5 de março de 2023 - O Grupo de Inteligência de Ameaças do Google (GTIG) divulgou recentemente um relatório de segurança que revela a descoberta de uma nova ferramenta de exploração de vulnerabilidades no iPhone, chamada “Coruna”. Esta ferramenta tem sido utilizada para roubar palavras-chave de carteiras de criptomoedas e informações financeiras. O kit de exploração direciona ataques a dispositivos com iOS 13.0 a 17.2.1, usando múltiplas cadeias de vulnerabilidades, o que tem despertado grande atenção no setor de segurança móvel.
O relatório indica que “Coruna” inclui cinco cadeias completas de exploração de vulnerabilidades no iOS, envolvendo um total de 23 falhas de segurança, algumas das quais nunca foram divulgadas anteriormente. Pesquisadores do Google afirmam que identificaram a atividade de ataque pela primeira vez em fevereiro de 2025. Inicialmente, suspeita-se que a ferramenta tenha sido usada por organizações de espionagem russas para atacar usuários ucranianos, e posteriormente, para falsificar sites relacionados a finanças e ativos criptográficos, induzindo os usuários a acessá-los e roubando informações.
O método de ataque baseia-se na entrega de código malicioso através de páginas web comprometidas. Quando um usuário de iPhone visita um site malicioso, o framework JavaScript presente na página realiza uma análise de impressão digital do dispositivo, verificando a versão do sistema antes de carregar o exploit correspondente. Pesquisadores encontraram o mesmo framework em vários sites ucranianos comprometidos, notando que o sistema envia o código de ataque apenas para dispositivos iPhone de regiões específicas.
Em dezembro de 2025, a equipe de pesquisa detectou o mesmo framework em diversos sites falsificados relacionados a serviços financeiros em chinês, incluindo páginas de plataformas de criptomoedas falsas. Quando vítimas acessam esses sites via dispositivos iOS, a ferramenta de ataque escaneia informações sensíveis no dispositivo, como palavras-chave, frases de backup ou textos contendo nomes de contas bancárias, além de tentar acessar dados de aplicativos de carteiras criptográficas comuns, obtendo assim controle sobre os ativos digitais.
A Google informa que atualmente essa ferramenta de exploração não funciona nas versões mais recentes do iOS, recomendando que usuários de iPhone atualizem seus sistemas o mais rápido possível. Caso a atualização não seja possível, é aconselhável ativar o “Modo de Bloqueio” oferecido pela Apple para se proteger contra ataques sofisticados.
Por outro lado, a origem de “Coruna” também tem gerado debates. Rocky Cole, cofundador da empresa de segurança móvel iVerify, afirmou em entrevista que a complexidade da ferramenta é elevada, com custos de desenvolvimento que podem chegar a milhões de dólares, apresentando módulos semelhantes a ferramentas de espionagem do governo dos EUA. No entanto, especialistas da Kaspersky afirmam que não há evidências suficientes para estabelecer uma ligação direta entre o código da ferramenta e qualquer ferramenta conhecida.
Especialistas em segurança alertam que usuários de criptomoedas devem estar atentos a páginas de phishing ao usar carteiras móveis ou acessar sites relacionados, além de manter seus dispositivos atualizados para reduzir o risco de vazamento de palavras-chave e roubo de ativos digitais.
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