficiente, confiável e gerador de juros.

De volta às palavras do BIS (Banco de Compensações Internacionais) no recente relatório “Finternet: o futuro do sistema financeiro”: “Embora a tecnologia digital já tenha mudado a forma como vivemos, grande parte do sistema financeiro ainda opera no passado. Muitas transações levam dias para serem concluídas, dependendo de processos de liquidação e reconciliação demorados. A Finternet baseada em blockchain será o futuro do sistema financeiro.

A chegada do buidl é justamente um sinal de que esse futuro está se tornando realidade.

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