USTR Mira o Pix do Brasil ao abrigo da Secção 301 da Lei do Comércio

O Gabinete do Representante Comercial dos EUA (USTR) divulgou um relatório que conclui que o sistema de pagamentos instantâneos Pix do Brasil condiciona ou restringe o comércio dos EUA, citando a secção 301(b) da Lei de Comércio como base para possíveis ações de tarifas. O USTR afirma que o tratamento preferencial do Pix impõe custos aos prestadores de serviços dos EUA, após o sistema processar mais de 7 mil milhões de transações em abril. A conclusão resulta de alegações de que o Banco Central do Brasil opera um conflito de interesses ao atuar como regulador e operador do Pix, ao mesmo tempo que disponibiliza o serviço gratuitamente a particulares. O Governo brasileiro rejeitou as conclusões, afirmando que as empresas nacionais e estrangeiras recebem tratamento igual ao abrigo da legislação brasileira, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o Pix como pertencendo ao Brasil. O diferendo surge antes das eleições de outubro, depois de o senador Flavio Bolsonaro ter-se reunido na Casa Branca com o presidente Donald Trump para discutir políticas comerciais.

USTR cita a secção 301 contra o sistema Pix

A “Notificação de Determinação e Pedido de Comentários Relativos a Ações ao Abrigo da Secção 301” do USTR afirma que “os atos, políticas e práticas do Brasil relacionados com o seu tratamento preferencial do Pix constituem um ónus ou uma restrição ao comércio dos EUA, ao impor custos aos prestadores de serviços dos EUA e ao obrigar os prestadores dos EUA a promover o seu concorrente brasileiro, sem compensação”.

O relatório enumera o Pix, juntamente com outras alegadas causas, incluindo tarifas preferenciais, aplicação do combate à corrupção, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado do etanol e desflorestação ilegal, como fatores que são “passíveis de ação ao abrigo da secção 301(b) da Lei de Comércio”.

O USTR concluiu que o papel duplo do banco central, como regulador e operador do Pix, cria um conflito de interesses e coloca em desvantagem alternativas sediadas nos EUA, ao disponibilizá-lo gratuitamente a particulares e ao impor limites às suas tarifas para instituições.

Governo brasileiro rejeita alegações comerciais

O Governo brasileiro manifestou indignação com as conclusões preliminares, sublinhando que, ao abrigo da lei brasileira, as empresas nacionais e estrangeiras recebem tratamento igual.

“PIX é uma infraestrutura pública e gratuita para pagamentos instantâneos, operada pelo Banco Central do Brasil e amplamente aceite pela população. As suas regras aplicam-se de forma uniforme e neutra, e as empresas dos EUA participam ativamente neste ecossistema”, referiu um comunicado oficial.

Lula defendeu o Pix, que processou mais de 7 mil milhões de transações em abril. “O Pix pertence ao Brasil, e ninguém nos vai obrigar a mudá-lo, tendo em conta o serviço que presta à sociedade brasileira”, declarou.

Bolsonaro reúne-se com Trump sobre política comercial

O senador e candidato presidencial Flavio Bolsonaro, o principal opositor de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de outubro, visitou a Casa Branca e reuniu-se com o presidente Donald Trump para discutir o crime organizado e políticas de tarifas.

FAQ

O que é que o USTR determinou sobre o sistema Pix do Brasil?

O USTR divulgou um relatório que conclui que o sistema de pagamentos instantâneos Pix do Brasil condiciona ou restringe o comércio dos EUA, citando a secção 301(b) da Lei de Comércio como base para possíveis ações de tarifas. O USTR afirma que o tratamento preferencial do Pix impõe custos aos prestadores de serviços dos EUA e obriga os prestadores dos EUA a promover o seu concorrente brasileiro sem compensação.

Como é que o Governo brasileiro respondeu ao relatório do USTR?

O Governo brasileiro rejeitou as conclusões, afirmando que, ao abrigo da lei brasileira, as empresas nacionais e estrangeiras recebem tratamento igual. Um comunicado oficial referiu que o Pix é uma infraestrutura pública gratuita, operada pelo Banco Central do Brasil, com regras que se aplicam de forma uniforme e neutra, e que as empresas dos EUA participam ativamente neste ecossistema. O presidente Lula declarou que o Pix pertence ao Brasil e que ninguém vai forçar mudanças.

Qual é o volume de transações do sistema Pix do Brasil?

O Pix processou mais de 7 mil milhões de transações em abril, de acordo com o material de origem.

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